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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

É um ser humano

Postado em 04-07-2011

A catarse torna-se possível quando se consegue encontrar imagens e expressões que digam, pelo menos parcialmente, do que nos possui. Há cenas que nossos olhos veem e reenviam para o coração, para a existência, para um pensamento racional e afetivo.

Num desses dias, uma carroça andava lentamente atrapalhando o trânsito, incomodando motoristas e pedestres. Levava trecos, coisas inúteis, cadeiras quebradas, pedaços de madeira, de ferro, objetos já abandonados por outras pessoas. Coisas velhas, sujas, feias, tidas como de nenhum valor. Mas aquela carroça podia ser promessa de comida. Mesmo assim, como pode uma carroça com coisas tão sem valor atrapalhar o trânsito num horário engarrafado e em bairro tão nobre?

Mas não era um cavalo, era um homem quem puxava aquela carroça, era um ser humano. Sem ter sequer força de um cavalo, ele disputava no trânsito, com carros potentes, que têm força de muitos cavalos. Era muito desigual a competição onde todos tinham pressa, onde as urgências de cada um marcavam o compasso de impaciência e intolerância da maior parte.

Uma mulher e duas crianças o acompanhavam. Certamente já se exercitam, desde pequenas, como ajudantes do ofício. De certa também é essa escola que frequentam. Conhecemos bem essa cena, que acontece todos os dias sob nossos olhares irritados, constrangidos ou indiferentes. Tornou-se tão natural ver um homem, uma mulher, um jovem, até mesmo uma criança, substituindo o cavalo, puxando sua carroça! A cena é, porém, constrangedora. É desconcertante ter um carro, passar ao lado e assisti-la. Pertencemos a uma sociedade avançadíssima, mas ainda permissiva dessa condição de extremas desigualdades.

Diante da frequência com que ocorrem esses fatos, exercitamo-nos na indiferença, numa não leitura do que se passa no cotidiano. O fato de um homem substituir o animal em sua tarefa de puxar uma carroça é um pouco da pele do social que nos chega como fato denunciador de que ainda somos vergonhosamente desiguais.

Também o fato de que meninas, muito crianças ainda, prostituam-se, ou são traficadas para isso, emite a mesma mensagem. Não é aquele homem da carroça que é indigno, é a sociedade desigual que o faz necessitante dessa condição de trabalho. Não são as crianças e as adolescentes que são degradadas, é a condição social, econômica e educacional em que se encontram que as fazem prostitutas precoces ao preço de poucos reais pelo uso de seus corpos. São meninas ainda, mas violentadas por uma vivência estúpida do sexo.

No entanto, reside nesse cotidiano uma polissemia, uma discursividade, uma retórica que fala àqueles que estão atentos. Na pele do social está o texto da sociedade, dos valores, da cultura na qual vivemos. Guardo a esperança de maior igualdade para que ninguém mais precise substituir animais em suas tarefas de sobrevivência, onde meninas possam brincar e estudar ao invés de vender seus corpos em troca de uma gorjeta. Dias em que a sexualidade seja vivida como partilha de prazer, não mero uso de corpos. Acredito no tempo em que vivemos, por mais que ele ainda se revele obscuro e sombrio em seus abismos. Como o sociólogo francês Michel Mafesoli, aposto também em suas esperanças.

Zenilce Vieira Bruno zenilcebruno@uol.com.br

Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Artigo publicado no jornal O POVO


 


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Deputado Estadual Artur Bruno

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