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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Tristeza amorosa

Postado em 17-01-2012

Resolvi neste início de ano escrever sobre os temas mais solicitados e comentados dos leitores. Tenciono ir desaquecendo aos poucos meu papel de articulista e assim vou tentando fechar algumas ideias e emoções. Procurando, é claro, deixar sempre um espaço em aberto para o preenchimento poético do leitor. Um artigo vale mais pelas questões que suscita. Assim sendo, o mérito não está na saturação das respostas e sim na pertinência das indagações. O mais saboroso é o mistério das entrelinhas que as palavras não conseguem dizer mas insinuam. 

Tenho questionado o que há de encontro e de sexualidade em toda essa forma que prolifera, de erotismo industrializado que vai assumindo cada vez mais a fugacidade da relação. Estamos na época do “voyeurismo” típico dos tempos de Madonna, da “pegação” dos strippers e dos extrassexuais, que ofertam e buscam libidinagem sem sexo, da “ficação” fortuita com alguém numa noitada, tudo encaminhando experiências em forma de relações objeto, destituídas do relacional com o outro como sujeito. Nesse modelo, nem importa saber o nome de quem se toca, afaga ou beija e quantos corpos se tocam numa mesma noite.

A identidade se perde nesse identificador de personagens e cede lugar ao uso do corpo para meras sensações. Até mesmo uma “androginia de visuais” confunde as pessoas nessas orgias em que nem se sabe se é atraído pelo masculino ou pelo feminino. Tudo levando a crer que a “livre expressão libidinal” industrializada e lucrativa supõe um corpo objeto, um consumo de imagens e sensações, não emoções partilhadas no relacional. Essa simulação, essa caricatura, promove formas de sexualidade, não relações. Isso interessa ao sistema que aplaude a superficialização dos cidadãos. Ciro Marcondes acha que é nessa aparência de sexualizar que se dá a dessexualização, pela redução do sexo ao mecânico, ao automático, repetitivo e vazio.

Assistimos a uma espécie de diminuição das relações apaixonadas, e até mesmo o desenvolvimento do medo da experiência mais profunda, da emoção inevitável, do doer de paixão. É grande, hoje, a evitação do envolvimento amoroso, o descompromisso com a emoção e com a pessoa e, em troca, elegem-se experiências passageiras, nenhuma verticalização do sentimento.

Mas é grande também a insatisfação, filha do vazio que resulta do não encontro. Vivemos, assim, uma tristeza amorosa. Saímos da era dos impedimentos para uma era da produção de liberdades que nega a paixão, o utópico, o metafórico, o extasiante, a dimensão onírica da pessoa.

O tema evidencia que a paixão carece de obstáculos a serem superados e que os apaixonados os enfrentam numa arrojada dinâmica do impossível. O mito de Eros defende que o amor não pode crescer sem paixão. Diante disso, questiono: que obstáculos têm hoje os amantes a enfrentar, considerando-se que toda libidinagem está posta à mesa, ao consumo e ao lucro de investidores e consumidores modernos?

São frágeis os limites postos pela família e sociedade para consumos libidinosos. Uma filosofia da “facilidade” erradica os impedimentos. Mas é curioso observar que vivemos intensamente enquanto temos razões para lutar. Se não há mais barreiras contra as quais se opor, vive-se superficialmente. 

“Como é que vou crescer sem ter com quem me rebelar?”, cantava o grupo Ultraje a Rigor.

 

Zenilce Vieira Bruno - Psicóloga, pedagoga e sexóloga


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Deputado Estadual Artur Bruno

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