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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Que impotência é essa?

Postado em 09-08-2011

Estátuas esculturais espalhadas por toda cidade mostrando o nu artístico impressionavam os turistas. Meu sobrinho colocou, com sua sabedoria infantil, que Florença era a cidade dos “peladinhos”.

Na arte grega antiga, é comum se ver genitálias masculinas menores do que se esperaria para o tamanho do homem retratado na obra. Isso se devia à crença de que o pênis pequeno e não-circuncidado era mais desejado nos homens, ao passo que um pênis grande ou circuncidado era visto como cômico.


Fiquei pensando, como sexóloga que sou, na importância da retratação desse pênis, do tamanho, da ereção e no papel social que ele desempenha até hoje. Alguns valores mudaram, mas o certo é que a “potência sexual” ainda é o grande terror masculino. De que terá adoecido o homem contemporâneo que tem se tornado tão impotente? Qual será mesmo sua impotência? O que estará metaforizando sua dificuldade eretiva em tão larga escala hoje?


Creio que o uso de alguns medicamentos esteja extrapolando os fins singelos de promover uma ereção peniana. Talvez estejam mesmo é tentando atenuar o medo que o indivíduo tem de se confrontar, seja com a expectativa de desempenho que lhe é imposta, seja de se confrontar com suas próprias dificuldades de amar e ser amado. Não estará sendo usado equivocadamente para tratar a inquietação humana produzida pela cultura que encerrou a sexualidade numa lógica de potência, competência e onipotência?


Na sociedade do espetáculo em que vivemos, há um mostrar excessivo e muito real, e, nele, um desaparecimento do sujeito, do mistério e do afeto no sexo. O sintoma basta. Ele é objeto suficiente de notícias, estudos, produções farmacológicas e midiáticas; esgota-se em seu dever de potência, sem sujeito. É em torno da impotência e não do sujeito sofrente que se dá a orgia de discursos e providências, inclusive de alternativas sexuais excêntricas.


Constantemente caímos em ciladas que nos alienam de nós mesmos. Parece que construímos uma cultura de seios e bundas siliconadas e pênis eretos, e a estes deuses erguemos altares onde sacrificamos o nosso eu. As cabeças, as ideias e a mentalidade que aí se produz têm o mesmo nível. Há uma tirania e uma perversão sem par nisso tudo, cujas sequelas não podemos ainda imaginar. Por enquanto, tudo isso parece uma cortina de fumaça que encobre outras impotências, um esconderijo onde um indivíduo agoniado, conflituado com suas inseguranças é fragilizado, mas desafiado pela exigência de ser forte, herói, vencedor, the best.


Nada contra os medicamentos ou alternativas para a disfunção erétil, muito pelo contrário. Sou sempre e apenas a favor do sujeito, que por acaso esteja esquecido no contexto do seu uso. Continuo sonhando com o tempo em que possamos resgatar a força do desejo. Somado a dimensões relacionais, sensíveis, humanas, éticas e estéticas, ele será capaz de produzir muitas ereções desejáveis. Porque como dizia minha mestra Amparo Caridade “é na amorosidade entre os sujeitos que nos congratulamos com Eros”.


 


Zenilce Bruno - sexóloga



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Deputado Estadual Artur Bruno

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