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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Corpo e metáfora

Postado em 06-05-2014

Durante os últimos dias fui questionada sobre a pesquisa em relação ao estupro. Confesso que não fiquei admirada com os resultados, afinal vivemos em um país machista e seria esperado aquele tipo de comentário, principalmente nas redes sociais. Gostaria de esclarecer um equívoco em relação à estimulação da violência devido à vestimenta feminina, é importante deixar claro que os estupros não acontecem porque os homens encontram mulheres com roupas sexy no meio da rua, na realidade são pessoas doentes que atacam quem estiver disponível, na sua maioria crianças e dentro de casa.

Tenho me preocupado por acreditar que estimula a desvalorização da mulher, as expressões degradantes, veiculadas pela pobreza cultural de certas “músicas” atuais, que são verdadeiras tapas na nossa inteligência. Elas doem no tímpano, no corpo e no espírito. Doem porque veiculam, para além da enorme mediocridade enquanto músicas, a tentativa de naturalizar e tornar “graciosos” o uso e o abuso do corpo do outro para um gozo individualista, duvidoso, para não dizer perverso. A perversão se caracteriza por um “desejo de ferir, magoar, ser cruel, degradar, humilhar alguém”, diz R. Stoller. Nessas veiculações aparentemente inofensivas, implantam-se ideias ofensivas.

Antigamente o Marquês de Sade era para ser lido, mas hoje os crimes sádicos são verdadeiros, acontecem em cada esquina de nossas vidas e assumem ares de coisa natural. É a perversão pretendendo ser normal. Confesso que me causa perplexidade assistir mulheres em vídeos cantando e dançando funks de uma forma desrespeitosa contra elas mesmas. Preocupo-me mais ainda perceber que crianças participam de programas de TV, dançando coreografias vulgares, transformando com isso, um gesto cultural que é de punição, em graciosa perversão. Que consequências isso trará? O que acontecerá com a autoestima dessas pessoas amanhã? Onde estão os responsáveis pelo futuro destas crianças?

“Um tapinha não dói... ¨”, “Vou te jogar na cama e te dar muita pressão... cachorras”, “Tô doidinha para te dar”, podem ser estímulos à reedição de antigas estratégias de opressão da mulher. Do tapinha não dói pode-se chegar à violência, a espancamentos, quem sabe, ditos normais, exigência de pulsões rebeldes e desenfreadas que deverão ser satisfeitas a qualquer preço, na cultura do “é proibido proibir”. Aí vale tudo, a desconsideração ao outro, o uso de seu corpo, a violência. Tudo conduz a incapacidade de admirar a pessoa, posto que ela é tornada coisa, é transformada em objeto de uso.

Talvez eu tenha os tímpanos ”mal educados” para a contemporaneidade, mas fico à procura de qualquer sinal de beleza nessas músicas e não consigo visualizar. Talvez porque, sou daquele tempo em que a gente “estava à toa na vida... vendo a banda passar cantando coisas de amor”. Era bonito ver Chico Buarque revelando sua alma de poeta. Perdão aos entendidos que veem na música funk um entrelace do morro com o asfalto; enquanto projeto de diluir as fronteiras existentes, é louvável. Mas, porque não podemos diluir essas fronteiras intercambiando nossas melhores porções? De certo, há beleza e qualidade também na música do morro, que pode enriquecer nossa cultura asfáltica.

Fonte: jonal O Povo - 04/05/2014


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Deputado Estadual Artur Bruno

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