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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Saúde e Desenvolvimento da Juventude

Postado em 22-11-2010


A eleição já aconteceu e os eleitos tomarão posse no início de 2011. Empolgada com as promessas feitas, resolvi escrever pensando em colaborar e quem sabe esclarecer alguns devaneios, já que sou especialista em adolescência e Coordenei a Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde em Brasília no início do Governo do Presidente Lula. É imprescindível que antes de qualquer projeto elaborado, se conheça o que é e o que necessita o adolescente.

As políticas públicas que envolvem os adolescentes e jovens, têm tornado evidentes a ambigüidade e ambivalência com que a sociedade encara os limites etários de direitos e deveres desta parcela importante da população, provavelmente, porque só recentemente, tem sido elaborada uma reflexão mais profunda sobre as necessidades reais de atenção integral à saúde desse grupo populacional. O reconhecimento de uma etapa da vida, sem fronteiras etárias definidas, marcada pela transitoriedade, unindo à infância à idade adulta, sempre existiu em todas as sociedades e durante todas as épocas da história, mas somente nas últimas décadas, a adolescência tem sido reconhecida e incluída como objeto de atenção em programas sociais e de saúde.

No contexto contemporâneo, a adolescência e a juventude se impõem pelo seu contingente numérico significativo, pelas suas expressões peculiares e, muitas vezes dramáticas de conduta e pela sua influência considerável no mercado capitalista de consumo. Estes aspectos e outros, que vêm sendo pesquisados e desenvolvidos, têm permitido a sua inscrição no arcabouço teórico do desenvolvimento, e, inclusive, na criação de um novo olhar profissional, a Psicologia do Adolescente. Na cultura ocidental contemporânea, existe o consenso de que os primeiros indícios da maturação sexual, introduzidos pela puberdade, marcam concretamente, o início da adolescência.

Em perspectiva ampla, a adolescência engloba a evolução da sexualidade e suas vicissitudes até a maturidade, envolve o processo do desenvolvimento cognitivo até o florescimento das faculdades mentais; situa o indivíduo entre os limites da dependência infantil até a autonomia do adulto, construindo o alicerce por etapas, de uma identidade que vai se concretizando na juventude através de reformulações constantes de caráter social, sexual e de gênero, ideológico e vocacional, impostas por uma realidade cultural, carregada de prescrições e divergências de valores.

A literatura etnológica tem revelado que, em muitas culturas, existem ritos de iniciação com definição explícita de um estatuto que tem por fim converter o jovem em um adulto socializado e bem adaptado à sua sociedade. Estes ritos contêm uma simbologia de alcance social, pois, ao promover a integração dos jovens às regras sociais e políticas de sua cultura, asseguram o seu reconhecimento como cidadão por parte dos outros membros da sociedade. Estas observações contrastam com o que se tem observado na atual sociedade ocidental, em que a passagem à idade adulta não está institucionalizada. Os poucos ritos de passagem existentes implicam em aspectos parciais do indivíduo, prescrevendo que a transição entre a infância e a idade adulta se mantém em aberto.

Nas zonas urbanas, observam-se jovens marginalizados por escassez de atividades produtivas, por um aumento crescente do tempo da educação formal sem perspectiva de garantia de trabalho ao final de longa formação, o que denuncia a presença de conflitos entre valores morais introduzidos pela cultura e a falta de condições materiais básicas capazes de garantir a sua sustentação. Nas zonas rurais, além de toda a desigualdade de oportunidades que é revelada pelas precárias condições de sobrevivência de todas as idades, verifica-se que as crianças, mal alcançam a puberdade, já se somam à massa de miseráveis, vítimas de um sistema que perpetua a pobreza e a degradação humana, afetando, principalmente, as camadas menos privilegiadas.

Os adolescentes e os jovens de hoje continuam atravessando este tempo da vida como um período indeterminado de extensa duração. Mostram grandes dificuldades em conquistar o seu estatuto social e de exercer a sua cidadania, pois carregam o peso dos próprios conflitos e das instabilidades da sociedade contemporânea, que tem produzido, na forma de iatrogenia, uma assincronia acentuada entre as idades de maturidade biológica, psicológica e social. No contexto das contradições dos discursos e das ações do mundo contemporâneo, das hipertrofias deformadoras de aspectos fragmentados da sociedade, emergem os adolescentes e jovens, assumindo os aspectos mais negativos do mundo atual.

As estatísticas de mortalidade apontam que eles estão morrendo em progressão crescente por eventos violentos e, se muito tem sido realizado pela ciência e pela tecnologia, elas não têm contemplado este grupo de forma preservadora. Por exemplo, as leis prescrevem velocidades menores nas rodovias e ruas das cidades e a tecnologia joga no mercado carros cada vez mais potentes e velozes. Os meios de comunicação acenam a prioridade para um mundo virtual, inalcançável, e os adolescentes, vítimas do imaginário, buscam as alucinações da ilusão, perdendo a referência da realidade. Seriam estes óbitos por violência os resultados funestos dos rituais de passagem que a sociedade contemporânea tem dado como provas de iniciação aos adolescentes e jovens?

Sem limites etários definidos, sem adultos de referência, sem lugar, sem tempo, a adolescência de hoje anda, às soltas, construindo uma cultura marginal. Nos parques, nos shoppings, com as drogas, os skates, o dialeto próprio, a roupagem, os enfeites e a aparência típica, eles vivem à parte. Vistos como ameaças sociais são enfrentados pela força policial. Resistindo às pressões escolares, são punidos com avaliações tendenciosas e reprovações escolares. Ao final, para os sobreviventes bem nascidos e bem dotados, resta o vestibular que penaliza, humilha e adia a realização intelectual e pessoal. É a violência sutil fantasiada de boas intenções.

A gravidez na adolescência é a condição que resta para a menina se afirmar como mulher em uma sociedade que ainda faz discriminação de gênero. Note-se bem que esta discriminação de gênero está sendo apresentada, pelos meios de comunicação, na forma de ‘marketing’ alternativo do prazer. No tempo contemporâneo, a ordem é o controle da natalidade, não mais camuflado pelo planejamento familiar, e a adolescente, no gozo de pleno direito à fertilidade, paga hoje, pelo que jamais irá realizar amanhã.

Sem tempo e sem espaço, os adolescentes continuam nômades do imaginário, sem direito de serem iniciados na realidade. O presente não os comporta e o futuro parece que não conta com eles. Portanto, no trabalho com adolescentes e jovens, é importante a conscientização dos profissionais sobre a concreta realidade mundial, de forma que os discursos sejam transparentes, sempre com respaldo na lei, que assegura direitos e garante estatuto de cidadania. As ações de saúde constituem direitos sociais, assim como a educação, o trabalho, o lazer, a segurança e outros, na forma da Constituição.



E-mail: zenilcebruno@uol.com.br



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Deputado Estadual Artur Bruno

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