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Atualidades
21-03-2007
Itália

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República Italiana

A Itália ocupa a península Itálica, no sul da Europa, e algumas ilhas do mar Mediterrâneo. Na antiguidade, a região é o berço do Império Romano, responsável pela difusão da língua e da cultura latinas pelo mundo. Roma preserva importantes monumentos do período, como o Coliseu e o Panteão. Encravado na capital italiana está o Estado do Vaticano, sede da Igreja Católica - instituição com forte participação na vida nacional. Durante o Renascimento, o país torna-se centro de irradiação científica e cultural. As principais cidades italianas abrigam um patrimônio histórico e artístico de valor incalculável, o que atrai mais de 35 milhões de turistas atualmente. Uma das principais potências econômicas do mundo, a Itália apresenta grande disparidade interna: o norte bastante industrializado, enquanto o sul é agrícola e mais pobre. A marca de sua história política recente é a sua instabilidade: 60 gabinetes já se sucederam desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945.

Dados gerais

Geografia - Área: 301.302km2. Hora Local: +4h. Clima: mediterrâneo (S), temperado oceânico (N). Capital: Roma. Cidades: Roma (2.546.804), Milão (1.256.211), Nápoles (1.004.500), Turim (865.265), Palermo (686.722), Gênova (610.307). População: 58,1 milhões. Nacionalidade: italiana. Composição: italianos 97,7%, outros 2,3%. Idiomas: italiano (oficial), dialetos italianos, alemão, rético, francês, grego, albanês, sardo. Religião: cristianismo 82,1%, sem religião 13,2%, ateísmo 3,4%. Governo - República Parlamentarista. Divisão Administrativa: 20 regiões subdivididas em províncias. Presidente: Carlo Azeglio Ciampi. Primeiro Ministro: Sílvio Berlusconi. Legislativo: bicameral - senado com 325 membros. Câmara dos Deputados, com 630 membros. Constituição: 1948. Economia: Moeda: Euro. Força de Trabalho: 25,4 milhões.

Fragmentação

No século V, com as invasões bárbaras, a península se fragmenta em Estados independentes. Após dois séculos de poder dos reis lombardos (568/774), o franco Carlos Magno domina a península e é coroado Imperador romano pelo Papa, em 800. Nos séculos XII e XIII surgem poderosas Cidades-Estado, como Milão, Pisa, Gênova e Florença, que, com o Estado Pontifício, mantém a hegemonia sobre a península.

Renascimento

O século XIV eo XV são o apogeu do Renascimento Italiano, que marca as artes e a cultura em toda a Europa. Em 1494, o rei Francês Carlos VIII conquista a região, inciando o período de invasões que perdura até o século XIX. Partes da Itália caem em mãos de franceses, espanhóis e austríacos. Na Sicília, a ocupação estrangeira leva à formação, já na época feudal, da Máfia - organização criminosa baseada nos laços familiares, que, no século XIX, controlava a zona rural. O Congresso de Viena (1815) divide a península Itálica entre os Habsburgo austriácos (Veneza e Lombardia), a casa de Savóia (Lingúria), os Bourbon (Parma, Nápoles e Sicília) e o papado (Estados Pontifícios).

Unificação

Na primeira metade do século XIX tem início a unificação da Itália, com o Risorgimento (ressurgimento), movimento liberal e nacionalista. A primeira fase - marcada por revoltas e ações terroristas, conduzidas por sociedades secretas, como a dos Carbonários - tem como principal figura Giuseppe Mazzini e termina com a derrota dos republicanos, em 1848. Na segunda fase, a liderança é dividida entre os monarquistas do Piemonte, liderados por Camilo de Carvour, e as tropas do guerrilheiro italiano Giuseppe Garibaldi. Ajudados pela França, os piemonteses derrotam os austríacos no Norte e Garibaldi expulsa os Bourbon de Nápoles e da Sicília.

O novo Estado nasce em 1861, com a proclamação de Vittório Emanuéle II, rei da Sardenha e Piemonte, como soberano da Itália. A anexação de Veneza, em 1866, e dos Estados Pontifícios, em 1870, completa a unificação italiana. Em 1900. Com o assasinato do segundo rei italiano, Umberto I, por um anarquista, sobe ao trono Vittório Emanuéle III. O início do século XX é marcado pelo realinhamento externo do país, em 1915, durante a I Guerra Mundial a Itália abandona a Alemanha e a Áustria-Hungria e passa para o lado da França e do Reino Unido.

Fascismo

Com o fim do conflito, o país é sacudido por agitações sociais - a esquerda revolucionária lidera ocupações de fábricas no Norte. A crise econômica leva ao crescimento do fascismo, movimento de massas nacionalista e autoritário. Em 1992, depois de uma marcha de milícias fascistas em Roma, liderada por Benito Mussolini, o rei o convoca para chefiar o governo.

II Guerra Mundial

Mussolini declara guerra à França e ao Reino Unido, em 1940. As derrotas militares dos italianos na Grécia e na África enfraquecem sua posição na II Guerra Mundial e culminam com o desembarque dos aliados - França, Reino Unido e Estados Unidos - na Sicília, em 1943. No mesmo ano, Mussolini é deposto e o governo é entregue ao marechal Badoglio, que firma a paz com aliados e declarra guerra a Alemanha. Hitler invade o Norte da Itália em apoio a Mussolini, que forma a efêmera República do Salo. Os alemães são expulsos em 1945 por tropas aliadas auxiliadas por guerrilheiros italianos. Mussolini é preso e executado.

República

Em maio de 1946, o rei Vittório Emanuéle III abdica em favor do filho, Umberto II. Três semanas depois, um plebiscito decide pela implantação da República, e a Família Real é obrigada a deixar o país. Beneficiada pelo Plano Marshall, a Itália experimenta um período de crescimento econômico nas décadas de 1950 e 1960. A Nação participa da fundação da Comunidade Econômica Européia (CEE). A decisão da democracia Cristã (DC) de manter-se no poder e excluir comunistas, que formam o segundo partido político italiano - provoca instabilidade permanente. Na década de 1970, a recessão e a crise financeira minam o Estado. Em 1976, o líder democrata-cristão Giulio Andreotti forma um governo minoritário em coalizão com vários pequenos partidos, incluindo o socialista.

Operação Mãos Limpas

Acusações de tráfico de influência da Loja Maçônica P-2, de Lício Gelli, e a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, ligado ao vaticano, derrubam os governos em 1981 e 1982. Em 1983, Bettino Graxi torna-se o primeiro socialista a formar um governo na Itália. O Partido Comunista Italiano (PCI) renuncia ao marxismo, em 1991, e muda o nome para Partido Democrata de Esquerda (PDS). Os movimentos de direita que defendem a independência do Norte industrializado formam a Liga Norte (LN) e ganham força nas eleições regionais. A partir de 1992, a Itália mergulha na Operação Mãos Limpas, um enorme esforço da Justiça, iniciado pelo Promotor Antonio Di Pietro, para combater a corrupção. Os magistrados descobrem tráfico de influência e corrupção em todos os níveis da vida nacional. Líderes políticos, ex-chefes de governo, como Giullio Andreotti e Bettino Graxi, e empresários poderosos vão parar no banco do réus. O resultado é a implosão do sistema político do pós-guerra.

Governo Berlusconi

Em março de 1994, o magnata da imprensa Sílvio Berlusconi vence as eleições e lidera um governo de coalizão que reúne seu partido, Força Itália (FI), a xenófoba LN e os neofascistas da Aliança Nacional (AN). Em outubro, cerca de três milhões de pessoas protestam contra o projeto de orçamento de Berlusconi, que prevê cortes nos gastos sociais.

Ex-comunistas no poder

A coligação de centro-esquerda A Oliveira, liderada pelo economista Romano Prodi vence as eleições parlamentares de 1996. Para governar, ele se junta a ex-comunistas. Em 1998, o PDS muda seu nome para Democratas de Esquerda (DS), na tentativa de aglutinar várias facções de esquerda. As divergências sobre o orçamento levam à renúncia de Prodi, em outubro de 1998. Nova coalizão de centro esquerda elege como primeiro-ministro Massimo D’Alema, primeiro ex-comunista a ocupar o cargo. A Itália é um dos países que adotam o Euro, a moeda da União Européia (UE), em janeiro de 1999. Em abril, o frágil equilíbrio do gabinete de D’Alema se desfaz e ele renuncia. O socialista Giuliano Amato assume o posto, em nova coalizão de centro-esquerda.

Fatos Recentes

A coalizão de esquerda Casa da Liberdade - liderada pela Força Itália (FI) de Sílvio Berlusconi, que inclui a LN e a AN - obtém ampla vitória nas eleições parlamentares de 2001. Berlusconi volta à chefia do governo, dando prioridade à drástica redução de impostos e ao severo controle da imigração. Homem mais rico da Itália, ele responde a processos por irregularidades na construção de seu império no setor de comunicações. Em 2002, milhões se manifestam contra a reforma trabalhista, que pretende facilitar as demissões. Semanas depois, o Parlamento aprova a rígida Lei de Imigração, denominada Bossi-Fini, que restringe a possibilidade de entrada de imigrantes e prevê a rápida expulsão de ilegais.

Berlusconi processado

A aprovação de leis como as que permitem a réus em casos de corrupção transferir o processo para outra cidade, se considerarem os juízes tendenciosos, beneficia Berlusconi, que enfrenta várias ações judiciais. Porém, em 2003, o pedido de Berlusconi para que seu processo por corrupção num tribunal de Milão seja transferido é rejeitado pela Suprema Corte e, em abril, começa o julgamento. Ele é acusado de ter subornado um juiz, em 1985, por ocasião da compra de empresa estatal de alimentos. Em junho, o julgamento é suspenso, em virtude da aprovação de projeto de lei que dá imunidade legal aos titulares dos cinco mais altos postos de governo. Em dezembro, explode o escândalo financeiro que envolve a multinacional Parmalat. O presidente da empresa, Calisto Tanzi é preso, acusado de uma fraude com valor acima de 5 bilhões de Euros. Em dezembro de 2004, Berlusconi é absolvido pela Suprema Corte da acusação de suborno.

Novo governo

A derrota do governo nas eleições regionais de abril de 2005 leva Berlusconi a renunciar no mesmo mês. Mas, a pedido do presidente Ciampi, ele permanece no cargo interinamente e , dois dias depois, é convocado a formar novo gabinete, que recebe o voto de confiança do parlamento ainda em abril.

A economia Italiana

Semelhante ao Brasil, a Itália apresenta um grave problema quanto à organização do espaço geográfico: a desigualdade regional. Entre as potências européias é a nação onde se manifesta mais intensamente esse problema. Considerando o dinamismo da paisagem e o nível sócio-econômico das pessoas, existem claramente três Itálias. A primeira, bem próxima da Suiça e da França, compreende as regiões da Suiça e da França, compreende as regiões da Lomabardia, cuja capital é a imponente Milão, e Piemonte, área polarizada por Turim. Possui elevado grau de industrialização, no mesmo patamar dos países mais ricos da União Européia. Pelo Porto de Gênova, a região se conecta com outros mercados, seja exportando produtos industrializados, seja importanto matérias-primas.

Assim, Milão Turim-Gênova se constituem no trio dinâmico da economia italiana. Comparando com o Brasil, Milão seria a nossa São Paulo, a grande metrólope nacional. Turim, a cabeça de uma região industrial, seria Campinas; e Gênova seria Santos, o porto que serve às duas. Em Turim, por exemplo, como o próprio nome indica, está localizado o maior grupo econômico da Itália, a Fábrica Italiana de Automóveis Turim (Fiat), que também controla empresas menores, como a Ferrari e a Alfa-Romeo, essas duas especializadas na produção de automóveis para as classes sociais mais abastadas. Além disso, o grupo atua também na indústria aeronáutica e no setor financeiro. Hoje, a Itália é a sexta economia do mundo e mais de 60% da sua atividade industrial se concentra no Norte do país. Na indústria alimentícia, especialmente no setor de laticínios, destaca-se a multinacional Parmalat, grupo que também possui algumas unidades de produção no Brasil.

Um pouco de História

A Itália é uma península que penetra no Mar Mediterrâneo, entre duas outras: a península Balcânica e a Ibérica. Tem ao leste o Mar Adriático, a oeste o Tirreno e ao sul o Jônico. O relevo é simples. No Norte os Alpes descem em direção à Planície do Rio Pó; os Apeninos percorrem o corpo central da península até a Sicília, no sul, separando as regiões litorâneas: do Tirreno, com as planícies do Lácio e da Campânia, e do Adriático, onde se destaca a Planície da Apúlia. O solo fértil permitiu à população, sempre crescente, produzir alimentos necessários a sua sobrevivência. A falta de bons portos causou certo isolamento na região.

O Povoamento da Itália primitiva

Os primitivos habitantes da Itália eram povos autóctones,da prórpia região mediterrânea. Ao norte, os lígures; ao sul, os sículos. Pelo segundo milênio a.C, chegaram os arianos, vindos da Europa central. Foram chamados italiotas e dividiam-se em várias tribos: latinos, sabinos, équos, volscos, samnitas e outros. No sul, a partir do século VIII a.C fixaram-se os gregos, dotados de notável desenvolvimento econômico e cultural; ao norte, instalaram-se os etruscos, povos de origem provavelmente asiática. Os povos mais importantes eram os etruscos, distribuidos em 12 cidades unidas numa confederação. Seus domínios estendiam-se do Lácio e da Campânia em direção ao norte. Desenvolviam atividade comercial intensa, fazendo concorrência aos gregos e aos habitantes de Massília, atual cidade francesa de Marselha, na desembocadura do rio Ródano. Conseguiram tal hegemonia aliados aos fenícios de Cartago. Grande parte de seus conhecimentos seria mais tarde assimilada pelos romanos. Infelizmente, as reduzidas informações sobre o alfabeto dos etruscos impedem um conhecimento mais amplo de sua história.

As origens de Roma

Envolvem-se em lendas as origens de Roma. Na Eneida, o poeta Virgílio diz que os romanos descendem de Enéas, herói de Tróia que escapou quando os gregos destruíram a cidade, por volta de 1.400 a.C. Sob proteção de Vênus e guiado por Júpiter, chegou à Itália e fundou Lavínio. Seu filho Ascânio fundou Alba Longa e os descendentes Rômulo e Remo fundaram Roma em 753 a.C. Rômulo e Remo seriam filhos gêmeos da princesa albana Rea Sílvia e do deus Marte. Os dois foram atirados ao Rio Tibre por ordem de Amúlio, usurpador do trono de Alba Longa, pertencente a Númitor, avô dos gêmeos. Amamentados por uma loba e criados por camponeses, os irmãos voltaram a Alba Longa, destronaram Amúlio e repuseram Númitor no lugar. Então, receberam a missão de fundar Roma. Historicamente, podemos deduzir que Roma nasceu de um forte erguido pelos habitantes do Lácio (latinos e sabinos), para impedir as incursões etruscas. No local havia sete colinas. Os latinos fixaram-se nos montes Palatino, Esquilino e Célio; os sabinos, no Quirinal e no Viminal. Mas os próprios etruscos, ao ocupar o Lácio e a Campânia no século VII a.C, deram a Roma sua estrutura final. Então, ela se estendia sobre os montes Capitolino e Aventino também.

Época do Reis

Segundo a tradição, Roma teria sido governada por sete Reis: Rômulo (fundador da cidade e seu primeiro Rei), Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio (todos lendários), Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo (este últimos, etrusco, tem existência comprovada historicamente). No período da realeza (753-509 a.C), a economia romana transformou-se: a agricultura de cereais, praticada nas terras drenadas pelos etruscos, e utilizando-se de novas técnicas, superou a criação de gado. Os etruscos promoveram o saneamento das terras baixas do Tibre, antes uma região pantanosa, através de um sistema de drenagem. Nesse local, surgiram novos agrupamentos humanos, que foram incluídos na cidade, como aconteceu com o Capitólio, onde foi construído o Templo de Júpiter.

Pouco a pouco, Roma transforma-se em uma verdadeira urbs (cidade). O comércio e o artesanato desenvolveram-se com a vinda e a fixação de numerosos comerciantes e artesãos etruscos. Ao mesmo tempo em que corriam essas modificações econômicas, a organização social também sofria mudanças importantes, dividindo-se em classes sociais. A gens, aos poucos, foi se desintegrando em famílias restritas, e algumas famílias se apropriaram dos melhores lotes de terra. Os membros da família chamavam-se patrícios, cujo nome deriva de pater (pai), o todo-poderoso chefe da família, com direito, inclusive, de vida e morte sobre os membros do grupo familiar. A maioria da população não possuia organização gentílica passou a constituir a plebe, isto é, homens livres, porém, sem direitos políticos.

Os plebeus eram geralmente camponeses ou artesãos; os mais ricos eram comerciantes. Havia ainda uma camada intermediária - os clientes - formada por elementos da plebe, geralmente estrangeiros, que se colocavam sob a dependência de uma família patrícia para obter proteção jurídica em troca de prestação de serviços. Assim, na Roma etrusca, apenas os patrícios possuiam direitos políticos. Os plebeus não participavam das decisões políticas, sendo-lhes proibido servir ao exército, possuir religião gentílica, casar com elementos das famílias patrícias e usar as terras comuns (pastos).

A República dos Patrícios

A República romana estendeu-se de 509 a.C, quando foi destronado o último Rei etrusco de Roma, em 31 a.C, ano da ascensão de Otávio ao poder único, inaugurando o Principado. Até o século III a.C, quando da expansão romana pelo Mediterrâneo Ocidental, a República possui um caráter essencialmente aristocrático: os patrícios mantinham em suas mãos a direção dos negócios do Estado. Como vimos, apenas os patrícios - a aristocracia de nascimento - formada pelos grandes proprietários de terras e escravos - possuiam direitos políticos.

Na prática, significava que apenas eles poderiam ser eleitos para cargos públicos. Na República, o poder executivo, que antes pertencia ao Rei, passou a ser exercido por dois Cônsules - supremos magistrados, eleitos anualmente pela Assembléia por Centúrias, com atribuições administrativas e, sobretudo militares. Cada Cônsul possuia poder de veto sobre as decisões do outro, as quais teriam que ser tomadas em comum acordo: assim, os patrícios tentavam evitar o poder pessoal em Roma. Em caso de grave crise interna ou externa, podia ser escolhido o Ditador, com poderes absolutos pelo prazo de seis meses, para por fim à ameaça à ordem republicana. O Senado tornou-se o principal órgão da República. Seus membros eram vitalícios e descendiam dos antigos chefes de gens. Terminado o seu mandato atual, os Cônsules podiam ingressar no Senado. Seus poderes eram muito amplos: preparavam as leis e decidiam todas as questões importantes da política interna e externa do Estado.

A Assembléia por Cúrias foi perdendo a importância inicial, permanecendo apenas com funções religiosas. Suas atribuições transferiram-se para a Assembléia por Centúrias, em cada Centúria (em geral, fileira de cem soldados) possuía um voto. Os plebeus também participavam dessa Assembléia, mas como em primeiro lugar votavam as Centúrias Patrícias, essas, praticamente detinham a hegemonia das reuniões. A Assembléia por Centúrias elegia os Cônsules e votava as leis. As atribuições religiosas cabiam ao Colégio de Pontífices, chefiado pelo Pontífice Máximo, que interpretava os costumes e a tradição,e aplicava a lei costumeira, pois até meados do século V a.C não havia leis escritas. Além disso, fixava os dias fastos e nefastos, isto é, aqueles em que se podia ou não fazer petições jurídicas. Assim, a justiça era monopolizada pelos patrícios em seu benefício.

O exercício dessas magistraturas era privilégio do patriciado, assim como o de todos os demais cargos públicos criados ao longo dos primeiros séculos da República. Em Roma, formou-se um complexo aparelho de estado. Além das magistraturas, havia os Pretores, que cuidavam da aplicação da Justiça; os Questores, que administravam as finanças públicas; os Censores, que além de promoverem o censo dos cidadãos, também cuidavam da moralidade pública e preparavam a lista de Senadores; e os Edis Curis, encarregados do abastecimento e policiamento da cidade e dos jogos públicos. Á medida que se intensificavam as lutas sociais em Roma, com os plebeus lutando pela obtenção de direitos políticos, civis, jurídicos e religiosos, o patriciado foi sendo obrigado a fazer inúmeras concessões, que beneficiaram, sobretudo, as camadas ricas da plebe. As conquistas da plebe foram arrancadas dos patrícios, que pretendiam, a todo custo, monopolizar o governo da República.

Comerciantes, artesãos, camponeses

Os séculos iniciais da República foram um período de acirradas lutas de classes. Vimos que, a princípio, a plebe possuía apenas alguns direitos civis, como, por exemplo, possuir bens móveis. No entanto, o casamento entre plebeus não era reconhecido por lei, nem podiam ter culto doméstico, não gozando, assim, da proteção das leis. A opressão dos patrícios fazia-se indistintamente sobre setores ricos (os comerciantes) e os mais pobres (artesãos, camponeses) da plebe. Porém, o maior peso da opressão recaía sobre estes últimos. A terra comum, ou terra pública (ager publicus), que pertencia ao estado romano, era arrendada, em lotes, aos pequenos agricultores (arrendatários, pois pagavam uma renda pelo uso da terra). Entretanto, à medida que Roma ampliava os seu território às custas dos povos vizinhos, os patrícios foram se apropriando, a título privado, da maior e melhor parte das terra públicas, o que contribuiu para aumentar o número de camponeses sem terras.

Além disso, muitos pequenos proprietários viram-se ameaçados pela escravidão por dívidas, que reduzia os devedores insolventes, junto com suas famílias, à condição de escravos. Desde muito cedo, os plebeus lutaram pela igualdade de direitos com os patrícios. Em cerca de 494 a.C, segundo a tradição, os plebeus retiraram-se de Roma, dirigindo-se para o Monte Sagrado, onde, ao que parece, pretendiam fundar uma nova cidade. Os patrícios, interessados na conquista do Lácio,não podiam dispensar a participação dos plebeus como soldados no exército romano. Dessa maneira, tiveram que ceder às pretensões dos plebeus, vindo então a ser criado o Tribunato da Plebe (493 a.C). Esse Tribunato, originalmente em número de dois, mas depois chegando a dez - embora de origem aristocrática, eram representantes dos plebeus: defendiam as suas reivindicações e lutavam pelos seus direitos, procurando impedir que fossem aprovadas leis contrárias aos interesses da plebe. O Tribuno da Plebe era considerado maldito (sacer) e, portanto, intocável.

A criação do Tribunato da Plebe e do Concilium Plebis (471 a.C) representou uma importante conquista na luta dos plebeus contra a aristocracia patrícia. Mais tarde, pela Lei Hortência (286 a.C), as decisões do Concilium Plebis ganharam força de Lei. O Concílium Plebis converteu-se numa Assembléia de caráter popular - Assembléia por Tribos (Comitia Tributa).

Expansionismo Romano A pequena expansão

A partir do século V a.C, Roma iniciou uma política externa alternadamente defensiva e ofensiva. Ao fim de dois séculos, toda a Península Itálica estava em poder de Roma. Esta política expansionista tinha como objetivos a conquista de novos territórios e obtenção de mão-de-obra escrava. Atendia, portanto, aos interesses das camadas escravistas - dos grandes proprietários de terras e escravos. Devido ao baixo nível de desenvolvimento das forças produtivas na época, a expansão da agricultura fazia-se basicamente a partir dos dois fatores de produção: a terra e a mão-de-obra.

Assim, para se desenvolver, a agricultura extensiva, praticada pela aristocracia, necessitava, cada vez mais, de maior quantidade de terras e de trabalhadores (escravos). Paralelamente, impulsionado pela expansão escravista, verificou-se um surto de comércio, que enriqueceu os grandes comerciantes e usuários (emprestadores de dinheiro a juros) - a parte rica da plebe. Os plebeus pobres, sobretudo os pequenos agricultores, que constituíam a massa da infantaria pesada - a parte mais importante do exército romano - foram recrutados para as guerras, abandonando os campos cultivados, o que, mais tarde, trouxe sérias repercussões à economia romana. Durante o século V a.C, a política externa romana tornou-se agressiva.

O enfraquecimento da Etrúria, devido à perda do Lácio, às incursões gregas e às invasões gaulesas, e o declínio das cidades gregas do Sul da Itália (Magna Grécia), que, além de divididas por antagonismos internos, ainda passarm a sofrer a concorrência comercial dos cartagineses, criaram uma conjuntura favorável à expansão de Roma na Itália. Uma série de longas campanhas militares, sobretudo contra os samnitas (centro-sul), etruscos e úmbrios (norte), hérnicos (leste) e contra Pirro, rei do Épiro - que, interessado em formar um império grego ocidental, acorrera em auxílio das cidades da Magna Grécia, possibilitou aos romanos o controle de toda a península, com exceção do Vale do Pó. De um lado, as vitórias romanas eram devidas ao exército bem organizado e armado que Roma possuía, contando não só com cidadãos romanos, mas também com soldados das regiões submetidas, além de aperfeiçoadas armas de combate, como catapultas, aríetes, torres móveis etc; de outro, a debilidade geral de toda a Itália, excluíndo-se, é claro, a urbs romana.

Nas regiões conquistadas e anexadas, uma parte das terras era convertida em terra pública, isto é, terra do Estado. Parte das terras públicas era transformada em terra de uso comum (pastos) de todos os cidadãos romanos, e parte era arrendada (alugada), em pequenos lotes a agricultores romanos. Entretanto, a maior parcela do ager publicus caía em poder da aristocracia escravista. A concentração, cada vez maior, de terras nas mãos da aristocracia romana tornou-se outro fator importante para a deflagração da Crise Agrária do século II a.C. Assim, através de um exército bem estruturado e de uma hábil política diplomática, com a implantação de uma vasta rede de estradas, urbanização e construções públicas, além de um sistema monetário bimetálico (prata e bronze) unificado, o domínio político e militar romano pôde se consolidar. No final do século III a.C, toda a Itália peninsular reconhece a hegemonia romana.

A grande expansão

No momento em que se deu a unificação da Itália pelos romanos, duas grandes potências dominavam o Mediterrâneo: no Ocidente, Cartago (império marítimo); no Oriente, a Macedônia (império continental). As rivalidades entre Roma e Cartago (antiga colônia fenícia do Norte da África) culmiraram nas chamadas Guerras Púnicas, através das quais Roma se converteu em potência marítima e tomou aos cartagineses o controle das rotas marítimas do Mediterrâneo Ocidental. As Guerras Púnicas (o nome deriva de puni, que era como os gregos chamavam aos cartagineses) foram provocadas pelos interesses dos grandes proprietários de terras nas férteis regiões cerealíferas da Sicília (trigo), mais uma vez objeto de disputas entre Estados da Antiguidade, e terras da Espanha (ricas em minérios, principalmente prata), ambas pertencentes ao Império Marítimo de Cartago.

Também devem ser levados em conta os interesses dos comerciantes (Os Cavaleiros, ou Classe Eqüestre) em expandir o seu raio de ação no Mediterrâneo Ocidental. Cartago, por sua vez, estava interessada em expandir-se pelo Mediterrâneo, a partir da conquista da metade da Ilha da Sicília, que estava em poder dos gregos, e a oligarquia comercial cartaginesa desejava ampliar as correntes de troca no Mediterrâneo e desalojar, definitivamente, os comerciantes gregos. O pretexto para o início da primeira Guerra Púnica (264-241 a.C) foi a ameaça de invasão à cidade grega de Messina, na Ilha da Sicília, por Hieron, Tirano de Siracusa. Os romanos intervieram, desalojando os cartagineses que também haviam acorrido a Messina. A luta durou 23 anos.

A vitória final de Roma, tomando progressivamente as cidades gregas, inclusive as que estavam sob o domínio cartaginês, deu-lhe a posse da Sicília, da Córsega e da Sardenha, além de obrigar Cartago a pagar pesada indenização de guerra. A Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C) teve como objeto a Espanha e como palco a Itália e a África, Durante os 23 anos que transcorreram entre a primeira e a segunda guerras, a oligarquia comercial cartaginesa decidiu compensar suas perdas com novas conquistas. O general cartaginês Amílcar Barca foi substituído, após sua morte, pelo filho, Aníbal, que se tornou um dos mais célebres chefes militares da antiguidade. Conquistada a Espanha, os cartagineses prepararam-se para a guerra contra Roma, decisiva para resolver o ínicio da Segunda Guerra Púnica foi a tomada de Sagunto, cidade da costa oriental da Espanha, aliada de Roma declarou-lhe guerra.

Os exércitos cartagineses atravessaram os Pirineus e penetraram na Itália pelo Norte, vencendo os romanos nas batalhas de Ticino, de Trébia, do lago Trasímeno e de Canas (216 a.C). Chegaram, inclusive, a promover um longo cerco a Roma; porém, devido às rivalidades internas de Cartago (disputas entre a aristocracia proprietária de terras e a oligarquia comercial), falharam os reforços com que Aníbal contava para tomar a cidade. No decorrer da guerra, o comando dos exércitos romanos foi confiado ao general Cipião, cognominado o Africano. Após assegurarem a sua supremacia na Espanha e na Itália, os romanos transferiram a ofensiva para o Norte da África, onde, na batalha de Zama (202 a.C), as forças comandadas por Cipião, o Africano, derrotaram os exércitos de Aníbal. As condições de paz impostas por Roma foram rigorosas: Cartago teve de entregar a Espanha, os navios de guerra, e pagar pesada indenização, além de se comprometer a não fazer a guerra a qualquer aliado romano. Com a vitória sobre Cartago, Roma tornou-se a maior potência do Mediterrâneo Ocidental: as campanhas na Sicília, na Espanha, na Itália aumentaram sua experiência militar: possuia agora uma bem equipada frota de guerra.

A primeira grande questão, colocada pela unificação da Itália, estava resolvida: Roma possuía domínio marítimo do Mediterrâneo Ocidental. Passou, a intervir nos grandes Estados helenísticos do Mediterrâneo: Macedônia, Grécia, Síria e Egito. Esses Estados, envolvidos em permanente conflito, não puderam fazer frente à ofensiva romana. Nesse ínterim, Roma tornara-se um foco de atividade comercial. Os grandes comerciantes romanos, temerosos do soerguimento de Cartago, que lhes ameaçava o controle comercial do Mediterrâneo, empreenderam a Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C), que terminou com a vitória romana e a destruição de Cartago, a qual arrassada totalmente, teve o seu solo considerado maldito. Cartago foi convertida em província romana da África.

Consequências da expansão romana

Como decorrência das conquistas romanas no Mediterrâneo, estendeu-se amplamente o território sob o domínio de Roma. Nas regiões submetidas, instalavam-se administradores romanos - os Propeptores e os Procônsules. Esses cargos eram disputadíssimos, pois os governadores provinciais tinham geralmente amplos poderes (militar, civil e judiciário), além de lhes caber a atribuição de providenciar o envio do dinheiro exigido pelo Estado romano. Aproveitando-se dessas atribuições, os governadores romanos espoliavam as províncias submetidas ao seu arbítrio e enriqueciam ilicitamente. Roma cobrava às suas províncias pesados tributos.

A arrecadação dos impostos era delegada, por arrendamento, a coletores particulares (Publicanos). Estes percorriam as províncias, cobrando dos seus habitantes impostos escorchantes para Roma, onerando a economia local. De comum acordo com os governadores, espoliavam as províncias, fazim todo tipo de especulação, emprestavam dinheiro a juros extorsivos e promoviam desenfreada corrupção. Produziram-se grandes transformações na economia agrícola da Itália. A apropriação das terras públicas pelos elementos aristocráticos, acompanhada pela expulsão em massa dos pequenos proprietários das suas terras, deu ensejo à formação dos latifúndios, grandes propriedades territoriais, na maioria das vezes improdutiva, exploradas com mão-de-obra escrava, que, nessa época (século III a.C), chegou à Itália em grande quantidade.

Situação dos Escravos

Como resultado da expansão romana na Itália e no Mediterrâneo, estendeu-se amplamente a escravidão. Entre as fontes fornecedoras de escravos, a mais importante, sem dúvida, foi a guerra. Os prisioneiros de guerra eram convertidos em escravos e obrigados a trabalhar nos campos, oficinas artesanais, minas e serviços domésticos. Outros meios de obtenção de trabalhadores escravos foram a escravidão por dívidas e a pirataria. Os escravos constituíam uma mercadoria com qualquer outra: eram vendidos nos mercados, proporcionando enormes lucros aos traficantes romanos. Em Roma havia escravos públicos e particulares. Os escravos públicos pertenciam ao Estado e eram utilizados nos trabalhos das grandes construções, em obras de urbanização, nos serviços domérsticos dos templos, nas minas e pedreiras. Os escravos particulares dividiram-se em urbanos e rurais. Os escravos urbanos desempenhavam as mais variadas atividades domésticas, inclusive de preceptores (professores) dos filhos das famílias aristocráticas.

Grande número de escravos também era utilizado nas oficinas artesanais. A princípio, o artesanato romano foi muito beneficiado com emprego de mão-de-obra escrava, pois muitos deles possuíam habilidades e qualificação profissional, como os ourives e joalheiros, trazendo suas técnicas para Roma. Mais tarde, o trabalho escravo contribuiu para o aviltamento dos preços e dos salários dos trabalhadores livres. Os escravos rurais trabalhavam nos campos, desvinculados da cidade. Com o desenvolvimento da escravidão, a agricultura na Itália tomou novos aspectos: os escravos cultivavam árvores frutíferas, legumes, e, principalmente, vinha e oliveira, que tinham grande importância comercial, pois o vinho e o azeite constituíam os principais produtos de exportação. O escravo também era preferido ao trabalhador livre nas práticas pecuárias, e a criação de gado, para a produção de carne, couro e lã, possuía considerável importância econômica, sobretudo no sul da Itália.

Em Roma havia muitos libertos, isto é, escravos que haviam se emancipado. A concessão da liberdade a um escravo era, geralmente, a recompensa por seus serviços. Porém, muitas vezes, os libertos tornavam-se empregados dos seus antigos donos - sem receber qualquer remuneração, em troca apenas de roupa e alimentação. A escravidão teve grande importância na evolução da economia e da sociedade romanas. O sistema escravista constituiu a base na qual assentaram a agricultura de mercado e o artesanato urbano; e o tráfico de escravos foi um importante setor do comércio romano.

A crise agrária e as tentativas de reforma

No século II a.C, os pequenos proprietários e os camponeses pobres atravessaram um período muito difícil. A concorrência do trigo provincial, o crescimento dos latifúndios e o emprego em larga escala do trabalho escravo arruinaram a classe dos pequenos proprietários de terras. Alguns representantes da aristocracia compreenderam que os movimentos camponeses e as sublevações de escravos punham em perigo a própria sobrevivência do Estado Romano. Entre os reformadores romanos, influenciados pela idéias democráticas dos gregos, sobressaíam os irmãos Tibério e Caio Graco. Embora pertecessem a uma gens plebéia, há muito sua família se destacara na vida pública, sendo considerada uma das famílias que constituíam a aristocracia romana.

Eleito Tribuno da Plebe em 133 a.C, Tibério Graco propôs à Assembléia o que projeto de reforma agrária: não permitia que nenhum cidadão ocupasse mais de 500 jeiras de terras públicas; se o concessionário da terra tivesse dois filhos, esse total poderia ser duplicado. As terras assim liberadas deviam ser repartidas em lotes e distribuídas aos cidadãos pobres, mediante arrendamento, ou seja, o pagamento de uma taxa especial ao Estado. Essas terras podiam ser deixadas em herança pelo possuidor, porém, não podiam ser vendidas. O objetivo de Tibério era reabilitar o pequeno proprietário rural, base do recrutamento militar e, assim, fortificar o Estado romano. Caio Graco foi continuador da obra de Tibério, elegendo-se Tribuno da Plebe em 123 a.C apoiado pelos reformadores radicais.

Contando com o apoio da plebe urbana e rural, e dos Cavaleiros, Caio graco apresentou várias leis, visando instalar em Roma uma democracia tipo ateniense. Foram transferidas as decisões importantes do âmbito do Senado para a Assembléia Popular. No interesse dos camponeses sem terras foram fundadas várias colônias agrícolas; as condições do serviço militar, tanto para os cidadãos quanto para os aliados foram modificadas. Também teve importância histórica a aprovação da Lei Frumetária, mediante a qual o Estado era obrigado a vender trigo à população urbana por preço inferior ao mercado. Após a morte de Graco, formou-se em Roma o partido democrático, cujos membros se denominaram populares.

As guerras civis

No período imediatamente posterior à morte de Caio Graco, o Senado romano reiniciou a política de guerras externas, com o objetivo não só de ampliar os territórios romanos na Gália e no norte da África - atendendo aos interesses dos grandes proprietários , que constituíam a classe dominante, como também de desviar a atenção do povo dos problemas internos da República. Roma conquistou a Gália Narbonense e derrotou os exércitos de Jugurta, Rei da Numídia, no Norte da África; levou ainda a guerra à Macedônia e à Espanha. Mário, pertencente à classe eqüestre e chefe do partido popular, devido ao prestígio adquirido nas guerras foi eleito Cônsul, sucessivamente, de 107 a 100 a.C. Nesse período, foi realizada um reforma militar, transformando o exército romano em um exército profissional: o tempo de serviço militar foi estendido para 16 anos, os soldados passaram a receber um soldo, além da promessa de recompensas em terras fora da Itália, e o recrutamento militar foi ampliado a todos os cidadãos, mesmo aos que não possuíam terras.

Por iniciativa de Mário e de Apuleio, outro líder popular, foi proposta uma lei agrária, que, entretanto, não foi aplicada, em virtude de forte oposição por parte dos grandes proprietários e dos conflitos que provocou entre o Senado e o Partido Popular. Nesse período, ocorreu a rebelião dos povos itálicos, aliados (soci) de Roma, que reivindicavam a cidadania romana e, mais tarde, a destruição da supremacia romana. A guerra italiana ou social arrastou-se por mais de três anos, os adversários estavam bem preparados. A luta entre os dois foi extraordinariamente feroz e custou muitas vidas.

A luta só finalizou quando os antagonistas reconheceram sua inutilidade. Os italianos acabaram compreendendo que não eram adversários para Roma. Ainda não havia sido completamente sufocada a rebelião na Itália, quando uma nova força levantou-se contra Roma, no Oriente: Mitrídates, Rei do Ponto, estendera limites de seus domínios do Mar Negro à Ásia Menor e preparava-se para atacar os exércitos romanos. O exército romano liderado por Sila retornou vitorioso contra Mitrídates. Partidários de Mário rebelaram-se contra Sila e houve violentos choques. Sila sufocou o levante e foi proclamado “Ditador para a Revisão da Constituição. A ditadura militar anulou o poder dos Tribunos da Plebe. Com o fim da Ditadura de Sila (78 a.C), ocorreram em Roma novos conflitos entre grupos políticos que disputavam o governo da República, como a Conspiração de Catilina, acusado de pretender dar um golpe de Estado e denunciado pelo orador Cícero.

O Primeiro Triunvirato e a Ditadura de César

O Primeiro triunvirato foi um acordo particular entre políticos para conquistar o poder. César conseguiu eleger-se Cônsul e tomou para si, por um prazo de cinco anos, os governos das Gálias Cisalpina e Transalpina. Seu objetivo era angariar prestígio popular, liderar o exército devotado e conquistar novas províncias no Ocidente para contrapor às novas províncias conquistadas pelas legiões de Pompeu no Oriente. Os seus Comentários descrevem as guerras de que participou contra a população da Gália, da Germânia e da Bretanha. O resultado final foi o poder pessoal de César, garantido por legiões vitoriosas: o Senado acabou conferindo-lhe o título do Ditador Vitalício (46 a.C).

O Segundo Triunvirato e o fim da República

O enorme crescimento do Estado romano, com a anexação de novas províncias, aumentou cada vez mais a importância das legiões interessadas em terras e dinheiro. Todos os setores políticos em Roma - tanto os aristocráticos como os populares - buscavam o indispensável apoio militar. Após a morte de César, seus partidários, liderados pelo Cônsul Marco Antonio e pelo chefe da Cavalaria, Lépido, impediram que que o poder passasse às mãos do Senado, como pretendiam os conspiradores. Os líderes fizeram acordo com Otávio, filho adotivo de César, pelo qual receberiam poderes ilimitados da Assembléia Popular, dividiram entre si as províncias ocidentais, o governo da Itália, sendo que o Oriente não estava incluído no acordo.

Formava-se, assim o Segundo Triunvirato (42 a.C) Otávio com o Ocidente e Lépido com a África; a Itália continuaria a ser governada pelos Triúnviros conjuntamente. Logo afloraram as rivalidades entre os Triúnviros pela conquista da supremacia política. Lépido foi destituído do seu poder e do comando de suas legiões pelo Senado, sob pressão de Otávio, que se tornou senhor absoluto do Ocidente. Marco Antonio, por sua vez, rompeu publicamente com Otávio, assenhorando-se do Oriente, onde a aliança com Cleópatra, governante do Egito, lhe assegurou base econômica e militar.

Instauração do Principado e o Governo de Augusto

Com a ascensão de Otávio ao poder, o regime revestiu a forma monárquica de governar, mantendo as aparências republicanas: instaurou-se o Principado, que se estendeu de 30 até 235 a.C, correspondendo à primeira fase do Império Romano. Otávio pertencia à Classe Eqüestre, embora tivesse sido adotado pela gens patrícia de César - a gens Júlia. O momento em que assumiu o poder correspondeu ao auge da crise republicana: o esmagamento do movimento popular e as crises no seio das classes dominantes - aristocracia senatorial (Optimates) e Cavaleiros (Eqüestres) - deixaram um vazio político, caracterizado pela ausência de uma hegemonia nítida de qualquer classe, abrindo caminho ao poder pessoal. Otávio, durante sua administração enfeixou em suas mãos imensos poderes, tendo recebido os títulos de Princeps (Primeiro Cidadão), Pai da Pátria e Augusto (sagrado).

Segundo alguns autores, uma das falhas do governo de Otávio Augusto (sagrado) foi o de não ter definido para o Império Romano uma linha de sucessão ao trono. Para a continuidade política, Augusto adotou Tibério, integrante de sua família, visando a permanência no poder da dinastia Juliana.

Do Principado ao Dominato

Após a morte de Augusto, sucederam-se imperadores pertencentes à sua família ( a gens Júlia e a gens Cláudia): Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. O governo so imperadores ligados à família estendeu-se desde a morte deste (14 a.C) até a morte de Nero (68 a.C). Esses governos foram marcados pelas intrigas e conspirações palacianas, pelas rivalidades entre os membros das famílias dos governantes, pela consolidação do poder do Princeps em detrimento do Senado e pela atmosfera de corrupção e terror que cercava o poder central. Os reinados das dinastias Júlio-Cláudia e Flávia foram de grande desenvolvimento artístico e intelectual. Na arquitetura, podemos citar as Termas, construídas na época de Nero, os arcos dos triunfos com suas decorações em baixo-relevo e o Coliseu. A Literatura de que a Itália era o maior centro de produção, projetou, entre outros, Sêneca (preceptor de Nero), poeta e pensador; Tácito (historiador), autor de Anais; Petrônio, cronista dos costumes da época; Marcial, poeta; e Díon Crisóstomo, filósofo.

Os Antonino: a “Idade de Ouro” do Império Romano

Com a morte de Domiciano, o Senado e os exércitos proclamaram como Imperador Nerva, que pertencia à aristocracia senatorial. Este governante iniciou uma nova dinastia - a dos Antonino - cujos Imperadores, com exceção de Marco Aurélio, seguiram a tradição sucessória da escolha do melhor, baseada na concepção estóica do governo. Para o estoicismo, o governante devia ser um homem moralmente superior, que trabalharia para o bem de todos, acima dos interesses pessoais. Os Imperadores Antonino governaram de 96 a.C até 192 a.C.

Nerva adotou Trajano, pertencente à aristocracia provincial (Espanha). No plano interno, o governo de Trajano dedicou atenção ao desenvolvimento da agricultura. Nessa época, já podemos notar e tendência de as grandes propriedades, exploradas com mão-de-obra escrava, se transformarem em “villae” auto-suficientes, isto é, que se bastavam a si mesmas. Trajano foi substituído por Adriano, também originário da Espanha, em cujo governo foi reunida e revisada toda a legislação romana, unificada no Egito Perpétuo. Antonio Pio, sucessor de Adriano, teve origem na Gália; externamente, o governo manteve uma política defensiva; internamente, medidas diversas foram tomadas para solucionar a crise por que passava o Estado.

Antonio Pio adotou como sucessor Marco Aurélio, também de origem gaulesa. No governo de Marco Aurélio, a situação do Império Romano começou a agravar-se tanto interna como externamente. Roma foi assolada por uma epidemia de peste; as finanças públicas encontravam-se em um estado caótico, e teve início o processo de empobrecimento das camadas médias (proprietários de oficinas artesanais e pequenos comerciantes), devido à ineslasticidade do mercado interno (baixo poder aquisitivo da população) e ao peso da tributação do Estado. Marco Aurélio destacou-se, sobretudo, pelas suas atividades de pensador estóico, daí ser chamado de “Imperador Filósofo”.

O reinado de Cômodo, filho e sucessor de Marco Aurélio, marcou o fim da dinastia dos Antonino e a intensificação do processo de crise econômica e política do Império Romano. Derrubado o Imperador, os exércitos romanos se envolveram em uma acirrada luta pelo poder, da qual saiu vitorioso Sétimo Severo, que inaugurou uma nova dinastia.

O século III: a crise do escravismo

O Império Romano no século III foi afetado pela crise geral do escravismo, iniciada nos reinados dos últimos Antonino. A prosperidade do Império Romano baseava-se na agricultura e na pecuária. No século III, houve um retrocesso na técnica agrícola, sobretudo na Itália. O crescimento das grandes propriedades foi acompanhado pelo desenvolvimento da agricultura de subsistência. Como as províncias já produziam vinha e oliveira suficientes para atender às próprias necessidades, os grandes proprietários, nada tendo a oferecer em troca do cereal importado, voltaram-se para o cultivo do trigo para o consumo interno. Ao mesmo tempo, com a interrupção da expansão, a mão-de-obra escrava tornou-se extremamente cara, enquanto que o trabalho livre barateou, devido à própria concorrência da escravidão que o desvalorizava. Assim, os grandes proprietários começaram a arrendar parcelas de terras a agricultores livres (colonos), que pagavam a renda da terra com uma parte da produção, em sua maioria, estavam presos ao solo que cultivavam: era o sistema do colonato, implantado, em primeiro lugar, nas propriedades dos Imperadores e logo adotado nas províncias do Oriente e do Ocidente.

A época dos Severo

Com a ascensão ao poder de Sétimo Severo, comandante das legiões do Danúbio, teve início uma nova dinastia: a dos Severo, de origem síria, que reinou de 193 até 235. Sétimo Severo subiu ao poder em meio a grave crise interna, no momento em que o assassinato de Cômodo, último governante da dinastia dos Antonino, desencadeou, mais uma vez, as rivalidades políticas entre o Senado, a Guarda Pretoriana e as legiões romanas, cada qual pretendendo impor os seus respectivos candidatos. Em cerca de pouco mais de 40 anos, durante os reinados de Sétimo Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo e Alexandre Severo - desapareceu o que ainda restava das instituições do Principado.

A Anarquia Militar e o fim do Principado

De 235 a 268, a Roma atravessou o período da chamada Anarquia Militar, em que os Imperadores se sucederam em curtos intervalos de tempo, segundo as importações das legiões. A crise político-institucional correspondeu à crise econômica e social que abalou as bases do Império escravista. Em meados do século III, o caos monetário antigiu o auge: as moedas praticamente perderam o valor. Os salários e os preços elevaram-se, como decorrência da desordem econômica. A situação das classes populares - pequenos proprietários, arrendatários, artesãos - e dos escravos fez-se cada vez pior. No fim do século III, os Imperadores procuraram através de um reforço do despotismo dar ao regime a estabilidade que faltava. A idéia nasceu sob a influência das monarquias orientais e mais particularmente da Monarquia Sassânida, segundo a qual só a monarquia absoluta poderia slvar o Império e prevenir novas crises e o retorno sempre ameaçador da anarquia militar.

A evolução do Império sob o Dominato A tetrarquia e a divisão do poder imperial

O Dominato era uma Monarquia Despótica e Militar, de tipo helenístico, ou seja, o poder do governante tinha uma fundamentação religiosa. O nome da instituição derivou de Dominus (Senhor), que foi como passaram a se intitular os Imperadores a partir de Diocleciano.A sistematização desse regime político, cujas bases foram lançadas pelo Imperador Ilírio, foi realizada ao longo dos governos de Diocleciano e de seu sucessor, Constantino, através das reformas então empreendidas. Essas reformas visavam adaptar a superestrutura jurídico-política e ideológica do Império às novas características econômicas, esboçadas desde os fins do século II e reforçadas no decorrer do século III.

Com essa forma de governo, a camada dirigente esperava disciplinar os exércitos, obstruindo-lhes a capacidade de influir na escolha de Imperadores e , pela descentralização do ônus da administração e da defesa, combater melhor novos invasores “bárbaros” que na escolha dos Imperadores e, sobretudo, a partir do século IV a “barbarização” do Império tornou-se cada vez maior e mais profunda. No reinado de Diocleciano, o Império Romano sofreu uma reorganização administrativa: foi subdividido em cerca de 100 províncias, constituindo cerca de 12 circunscrições maiores, as Dioceses, e quatro prefeituras. Essa divisão abrangeu todo o território do Império, inclusive Roma e a Itália. A reforma militar aumentou o efetivo dos exércitos, recrutados em considerável parte entre os bárbaros. Embora o serviço militar fosse obrigatório a todos os cidadãos romanos, os que não queriam cumpri-lo obrigavam-se ao pagamento de um imposto especial em ouro.

Cresceu a importância dos exércitos sediados próximos às capitais, sob controle direto dos governantes, composto por mercenários, quase todos germanos. A defesa da fronteira foi entregue a tribos bárbaras, ligadas a Roma por tratado. Nas legiões das províncias, onde o serviço militar se tornara hereditário, o comando militar coube ao Dux (Duque), completamente independente em relação ao poder civil. Como expressão ideológica do regime do despotismo Militar, o Imperador tomou o título de Dominus ac dei (Senhor e Deus), à imagem e semelhança dos Déspotas orientais, notadamente do Egito e da Pérsia Sassânida. A figura do Imperador passou a ser objeto de honras divinas.

O reconhecimento do Cristianismo e a fundação de Constantinopla

Decorrido o prazo de 20 anos, conforme fora estabelecido, os dois Augustos abdicaram, sendo substituídos pelos dois Césares. Entretanto, com a morte de Constâncio, seus exércitos proclamaram Imperador a seu filho, Constantino, que reinou entre os anos de 306 a 337, grande parte dos quais consumidos na luta contra os concorrentes ao trono. Sob certos aspectos, o governo de Constantino é um prolongamento das reformas do século III. Nele ressaltaram duas medidas originais: o reconhecimento oficial do Cristianismo e a fundação de uma nova capital no Oriente - Constantinopla.

O Cristianismo teve início na Paestina, como uma pequena seita judaica, cujos membros viam em Jesus Cristo, nascido sob o governo de Otávio Augusto, o Messias do Antigo Testamento. A nova religião ganhou, ao longo dos séculos, um caráter universal; seu igualitarismo e promessa de salvação após a morte deram, de início, um novo sentido à vida das massas populares urbanas, para logo depois estender-se aos campos e às classes de proprietários. A nova diretriz da política romana, no tocante ao Cristianismo convinha aos interesses do Estado: além de a Nova Igreja constituir-se num obstáculo cada vez maior à centralização religiosa, a nova religião poderia funcionar como um freio ao movimento popular e dos escravos e ampliar a base social do Império.

A crise do mundo Romano

Durantes os séculos IV e V, o processo de declínio do Ocidente Romano, já visível no século III, acelerou-se progressivamente. Na verdade, a crise do Império Romano traduzia a crise mais geral do escravismo e o colapso do Mundo Antigo. Os contrastes entre a parte ocidental e a parte oriental do Império se acentuaram. A Itália e as províncias ocidentais pareciam haver voltado à Idade do Ferro grega ou à Idade do Bronze oriental. A economia reagiu no sentido de auto-su

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Deputado Estadual Artur Bruno

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