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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Homossexualidade: o peso da diferença

Postado em 08-04-2013

Fui convidada a proferir uma palestra no Congresso de Geriatria sobre as relações homoafetivas na terceira idade. Quando comecei a prepará-la pensei, será que sabemos o que é a homossexualidade? Pois em pleno século XXI, percebo que a mesma ainda tem sido vista, especialmente entre leigos, como um estigma, para alguns uma doença ou, o pior, uma demonstração de sem vergonhice propositadamente cometida. O aspecto mais básico do problema é o educacional, pois a sexualidade ainda é passada como algo sujo, ruim e vergonhoso, especialmente no que diz respeito às suas manifestações entre as minorias sexuais. Claro que se passarmos a uma criança a ideia de ser o homoerotismo uma distorção, será muito difícil que mais tarde ela possa vir a ter uma visão menos preconceituosa a respeito.

Crescer é basicamente uma questão de moldagem, de ajuste a uma sociedade. É um processo vital, pois nenhum de nós poderia sobreviver por muito tempo sem ser membro de algum grupamento social. Se os estereótipos culturais dessa sociedade forem demasiadamente rígidos, eles impedem o crescimento dos seus membros, instalando-se a estagnação. Observa-se que tal rigidez pode mutilar a mente dos indivíduos de forma tão grave e permanente, como o costume do atar os pés mutilava antigas gerações de mulheres chinesas. No entanto, se os estereótipos forem amorfos demais, a sociedade fracassa em prover seus membros dos meios necessários para a cooperação, e em pouco tempo se desintegra. A tendência dos estereótipos culturais em resistir à mudança é essencial para a manutenção da sociedade, mas a flexibilidade é fundamental para a saúde, tanto da sociedade quanto de seus membros, segundo Money.

É essa flexibilidade que oferece a oportunidade de se atingir o “ponto-chave” de compreensão e postura diante de novos conceitos e acontecimentos. A questão da escolha afetiva é determinada e aceita socialmente, a partir da heterossexualidade. A mulher deve escolher o homem, o homem deve escolher a mulher, e essa escolha deve dar prazer, ser satisfatória e coerente. E é justamente aí que reside à incoerência, pois a escolha de parceria afetiva é individual e pessoal. Neste sentido, a homossexualidade se caracteriza pela parceria afetiva com o mesmo sexo, isto é, escolha de objeto amoroso e não de vida. A confusão entre escolha de objeto amoroso e escolha de vida, fica evidenciada no atendimento de pacientes cujo sofrimento emocional advém da dificuldade em conciliar a sua orientação sexual com o contexto social. A resolução quanto à própria sexualidade reside no fato de perceber-se capaz de seduzir, ser seduzido, e, principalmente, poder discriminar nessas situações com quem se deseja um envolvimento maior pelo nível de satisfação e prazer que essa escolha amorosa possa proporcionar. Sob esta ótica, a homossexualidade pode ser considerada uma variante normal do comportamento sexual.

Epíteto (século I d.C.) afirma: “Não são as coisas em si que nos perturbam e sim a opinião que temos delas”. Neste caso, o profissional que categoriza, classifica ou rotula por dificuldade de lidar com a diferença, não passa de reprodutor de ideologias preconceituosas. As diferenças são inerentes à condição humana. A organização social que determina essas diferenças em categorias valorativas visa, de certa forma, encontrar justificativas para tornar mais próximos os “desiguais”. Sobre os aspectos apontados resta pensar se, ante a perspectiva de se criar um padrão que defina o porquê de uma determinada escolha de objeto amoroso, não estaríamos perdendo de vista características que fazem parte da “natureza humana”? E, neste sentido, não estaríamos também sendo condescendentes com certos abusos emocionais cometidos em nome da heterossexualidade? Somos ao mesmo tempo semelhantes e diferentes de todos os demais, em nossa indivisibilidade. Somos, em cada momento, únicos e universais. Transformar uma sociedade é nos transformarmos. E transformar, também, a sociedade que está dentro de nós.

Zenilce Vieira Bruno

zenilcebruno@uol.com.br

Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Fonte: jornal O Povo (08/04/2013)


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Deputado Estadual Artur Bruno

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