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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Adolescência hoje

Postado em 17-12-2012

Acompanhei a campanha eleitoral e fiquei surpresa com tantos interessados em defender os adolescentes. Empolgada com as promessas, escrevo para colaborar e quem sabe esclarecer alguns devaneios.

É imprescindível que antes de elaborar qualquer projeto se conheça quem é e do que necessita o adolescente. A adolescência se impõe pelo seu contingente significativo, pelas suas expressões peculiares (e muitas vezes dramáticas de conduta) e pela sua influência no mercado de consumo. Esses aspectos e outros, que vêm sendo pesquisados, têm permitido a sua inscrição no arcabouço teórico do desenvolvimento, e, inclusive, na criação de um novo olhar profissional para o adolescente.

A literatura etnológica tem revelado que em muitas culturas existem ritos de iniciação com definição explícita de um estatuto que tem por fim converter o jovem em adulto socializado e bem adaptado à sua sociedade. Esses ritos contêm uma simbologia de alcance social, pois, ao promover a integração dos jovens às regras sociais e políticas de sua cultura, asseguram seu reconhecimento como cidadão pelos outros membros da sociedade.

Essas observações contrastam com o que se vê na sociedade ocidental, onde a passagem à idade adulta não está institucionalizada. Os poucos ritos existentes implicam em aspectos parciais do indivíduo, prescrevendo que a transição entre infância e idade adulta se mantém em aberto. Os adolescentes têm grande dificuldade em conquistar o seu estatuto social e exercer a cidadania, pois carregam o peso dos próprios conflitos e das instabilidades da sociedade contemporânea, que tem produzido, na forma de iatrogenia, uma assincronia acentuada entre as idades de maturidade biológica, psicológica e social.

As estatísticas de mortalidade apontam que eles estão morrendo em progressão crescente por eventos violentos. A ciência e a tecnologia muito realizaram, mas não têm contemplado este grupo de forma preservadora. Por exemplo, as leis prescrevem velocidades menores nas rodovias e ruas das cidades e a tecnologia joga no mercado carros cada vez mais potentes e velozes. Os meios de comunicação acenam a prioridade para um mundo virtual inalcançável, e os adolescentes, vítimas do imaginário, buscam as alucinações da ilusão, perdendo a referência da realidade. Seriam estes óbitos por violência os resultados funestos dos rituais de passagem que a sociedade contemporânea tem dado como provas de iniciação aos jovens?

Sem limites etários definidos, sem adultos de referência, sem lugar, sem tempo, a adolescência de hoje anda às soltas, construindo uma cultura marginal. Nos parques e shoppings, com skates, dialeto próprio, roupagem, enfeites e aparência típica, eles vivem à parte. Vistos muitas vezes como ameaças sociais, são enfrentados pela força policial.

Resistindo a pressões escolares, são punidos com avaliações tendenciosas e reprovações. Para os sobreviventes bem nascidos e dotados, resta o vestibular que penaliza, humilha e adia a realização intelectual e pessoal. É a violência sutil fantasiada de boas intenções. Sem tempo e sem espaço, o adolescente continua nômade do imaginário, sem direito de ser iniciado na realidade.



Zenilce Vieira Bruno

zenilcebruno@uol.com.br

Psicóloga, sexóloga e pedagoga


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Deputado Estadual Artur Bruno

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