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PRINCIPAL * EDUCAÇÃO SEXUAL

 

FotoEducação sexual com  Zenilce Bruno

Zenilce Vieira Bruno é Pedagoga e Orientadora Educacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista, Especialista em Adolescência, Psicoterapeuta de Adolescente, Casal e Família, Especialista em Sexologia, Terapeuta Sexual e Educadora Sexual, Formação em Neurolinguística, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Professora do Curso de Especialização em Adolescência da UFC, Professora do Curso de Especialização em Psicologia da Adolescência da UNIFOR, Consultora, Colaboradora e Colunista dos Meios de Comunicação sobre Adolescência e Sexualidade Humana.

zenilcebruno@uol.com.br

Relacionamentos no século XXI

Postado em 17-01-2011

Individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto e não mais uma relação de dependência em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia, que nasceu com o romantismo, de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se moldar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficarem sozinhas e aprendendo a conviverem melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria: ele se alimenta da energia que vem do outro, seja financeira seja moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho. Ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.

Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Zenilce Vieira Bruno - Psicóloga, pedagoga e sexóloga
zenilcebruno@uol.com.br


Tristeza é coisa feia?

Postado em 20-12-2010


Mas a vida é o palco onde contracenamos alternando alegria e dor. Como a medalha de dupla face, esse é o real da vida, que é bela, apesar de inquietante.

Somos seres maravilhosos, mas também insuficientes. Insuficiência que incomoda, que angustia. Preferimos então viver a ilusão de que somos capazes, suficientes e quem sabe até onipotentes. Preferimos brincar de deuses. Contudo, a intolerância contemporânea à dor e a qualquer tipo de sofrimento distancia-nos cada vez mais de nossa verdade interna. Passamos a privilegiar felicidades irreais que nada preenchem.

Mas servirá a tristeza para algo de bom na experiência humana? Talvez devamos começar nos perguntando: o que sabe a pessoa que não sofreu? Será possível amadurecer sem acolher a cota de tristeza que certos momentos produzem? Será feio permitir-se viver esta tristeza da mesma forma que se vive a alegria?

Se formos honestos podemos reconhecer que é quando estamos recatados, quase tristes, que entramos em contato mais profundo conosco, com a grande emoção, e até com a poética. É o que se observa na expressão de grandes figuras da arte, da literatura, da filosofia: pessoas que fizeram de sua tristeza um lugar criativo e produtivo, e, com isso, deixaram um legado de indiscutível valor para a humanidade.

É desse lugar que fala Sponville em Bom dia, angústia: “a dor e a angústia fazem parte do real, da salvação, e são eternas e verdadeiras, tanto quanto o resto. A sabedoria está na aceitação do real, não em sua negação”.

Vivemos num momento cultural que repudia esse sentimento, que enseja a alegria fácil, que pensa a tristeza como coisa de gente mal sucedida, mal amada. A gente sabe o quanto se engana em relação a isso. Não precisamos temê-la, mas acolhê-la do mesmo modo que acolhemos outras dimensões do viver.

O que deve ser temida é a alegria fácil, enganosa, nada construtiva. Seria importante honrar a verdade existencial de cada momento, compreendendo que não é feio, mas maduro, confrontar-se com a tristeza e poder vivê-la. Somos seres sofrentes e gozantes. Ambas as dimensões procedem da mesma fonte: nossa sensibilidade. Podemos pensar que se “na natureza nada se perde, tudo se transforma”, também na experiência humana tudo pode servir ao crescimento pessoal.

Tenho uma grande amiga que diz que precisamos ter “uma reserva de felicidade”, quando vivenciarmos e sentirmos os momentos felizes devemos armazená-los em nossa mente como uma grande poupança, pois com certeza necessitaremos dela para amenizar a dor de uma tristeza.

Talvez durante nossa vida nos preocupemos pouco com isso e muitas vezes deixemos passar um grande investimento de alegria desses que vai fazer muita falta quando precisarmos de algo bom para lembrar e sentir. Por isso faço minhas as suas palavras e sugiro que no ano novo aproveitemos mais a vida, as pessoas e os momentos felizes nos seus menores e profundos detalhes, sem deixar escapar nada, principalmente a boa risada de quem um dia poderá não estar mais entre nós!



Zenilce Vieira Bruno - Psicóloga, pedagoga e sexóloga

zenilcebruno@uol.com.br



Saúde e Desenvolvimento da Juventude

Postado em 22-11-2010


A eleição já aconteceu e os eleitos tomarão posse no início de 2011. Empolgada com as promessas feitas, resolvi escrever pensando em colaborar e quem sabe esclarecer alguns devaneios, já que sou especialista em adolescência e Coordenei a Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde em Brasília no início do Governo do Presidente Lula. É imprescindível que antes de qualquer projeto elaborado, se conheça o que é e o que necessita o adolescente.

As políticas públicas que envolvem os adolescentes e jovens, têm tornado evidentes a ambigüidade e ambivalência com que a sociedade encara os limites etários de direitos e deveres desta parcela importante da população, provavelmente, porque só recentemente, tem sido elaborada uma reflexão mais profunda sobre as necessidades reais de atenção integral à saúde desse grupo populacional. O reconhecimento de uma etapa da vida, sem fronteiras etárias definidas, marcada pela transitoriedade, unindo à infância à idade adulta, sempre existiu em todas as sociedades e durante todas as épocas da história, mas somente nas últimas décadas, a adolescência tem sido reconhecida e incluída como objeto de atenção em programas sociais e de saúde.

No contexto contemporâneo, a adolescência e a juventude se impõem pelo seu contingente numérico significativo, pelas suas expressões peculiares e, muitas vezes dramáticas de conduta e pela sua influência considerável no mercado capitalista de consumo. Estes aspectos e outros, que vêm sendo pesquisados e desenvolvidos, têm permitido a sua inscrição no arcabouço teórico do desenvolvimento, e, inclusive, na criação de um novo olhar profissional, a Psicologia do Adolescente. Na cultura ocidental contemporânea, existe o consenso de que os primeiros indícios da maturação sexual, introduzidos pela puberdade, marcam concretamente, o início da adolescência.

Em perspectiva ampla, a adolescência engloba a evolução da sexualidade e suas vicissitudes até a maturidade, envolve o processo do desenvolvimento cognitivo até o florescimento das faculdades mentais; situa o indivíduo entre os limites da dependência infantil até a autonomia do adulto, construindo o alicerce por etapas, de uma identidade que vai se concretizando na juventude através de reformulações constantes de caráter social, sexual e de gênero, ideológico e vocacional, impostas por uma realidade cultural, carregada de prescrições e divergências de valores.

A literatura etnológica tem revelado que, em muitas culturas, existem ritos de iniciação com definição explícita de um estatuto que tem por fim converter o jovem em um adulto socializado e bem adaptado à sua sociedade. Estes ritos contêm uma simbologia de alcance social, pois, ao promover a integração dos jovens às regras sociais e políticas de sua cultura, asseguram o seu reconhecimento como cidadão por parte dos outros membros da sociedade. Estas observações contrastam com o que se tem observado na atual sociedade ocidental, em que a passagem à idade adulta não está institucionalizada. Os poucos ritos de passagem existentes implicam em aspectos parciais do indivíduo, prescrevendo que a transição entre a infância e a idade adulta se mantém em aberto.

Nas zonas urbanas, observam-se jovens marginalizados por escassez de atividades produtivas, por um aumento crescente do tempo da educação formal sem perspectiva de garantia de trabalho ao final de longa formação, o que denuncia a presença de conflitos entre valores morais introduzidos pela cultura e a falta de condições materiais básicas capazes de garantir a sua sustentação. Nas zonas rurais, além de toda a desigualdade de oportunidades que é revelada pelas precárias condições de sobrevivência de todas as idades, verifica-se que as crianças, mal alcançam a puberdade, já se somam à massa de miseráveis, vítimas de um sistema que perpetua a pobreza e a degradação humana, afetando, principalmente, as camadas menos privilegiadas.

Os adolescentes e os jovens de hoje continuam atravessando este tempo da vida como um período indeterminado de extensa duração. Mostram grandes dificuldades em conquistar o seu estatuto social e de exercer a sua cidadania, pois carregam o peso dos próprios conflitos e das instabilidades da sociedade contemporânea, que tem produzido, na forma de iatrogenia, uma assincronia acentuada entre as idades de maturidade biológica, psicológica e social. No contexto das contradições dos discursos e das ações do mundo contemporâneo, das hipertrofias deformadoras de aspectos fragmentados da sociedade, emergem os adolescentes e jovens, assumindo os aspectos mais negativos do mundo atual.

As estatísticas de mortalidade apontam que eles estão morrendo em progressão crescente por eventos violentos e, se muito tem sido realizado pela ciência e pela tecnologia, elas não têm contemplado este grupo de forma preservadora. Por exemplo, as leis prescrevem velocidades menores nas rodovias e ruas das cidades e a tecnologia joga no mercado carros cada vez mais potentes e velozes. Os meios de comunicação acenam a prioridade para um mundo virtual, inalcançável, e os adolescentes, vítimas do imaginário, buscam as alucinações da ilusão, perdendo a referência da realidade. Seriam estes óbitos por violência os resultados funestos dos rituais de passagem que a sociedade contemporânea tem dado como provas de iniciação aos adolescentes e jovens?

Sem limites etários definidos, sem adultos de referência, sem lugar, sem tempo, a adolescência de hoje anda, às soltas, construindo uma cultura marginal. Nos parques, nos shoppings, com as drogas, os skates, o dialeto próprio, a roupagem, os enfeites e a aparência típica, eles vivem à parte. Vistos como ameaças sociais são enfrentados pela força policial. Resistindo às pressões escolares, são punidos com avaliações tendenciosas e reprovações escolares. Ao final, para os sobreviventes bem nascidos e bem dotados, resta o vestibular que penaliza, humilha e adia a realização intelectual e pessoal. É a violência sutil fantasiada de boas intenções.

A gravidez na adolescência é a condição que resta para a menina se afirmar como mulher em uma sociedade que ainda faz discriminação de gênero. Note-se bem que esta discriminação de gênero está sendo apresentada, pelos meios de comunicação, na forma de ‘marketing’ alternativo do prazer. No tempo contemporâneo, a ordem é o controle da natalidade, não mais camuflado pelo planejamento familiar, e a adolescente, no gozo de pleno direito à fertilidade, paga hoje, pelo que jamais irá realizar amanhã.

Sem tempo e sem espaço, os adolescentes continuam nômades do imaginário, sem direito de serem iniciados na realidade. O presente não os comporta e o futuro parece que não conta com eles. Portanto, no trabalho com adolescentes e jovens, é importante a conscientização dos profissionais sobre a concreta realidade mundial, de forma que os discursos sejam transparentes, sempre com respaldo na lei, que assegura direitos e garante estatuto de cidadania. As ações de saúde constituem direitos sociais, assim como a educação, o trabalho, o lazer, a segurança e outros, na forma da Constituição.



E-mail: zenilcebruno@uol.com.br



(Des)dealizando

Postado em 19-10-2010


Quando fui convidada para ser articulista do jornal o povo, pensei sobre o que os leitores gostariam de ler aos domingos, e qual foi minha surpresa quando comecei a receber mensagens solicitando que eu escrevesse sobre relacionamentos, não sei se por minha titulação ou por carência do tema. Meus textos são na realidade, apenas provocações, onde cada um negocia como pode sua angustia e seu prazer.

Nossas relações com o outro, atravessam fases, estágios diversos. São etapas distintas que compõem a vivência em parceria. Há um tempo, primeiro de enamoramento, às vezes de paixão. Quando se deixam apaixonar, as pessoas tornam-se, reciprocamente, objeto-deus umas para as outras. Nessa condição, cada uma das partes é pura beleza, encanto, ternura e graça na relação. Tempo quase mágico, regido por uma ética da mais completa tolerância. Tempo, em que as falhas do outro passam despercebidas, são até graciosas. Na verdade, o ser apaixonado não vê, fica ofuscado pelo brilho que ele mesmo imprime à face do outro, a quem constituiu um pequeno deus. “A paixão corresponde à utopia humana de superar a insignificância do mundo, da vida e encontrar a felicidade”, diz Ana Valença.

Só que a paixão é um estado maravilhoso, mas provisório. Os apaixonados cometem seus equívocos: ora idealizam a parceria como lugar único de construção de felicidade, ora idealizam apenas o que é vivido como um amor extraordinário, e com isso perdem ocasiões significativas de pequenas vivências muito importantes. Na trajetória amorosa, queremos a felicidade do tamanho do nosso sonho, que é sempre maior que a realidade. Para além do tempo da paixão, há um outro, que é o tempo de amar o parceiro como ele é. Sem ilusões e sem esse fogo que queima e encandeia até os mais lúcidos mortais. A convivência mais prolongada nos empurra para o real da vida, da relação e do outro, nos levando a desmistificar esse deus que inventamos para satisfazer nossa ânsia de extraordinário.

Essa travessia que fazemos da mistificação ao real do outro, é quase sempre regida pela ética da intolerância. A intolerância é uma atitude que vai se transmutando e se disfarçando sob várias formas, até desembocar na rigidez e na violência. Assim o tique, o cacoete do outro, que antes era engraçado, até charmoso, começa parecer feio, torna-se irritante, às vezes insuportável. As excentricidades passam a ser patologizadas, ou seja, são consideradas doentias, perdem a graça, e passam a ser recriminadas. Esta é agora uma forma inconsciente de dizer que há um certo desencanto desse outro desmistificado, tornado tão real, tão revelado, tão pouco simbólico.

“O inferno são os outros”, dizia Sartre; “o inferno é ausência, a falta do outro” dizem as pessoas carentes de uma parceria e de uma relação afetivo-amorosa. Com quem ficamos? Talvez o fiel da balança não esteja no inferno da ausência, nem no paraíso da presença do outro em nossa vida. O inferno ou o paraíso, não serão produções do nosso modo de ser com os outros, não estarão, portanto, dentro de nós? Aguardamos sempre, que o outro seja maravilhoso para conosco, que ele nos compreenda e nos promova bem estar e felicidade.

Pouco nos damos conta, que somos nós que precisamos dele, e lhe atribuímos uma carga que ele não pode e não deve carregar: a de nos fazer feliz. A felicidade é uma construção pessoal e responsável, que cada um tem de assumir. O outro pode até estar inadequado à parceria que queremos, na construção de nossa felicidade, mas a responsabilidade de ser feliz é absolutamente pessoal. Fernando Pessoa é lúcido quanto a isso. “O paradoxo não é meu, sou eu”.



Zenilce Vieira Bruno

Psicóloga, Pedagoga e Sexóloga

zenilcebruno@uol.com.br



Aprendendo a Viver

Postado em 06-07-2010


Acompanho diariamente a angústia de algumas pessoas querendo a todo custo “rejuvenescer”, proliferando técnicas para se conseguir a façanha de produzir mocidade, de fazer brilhar a pele, mesmo que haja dor e baixa estima, despistando-a com uma “frivolidade alegre”, para dar-se conta da maquiagem de felicidade desejada pela plateia social, numa espécie de ditadura da juventude.



O rejuvenescimento não existe cientificamente, em termos médicos e farmacológicos. Porém, do ponto de vista psicológico, constatamos frequentemente como certos indivíduos remoçam, aparentando dez anos menos que sua idade cronológica, quando mudam hábitos e corrigem erros de uma vida inadequada à felicidade. A magia de um feliz acontecimento, uma atividade prazerosa, o cultivo de uma arte, a realização pessoal, um novo amor, e eis que nos surpreendemos com sua aparência totalmente remoçada. Não está nos potes, nos frascos, nas ampolas; não é a pílula, nem são gotas milagrosas, mas se reflete na postura, na voz, no brilho dos olhos, no sorriso, no dinamismo, na desenvoltura, no “élan” vital.



E o que é isso então? Isso se chama alegria de viver, amor à vida. Sabemos que desgosto envelhece e mata. Podemos crer que o gosto conserva a vitalidade e prolonga a vida. Dizendo não à velhice triste o rosto resplandece, cultivando o entusiasmo ao longo de toda a vida. Entusiasmo que é luz interior. A palavra entusiasmo no grego é formada pelos elementos en, que quer dizer dentro de, e theos, Deus. Sua formação tem o belo significado: Deus dentro.



Se podemos acelerar o envelhecimento, logicamente podemos retardá-lo. É a rampa onde uns deslizam suavemente, obedecendo ao ritmo natural do tempo, mantendo o aspecto vigoroso, sadio, disposto, onde transparece a alegria de viver, ao contrário de outros que se precipitam numa velhice precoce aparentando muitos anos mais que a idade real. Mas como retardar a velhice? Não há de ser negando-a, combatendo-a, revoltando-nos contra o inevitável, mas aceitando-a, desfrutando-a como uma das fases naturais da vida.



A convicção de que o prazer é incondicionalmente bom passa por uma apreciação positiva da vida. Para que o prazer seja sentido como um bem é preciso que o ser humano se interesse pelo simples fato de estar vivendo, um pouco como a criança que se interessa pelo brinquedo que acaba de ganhar e se diverte ao brincar com ele por prazer e não em vista do prazer. Em geral complicamos e aguardamos que um enorme prazer aconteça. Enquanto isso desperdiçamos a real oportunidade de vivê-lo, porque ele tem a arte de se esconder em coisas muito simples.



Para alguns, a maturidade é sinônima de chinelos, pijama, quietude, descanso, aposentadoria, ausência de objetivos, perda da alegria, do amor próprio e da confiança, sensação de inutilidade, desprestígio, do estar perdido no tempo e no espaço, de assexualidade e até mesmo da sensação de “morte em vida”. Por outro lado, felizmente, há quem diga que a “vida começa aos 40”. Tem se tornado evidente a existência de mais dinamismo, novos estímulos, participação social, cultural e política mais ampla e até uma construção diferente da vida e da relação com o tempo por parte das pessoas que estão na Terceira Idade. Precisamos estar conscientes de que o envelhecimento é um processo fisiológico, não uma enfermidade.



O desejo do amor não cessa no indivíduo por nenhum decreto jubilatório. Amor é desejo da alma que acompanha o corpo até o fim. Velhice não quer dizer renúncia ao amor. É, em verdade, a fase da vida em que mais amamos com desprendimento. É na idade avançada que se desenvolve a capacidade de amar, porque é a idade da cultura e do aperfeiçoamento moral. Sabemos de toda a importância que a sexualidade exerce sobre nossa vida e nosso relacionamento. Então procuremos descobrir em nós mesmos a sagrada chama do amor. Algumas vezes parecerá que acabou, mas não. Soprem as brasas, mesmo sob as cinzas, e as verão arder. O amor está em nós. Ele é a nossa própria alma.



O que se pode dizer do amor maduro? Primeiramente que ele só é maduro quando conquista dimensões especiais. Caso contrário, permanece infantil ou adolescente. Não é a idade que define a maturidade do amor. Ficamos maduros no amor quando o outro se torna tão especial para nós que lembramos dele como quem reza uma oração ou escreve um poema. Somos maduros no amor quando não cobramos nada, porque conquistamos a certeza interna de que é simplesmente bom estar com o outro.



Zenilce Vieira Bruno - sicóloga, pedagoga e sexóloga

zenilcebruno@uol.com.br



O apelo sexual na mídia

Postado em 07-06-2010


Compreender o que mais primitivamente incita o ser humano significa poder sobre ele, sobre suas emoções e ações, demandando responsabilidade e ética. As ações de marketing podem vir a serem condutores significativos da saúde e da educação sexual e em alguma medida certamente já o são. É notório que a grande maioria das pessoas é absolutamente incapaz de explicar os reais motivos pelos quais utiliza um determinado produto, demonstrando claramente terem sido manipuladas pela publicidade.

Inegavelmente, um significativo número de pessoas tem suas tendências consumistas insufladas, suas opiniões direcionadas e seu estilo de vida dirigido pela mídia. Um constante “bombardeio” atinge a todos insistentemente, sendo mais eficiente quanto mais vulneráveis forem as pessoas; em grau maior ou menor, entretanto, sem dúvida atinge a todos.

A infância e a adolescência são as fases da vida mais susceptíveis às mensagens recebidas, e é o jovem o mais facilmente levado a assumir posturas e posições de determinadas causas de interesse dos “comunicadores” ou de seus patrocinadores. A publicidade explícita convence que a pasta dental X é a melhor, que a maionese Y é mais saborosa ou que é absolutamente impossível uma pessoa normal ser feliz e sexualmente atraente se não usa o desodorante Z.

Perante uma sociedade na qual a estrutura familiar tem sofrido déficits, e na qual a mãe trabalha fora, já que apenas o pai não dá mais conta de prover a quantidade e a qualidade de ofertas de bens de consumo (que se tornam cada vez mais “necessários” na vida cotidiana), existe um crescente sentimento de solidão, abandono e vazio já no início da vida.

As crianças ou permanecem muito tempo expostas à televisão e à Internet ou são enviadas precocemente para escolas e creches para que essas, com sua equipe de professores e pedagogos, preencham esse vazio deixado pelos pais. As escolas por sua vez, mostram-se muitas vezes despreparadas para tais demandas sexuais e afetivas. Levando em conta toda a exploração sexual na mídia, nos perguntamos porque não usá-la a nosso favor, esclarecendo que esta sexualidade deve ser exercida com responsabilidade, evidenciando que este corpo tão almejado e sedutor nos levará a uma possível relação sexual e que a mesma pode nos trazer prazer, mas também desprazeres muitas vezes irremediáveis. Como se transa tanto na TV e as pessoas não contraem nenhuma doença e nem engravidam. Será a televisão assim tão mágica?

Mais recentemente, talvez sentindo aí um filão de audiência pouco explorado, os meios de comunicação têm se dedicado, com tanto afinco quanto ineficácia, à educação sexual. Embora muitas propostas tenham valor, e muitos dos profissionais sejam sérios e competentes, no aspecto geral o que se vê é uma lamentável paródia, onde as matérias sobre sexo são exploradas da maneira mais sensacionalista, visando muito mais o “ibope” do que os

resultados educativos.

Não sou uma especialista em técnicas de Comunicação Social, mas como psicóloga e sexóloga posso constatar que o apelo excessivo aos fatores emocionais que estão vinculadas ao prazer sexual é o mais potente reforçador do comportamento humano. Será que se tivéssemos propagandas tão competentes quanto as que vendem artigos de beleza, em que acreditássemos que usando camisinha seríamos tão belos e felizes quanto aqueles modelos e manequins das revistas e dos outdoors, não evitaríamos esta imensa quantidade de casos novos de gravidez, DST e aids a cada ano?

Não desejo reduzir os meios de comunicação a meros estimuladores do consumo ou de práticas sexuais. Pelo contrário, julgo terem importante papel na sociedade moderna, papel este que, infelizmente, não vem sendo cumprido a contento. Sabemos que a TV e os outros tipos de mídia se transformaram na principal fonte de informação sexual, mostrando um conteúdo cada vez mais sexualmente explícito. Aqui, como em quase tudo, fica patente que as coisas não são boas ou más em si, mas dependem, sim, do uso que delas se faz.

Acredito que a fronteira mais difícil seja mudar a concepção atual: a televisão, a Internet e já mencionando as novas gerações de telefonias celulares com mídia, como a “alma da casa” ou como cuidadores e babás substitutos. A devolução de crianças e adultos ao seu necessário convívio afetivo familiar é um imperativo para manejo de influências negativas, quer sejam conduzidas pela mídia quer por outros influenciadores externos.

Psicoterapia e Sexologia

Av. Dom Luis, 1200 Sala 1402 Aldeota

Fone: (85) 4011.2982 CEP: 60160-230

E-mail: zenilcebruno@uol.com.br

Fortaleza - Ceará



Saúde e Desenvolvimento da Juventude

Postado em 12-05-2010


O processo de democratização do Brasil é recente e se constitui em um desafio do exercício de cidadania, pela extensão geográfica do país, pelas radicais diferenças regionais na distribuição da renda e da qualidade de vida do povo, evidenciadas pelos indicadores globais de saúde.

A Constituição Brasileira, ao estabelecer o ‘Sistema Único de Saúde’, trouxe a possibilidade de se antever um sistema que assegurasse acesso universal e equânime às ações e aos serviços necessários para a promoção, proteção e recuperação da saúde. A Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA - Lei 8069 de 13 de julho de 1990 geraram um novo posicionamento do Estado, da Família e da Sociedade com relação à criança e ao adolescente, reconhecendo-os como sujeito de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, garantindo-lhes a proteção integral.

As políticas públicas, que envolvem os adolescentes e jovens, têm tornado evidentes a ambigüidade e ambivalência com que a sociedade encara os limites etários de direitos e deveres desta parcela importante da população, provavelmente, porque só, recentemente, tem sido elaborada uma reflexão mais profunda sobre as necessidades reais de atenção integral à saúde desse grupo populacional.

O reconhecimento de uma etapa da vida, sem fronteiras etárias definidas, marcada pela transitoriedade, sincreticamente unida à infância e à idade adulta, sempre existiu em todas as sociedades e durante todas as épocas da história, mas só, recentemente, a adolescência tem sido reconhecida e incluída como objeto de atenção em programas sociais e de saúde. Nos dias de hoje, com o crescente aumento da expectativa e da qualidade de vida das pessoas, que acompanha o controle dos processos mórbidos e a queda da mortalidade geral, vão emergindo a possibilidade de se redefinir em grandes linhas as fronteiras da vida e pode se demarcar, com mais nitidez, as estruturas demográficas.

No contexto contemporâneo, a adolescência e a juventude se impõem pelo seu contingente numérico significativo, pelas suas expressões peculiares e, muitas vezes, dramáticas de conduta e pela sua influência considerável no mercado capitalista de consumo. Estes aspectos e outros, que vêm sendo pesquisados e desenvolvidos, têm permitido a sua inscrição no arcabouço teórico do desenvolvimento, e, inclusive, na criação de um novo olhar profissional, a Psicologia do Adolescente.

Na cultura ocidental contemporânea, existe o consenso de que os primeiros indícios da maturação sexual, introduzidos pela puberdade, marcam concretamente, o início da adolescência. Em perspectiva ampla, a adolescência engloba a evolução da sexualidade e suas vicissitudes até a maturidade, envolve o processo do desenvolvimento cognitivo até o florescimento das faculdades mentais; situa o indivíduo entre os limites da dependência infantil até a autonomia do adulto, construindo o alicerce, por etapas, de uma identidade, que vai se concretizando na juventude através de reformulações constantes de caráter social, sexual e de gênero, ideológico e vocacional, impostas por uma realidade cultural, carregada de prescrições e divergências de valores.

A literatura etnológica tem revelado que, em muitas culturas, existem ritos de iniciação com definição explícita de um estatuto que tem por fim converter o jovem em um adulto socializado e bem adaptado à sua sociedade. Estes ritos contêm uma simbologia de alcance social, pois, ao promover a integração dos jovens às regras sociais e políticas de sua cultura, asseguram o seu reconhecimento como cidadão por parte dos outros membros da sociedade.

Estas observações contrastam com o que se tem observado na atual sociedade ocidental, em que a passagem à idade adulta não está institucionalizada. Os poucos ritos de passagem existentes implicam em aspectos parciais do indivíduo, prescrevendo que a transição entre a infância e a idade adulta se mantém em aberto.

Nas zonas urbanas, observam-se jovens marginalizados por escassez de atividades produtivas, por um aumento crescente do tempo da educação formal sem perspectiva de garantia de trabalho ao final de longa formação, o que denuncia a presença de conflitos entre valores morais introduzidos pela cultura e a falta de condições materiais básicas capazes de garantir a sua sustentação. Nas zonas rurais, além de toda a desigualdade de oportunidades que é revelada pelas precárias condições de sobrevivência de todas as idades, verifica-se que as crianças, mal alcançam a puberdade, já se somam à massa de miseráveis, vítimas de um sistema que perpetua a pobreza e a degradação humana, afetando, principalmente, as camadas menos privilegiadas.

Os adolescentes e os jovens de hoje continuam atravessando este tempo da vida como um período indeterminado de extensa duração. Mostram grandes dificuldades em conquistar o seu estatuto social e de exercer a sua cidadania, pois carregam o peso dos próprios conflitos e das instabilidades da sociedade contemporânea, que tem produzido, na forma de iatrogenia, uma assincronia acentuada entre as idades de maturidade biológica, psicológica e social.

No contexto das contradições dos discursos e das ações do mundo contemporâneo, das hipertrofias deformadoras de aspectos fragmentados da sociedade, emergem os adolescentes e jovens, assumindo os aspectos mais negativos do mundo atual.

As estatísticas de mortalidade apontam que eles estão morrendo em progressão crescente por eventos violentos e, se muito tem sido realizado pela ciência e pela tecnologia, elas não têm contemplado este grupo de forma preservadora. Por exemplo, as leis prescrevem velocidades menores nas rodovias e ruas das cidades e a tecnologia joga no mercado carros cada vez mais potentes e velozes. Os meios de comunicação acenam a prioridade para um mundo virtual, inalcançável, e os adolescentes, vítimas do imaginário, buscam as alucinações da ilusão, perdendo a referência da realidade.

Seriam estes óbitos por violência os resultados funestos dos rituais de passagem que a sociedade contemporânea tem dado como provas de iniciação aos adolescentes e jovens?

Sem limites etários definidos, sem adultos de referência, sem lugar, sem tempo, a adolescência de hoje anda, às soltas, construindo uma cultura marginal. Nos parques, nos shoppings, com as drogas, os skates, o dialeto próprio, a roupagem, os enfeites e a aparência típica, eles vivem à parte. Vistos como ameaças sociais são enfrentados pela força policial. Resistindo às pressões escolares, são punidos com avaliações tendenciosas e reprovações escolares. Ao final, para os sobreviventes bem nascidos e bem dotados, resta o vestibular que penaliza, humilha e adia a realização intelectual e pessoal. É a violência sutil fantasiada de boas intenções.

A gravidez na adolescência é a condição que resta para a menina se afirmar como mulher em uma sociedade que ainda faz discriminação de gênero. Note-se bem que esta discriminação de gênero está sendo apresentada, pelos meios de comunicação, na forma de ‘marketing’ alternativo do prazer. No tempo contemporâneo, a ordem é o controle da natalidade, não mais camuflado pelo planejamento familiar, e a adolescente, no gozo de pleno direito à fertilidade, paga, hoje, pelo que jamais irá realizar amanhã.

Sem tempo e sem espaço, os adolescentes de hoje continuam nômades do imaginário, sem direito de serem iniciados na realidade. O presente não os comporta e o futuro parece que não conta com eles. Portanto, no trabalho com adolescentes e jovens, é importante a conscientização dos profissionais sobre a concreta realidade mundial, de forma que os discursos sejam transparentes, sempre com respaldo na lei, que assegura direitos e garante estatuto de cidadania. As ações de saúde constituem direito sociais, assim como a educação, o trabalho, o lazer, a segurança e outros, na forma da Constituição.



Psicoterapia e Sexologia

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Deputado Estadual Artur Bruno

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