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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

(Des) humana violência

Postado em 01-07-2013

Não posso negar a minha preocupação com o que vem acontecendo em nosso país nas últimas manifestações. Como a grande maioria, sou também a favor delas, mas, sinceramente, o meu olhar desviou para o que mais me impressionou: a violência! Somos seres naturalmente agressivos. É como seres de cultura que nos controlamos. Em O Mal Estar na Civilização, Freud refere que está em todo ser humano tanto uma pulsão de vida, que é construtiva, como uma pulsão destrutiva. Ele considera que, se a esta nos entregarmos, poderemos ser capazes de destruir a própria civilização que a tanto custo construímos. Por aí podemos compreender, que é função da cultura, educar os cidadãos quanto ao controle de seus impulsos, o que tornará possível a construção do bem-estar.

É dever do estado proteger seus filhos. Tais medidas visam o ato cometido ou a sua evitação. Contudo, não depende só do estado o controle da violência. Faz-se necessário que outros tipos de ações e intervenções pessoais e sociais corram em paralelo, mobilizando nas pessoas a sua humanidade. Faz-se urgente uma mudança de atitude na internalidade de cada pessoa. O primeiro caminho de paz é pessoal, é construído por cada indivíduo em seu modo de estar no mundo. As normas, leis e limites postos são modos culturais de controle da pulsão destrutiva em nós.

É dever do estado proporcionar condições básicas de sobrevivência e fontes de satisfação que sejam adequadas ao cidadão e à coletividade. Mas é função também do cidadão de cuidar de si e de sua pulsão agressiva. Quando não é possível dar conta desse controle sozinho, é importante peajuda a família, amigos e profissionais.

Em nenhum momento questionei a importância dos movimentos sociais, pelo contrário, em muitos deles já estive presente, e com o fervor da multidão, meu espírito revolucionário também esquentou minha alma e meu corpo. Mas algo diferencia um dos outros no momento do discernimento do certo e errado, do adequado e inadequado, do necessário e supérfluo. E principalmente o que é meu, do outro e nosso! A agressividade não é uma força má que carregamos. Ela faz parte de nossa personalidade.

Contudo, pode e deve ser orientada para fins construtivos, autodefesa, força de trabalho, criação, coragem de ser. Embora seja parte integrante de nós mesmos, isso não nos autoriza a utilizá-la para a destruição do outro, da natureza, do bem-estar social. O respeito e a valorização das pessoas são valores fundamentais, são base da convivência sustentável entre os homens e as nações.

Na cultura narcisistas em que vivemos, onde “é proibido proibir”, produzem-se sujeitos intolerantes, exigentes de um prazer sem limites e incapazes de suportar a mínima frustração. “A perversidade não provém de uma perturbação psíquica e, sim, de uma fria racionalidade, combinada a uma incapacidade de considerar os outros como seres humanos”, diz Hirigoyen. A sociedade, a família, os adultos compõem o grande espelho onde os jovens refletem suas condutas.

A violência na juventude é apenas um reflexo da violência social, somado à força das pulsões adolescentes e ao vazio de valores que desnutre a dimensão humana. O “primata agressivo” que existe em nós traz em si a potencialidade do humano sensível, capaz de transformar a mais turva realidade. Precisamos urgentemente de projetos que humanizem o homem. Se não cuidarmos de estancar o projeto violento do modo de viver que se instalou, o futuro da humanidade se fragilizará sob nossos olhares inertes.

Fonte: O Povo - 01/07/13


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Deputado Estadual Artur Bruno

1998 - 2017. Artur Bruno - Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA)
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