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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Entre o belo e o banal

Postado em 21-03-2014

Na arte de todos os tempos, sobretudo na escultura e na pintura, o corpo nu foi alvo de grandes inspirações artísticas, que legaram à humanidade um patrimônio de belas expressões plásticas. Neste Carnaval, resolvi assistir alguns desfiles de escolas de samba, o que gosto muito, devido ao meu animado passado carnavalesco! E foi a partir dai que observei um declarado processo de dessensibilização em relação ao sentido artístico do nu. Nos dias atuais, marcados pela eficiência, rapidez e consumo, o nu tornou-se imagem midiática, mais que obra de arte. É recurso de marketing, mais que expressão artística, mais que a beleza da escultura ou pintura que ambienta nossas casas, que seduz nossas emoções. O corpo em sua nudez foi perdendo suas metáforas, foi sendo destituído historicamente desse sentido.

No processo de globalização, a sexualidade foi sendo enquadrada em categorias econômicas e passou-se a explorar o nu para fins comerciais. Hoje, o nu feminino, enquadrado num estereótipo de beleza, vende muito. Vende de tudo e vendendo, vende-se. Assim, entre o artístico e as imagens desnudadas pela mídia, há significativas diferenças. Na arte, o nu é buscado, encontrado, contemplado, quando isso delicia o deleite do imaginário. Mas na propaganda o nu impõe-se, invadindo ruas, revistas, internet, salas de visita como se fosse a ultima palavra, o que se impõe como verdade. Diante dessas imagens o sujeito é excluído, não tem como contradizê-la, ajeitá-la, torná-la mais sútil. A imagem impõe-se sem enigma, é seu próprio fim, não deixa margem à divagação criativa. Neste sentido, o observador consome passivamente, o que lhe é posto no cotidiano. Isso o convoca à “infelicidade”, quando não dispõe de um corpo naquele padrão, para sua satisfação.

Não me considero uma pessoa conservadora e moralista, mas confesso que a nudez exagerada na mídia me incomodou, cheguei a pensar se não seria inveja devido os meus 50 anos, mas meu companheiro carinhosamente comentou que eu era mais bela de que todas, o que imediatamente me aquietou. Romantismo à parte, penso que no tempo em que era “proibido permitir”, o corpo velado, coberto, intocado, era a musa inspiradora de sonhos, devaneios, esculturas, pinturas, poemas. Hoje, é “proibido proibir” e o corpo revelado, exposto, já não provoca emoções em sua nudez. Os radicalismos, os excessos, são sempre geradores de desconfortos. Será que a agressividade, a violência que se instala na sociedade, o endurecimento das pessoas, a frieza com que se maltrata o corpo do outro, não são também resultantes desse vazio do êxtase, que só a beleza sutil do gozo e da descoberta, prometem? Não estamos nós carentes de oásis que sejam mais emocionantes?

Como terapeuta sexual, percebo o aumento de pessoas com disfunção sexual, principalmente a inapetência sexual e a disfunção erétil. Como podemos explicar isso, se a cada dia a liberação sexual aumenta? Saímos constantemente da possibilidade do sonho, do imaginário, da fantasia, para a ordem real que muitas vezes associa grosseiramente o sexual com o banal. “Erótico é a alma”, dizia Adélia Prada, porque a sensualidade é uma espécie de teatro imaginário, onde a sutileza é mais eficiente que a imposição. O corpo clama por mais respeito nas várias propagandas. Não sou contra a mídia, pelo contrário, até faço parte dela, mas não podemos permitir o império da banalização, a coisificação do sujeito. Não seria esse o momento adequado para pensarmos que tipo de prazer queremos sentir?


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Deputado Estadual Artur Bruno

1998 - 2017. Artur Bruno - Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA)
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