>>


Receba as notícias do mandato por e-mail Cadastro
Cadastro
Ver como é o informativo

E-mail obrigatório.
Digite seu e-mail.


Sair da lista




PRINCIPAL * CURSOS * Ásia
Imprimir Enviar para um amigo Indicar erro


Atualidades
08-09-2009
Rússia

A+   A -


“Somos todos estudantes e nosso professor é a vida e o tempo.” Mikhail Gorbachev


I. FEDERAÇÃO RUSSA

a) Aspectos Geográficos


A Rússia, Federação Russa ou ainda Federação da Rússia é uma nação transcontinental cujo território ocupa uma vasta área da Ásia e da Europa, com uma superfície de 17.075.400 Km², possuindo mais da oitava parte das terras firmes do planeta. Se estende por todo o norte da Ásia e por cerca de 40% da Europa (principalmente Europa Oriental, sendo um país transcontinental. Atravessa 11 zonas horárias mostrando uma grande variedade de paisagens e relevos. O país tem as maiores reservas de recursos minerais e energéticos do mundo apesar de não exportar, e é considerada a maior superpotência energética. Possui as maiores reservas de recursos florestais e a quarta parte de água doce não congelada do mundo. A Rússia é, junto com a China, o país que mais se limita com outros países (14 no total) e que tem fronteiras mais extensas. Cerca de 37.000 km de costa delimitam a Rússia dos oceanos Ártico e Pacífico e também do mar Negro e do Cáspio, sem esquecer a zona dos Bálcãs. Os oceanos representam uma importante fonte de riqueza para o país: o petróleo e o peixe são produtos obtidos naquelas zonas.

Faz parte ainda do território russo, além da porção metropolitana continental, o enclave de Kaliningrado, na zona do mar Báltico, e uma série de ilhas e arquipélagos árticos, entre os quais os mais importantes são a Terra de Francisco José, as ilhas da Nova Zemlia, a ilha de Kolguev, o arquipélago da Terra do Norte, as ilhas da Nova Sibéria e a ilha de Wrangel. Inclui também várias ilhas e arquipélagos no Extremo Oriente, em particular a ilha Sacalina, as ilhas Curilas e as Ilhas Comandante.

O relevo é variado: dominam planícies e vales em 3/4 do território. As planícies do Leste-Europeu e da Oeste-Siberiana, divididas pelos montes Urais, são as maiores do planeta. O ponto mais elevado é o monte Elbrus, com uma altitude de 5.633 metros, que é também o ponto mais alto da Europa.

Apesar da grande área que a Rússia possui, apenas 18% do território é coberto de água. Contam-se 120.000 rios, dos quais se destacam o Volga, o Don, o Obi, o Ienissei, o Lena, o Dniepre e o Neva. Os lagos apresentam-se de formas irregulares e estão, normalmente, no meio de um curso de um rio. O território russo compreende o lago Ladoga, que é o maior da Europa, o lago Baikal, o lago Onega, entre outros. A Rússia possui a maior bacia hidrográfica da Ásia, denominada de Bacia do Obi com 2.975.000 m².

A Rússia domina quase metade da Europa e um terço da Ásia. Este fator faz com a Rússia possua vários climas diferentes. A temperatura média anual é de 5,5°C. A região mais a norte do país, chamada Sibéria, é a mais fria de todo o país. Registram-se temperaturas no inverno da ordem dos 40°C aos 50°C negativos, às vezes chegando aos 60°C negativos ou até menos. A Sul, o clima é mais quente, havendo campos e estepes onde as temperaturas chegam aos 8°C negativos. O Verão na Rússia também é variável de região a região registrando-se temperaturas médias de 25 °C. Em certos casos extremos, já houve dias em que se registrassem temperaturas superiores a 45 °C. O frio proveniente da Sibéria alastra-se não só por toda a Rússia como por quase toda a totalidade da Europa e grande parte da Ásia. A Rússia é atravessada por quatro climas, ártico, subártico, temperado e subtropical. A ordem das estações pode ser classificada assim: Inverno longo e nevoso - Primavera temperada - Verão curto e quente - Outono chuvoso e varia muito ao longo do território russo.

Na zona central da Rússia encontram-se as florestas mais claras, mistas, dominadas por bétulas, álamos, carvalhos. As florestas das zonas centrais estão divididas por estepes. A maior parte de estepes é lavrada e semeada por trigo, centeio, milho, girassol, etc.

b) Aspectos Demográficos

Esta república semipresidencialista, formada por 83 subdivisões, é o nono país por população com seus 141,8 milhões de habitantes, mas possui uma baixa densidade populacional. As cidades russas são em média maiores do que as do resto da Europa. Apesar de tudo, a média populacional não se desvia muito das médias europeias. Moscou é a maior e a mais importante cidade do país pois é lá que está sediada o centro político e econômico.

As sucessivas conquistas de Ivan I, O Terrivel, fizeram da Rússia um dos países com maior diversidade racial e étnica de mundo. A etnicidade da população russa apresentava-se da seguinte maneira: Russos - 79,8%, Tártaros - 3,8%, Ucranianos - 2,0%, Bashkir - 1,2%, Chechenos - 0,9%. Existem muitas outras etnias como lituanos, romenos, bielorrussos.

Segundo a Constituição da Federação da Rússia, a língua oficial do país é o russo moderno, porém cada república tem o direito de desenvolver a sua própria língua como o caso da Sibéria em que a língua daquela região é o siberiano. O russo é obrigatoriamente usado para os diálogos entre Moscou e as demais regiões de país. O idioma russo é o mais falado da Eurásia e é o mais comum dos idiomas eslavos devido ao período da URSS em que era obrigatório o ensino do russo nas repúblicas sob o seu domínio. Além da Rússia, a língua é também uma das oficiais na Bielorrússia e no Cazaquistão. Além do russo, outras 31 línguas possuem estatuto co-oficial nas respectivas regiões onde são faladas. O russo é escrito num alfabeto não-latino. O alfabeto russo moderno é uma variante do alfabeto cirílico que fora introduzido no principado de Kiev na época da sua conversão ao cristianismo (988), ou, se certos achados arqueológicos estiverem corretos, uma data ligeiramente anterior.

A Federação da Rússia permite a multiconfissão religiosa, daí haver uma grande variedade de religiões. Hoje em dia, com cerca de cinco mil associações religiosas, têm como predominante a Igreja Ortodoxa Russa (54,1%). Os fiéis ortodoxos fazem parte da tradição cristã chamada Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, mais conhecida como Igreja Ortodoxa e os seus fiéis Ortodoxos. Em segundo lugar vem o Islão (7,6%), com cerca de 8 mil mesquitas em toda federação. Por fim, vêm outras religiões com menor representação como a Cristã católica, os luteranos etc. Depois da queda da URSS, muitas igrejas foram devolvidas aos ortodoxos, incluindo o Mosteiro de São Daniel, no qual está atualmente a sede do patriarcado da Igreja Ortodoxa Russa.

A Rússia é considerada como um dos países com maior número de graduados nas ciências, possui mais graduados do que qualquer outro país da Europa. A Rússia possui um dos níveis de analfabetismo mais baixos do mundo - apenas 0,6%. Ou, em termos de literacia, 99,4% da população sabe ler e escrever. Isto deve-se ao sistema educacional criado durante a era da URSS (era em que praticamente 100% da população sabia ler e escrever). Hoje em dia, a Rússia possui 618 institutos superiores de educação pertencentes ao Estado - todos eles com referências do governo. Ainda existem outros 619 institutos privados, dos quais metade têm também referência do governo russo.

Em termos culturais (educação, literatura, teatro, cinema, etc.), a Rússia ultrapassa muitos países graças à grande quantidade de escritores, dramaturgos, cineastas, pintores entre outros. Sendo a Rússia o maior país do mundo, é de notar a grande variedade de obras literárias, peças teatrais, monumentos, peças musicais, etc. Destacam-se grandes compositores, escritores, dramaturgos, músicos entre outras personalidades ligadas à cultura.

c) Aspectos Políticos

A Rússia é uma Democracia Federal, baseada num sistema de Estado de Direito sob a forma de República. Os três poderes do Estado, Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes uns dos outros. As decisões políticas são tomadas na Assembleia Federal Russa que é constituída por duas câmaras - a Duma e o Conselho Federal. A Duma é o parlamento russo, com 450 deputados; qualquer cidadão com nacionalidade russa nativa ou adquirida e com mais de 21 anos pode ser eleito deputado desse parlamento. Todas as leis a serem aplicadas em toda a federação têm de ter aprovação com maioria absoluta na Duma.

O presidente é a cabeça do estado, protetor da constituição, dos direitos e das liberdades dos cidadãos e tem de acionar qualquer medida para proteger a integridade da soberania russa. É ele que representa a Rússia nos encontros diplomáticos. Tem também a função de escolher o primeiro-ministro desde que tenha consenso com a Duma. O presidente é eleito através do voto livre, popular, direto, universal e secreto para um mandato de 4 anos podendo-o repetir mais uma única vez. Qualquer cidadão russo pode ser candidato a presidente desde que tenha mais de 35 anos e 10 de permanência no território russo.

O atual presidente da Rússia é Dmitri Medvedev, no cargo desde Maio de 2008, sucedendo a Vladimir Putin (Primeiro ministro desde 2008), que dois dias depois da tomada de posse de Medvedev passou a chefiar o governo do país.

A Rússia possui muitas relações com países e organizações mundiais de modo a aumentar a cooperação comercial, militar, etc. Porém, estas relações não têm vindo a ser muito pacíficas. A relação União Europeia - Rússia é afetada por diversos fatores como a energia a ser distribuída a partir da Rússia (gás natural) e a questão da independência do Kosovo. As cimeiras UE-Rússia têm vindo a ter poucos resultados dado o desentendimento entre o país e bloco econômico. A Rússia não integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), sendo apenas uma parceira dessa organização. Não integra também a Organização Mundial do Comércio (OMC), embora se esteja a negociar a entrada do país nesta organização. Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia desempenha um papel crucial na resolução de problemas no mundo atual.

Quanto à divisão administrativa, na Rússia vigora o sistema estatal de uma República Federal onde existem dentro desse país várias divisões autônomas. Atualmente, a Federação é dividida em 83 partes das quais: 46 são oblasts – regiões, 21 são repúblicas e são independentes, 9 são krais – territórios, 4 são óblasts autônomos; Duas são cidades federais que são Moscou e São Petersburgo. Cada distrito autônomo faz parte de um território ou de uma província. As outras divisões são praticamente autônomas.

d) Aspectos Econômicos

A economia russa é uma das maiores do mundo com uma evolução muito significante do seu PIB (hoje de US$ 987 bilhões). O seu vasto território permite uma grande diversidade e a alta profissionalização populacional ajuda na produção de químicos, máquinas de precisão, etc. A agricultura produz frutas, cevada, leite, açúcar e legumes. A indústria, resultado do tempo soviético, apresenta uma grande diversidade entre campos minérios, poços de petróleo, condutas de gás, materiais para a indústria militar, equipamentos para as comunicações terrestre, aéreas e marítimas. A Rússia exporta essencialmente petróleo, gás natural através de oleodutos (possui uma das maiores reservas mundiais de petróleo e a maior reserva de gás natural) e madeira, além de outros produtos mais radioativos. Estes produtos constituem 80% das exportações.

e) Aspectos Históricos

1. A Antiga Rússia


Antes do século I, as terras vastas do Sul da Rússia pertenciam a tribos que não eram unidas entre si, como os Proto-Indo-Europeus e os Citas. Entre os séculos III e VI, as estepes foram esmagadas por ondas sucessivas de invasões de bárbaros e povos nômades, conduzidas por tribos bélicas como os hunos, entre outros.

Entre os séculos X e XI, o principado de Kiev (a partir do qual se formaram grande parte dos países eslavos atuais) era o maior da Europa e um dos mais prósperos, devido ao comércio diversificado tanto com a Europa como com a Ásia.

Durante o século XI e XII, a incursão constante de tribos turcas nômades, como os cumanos e os pechenegues, levou à migração maciça das populações eslavas do Sul às regiões pesadamente arborizadas do norte, conhecidas como Zalesye.

Por volta do século XIII os cazares governaram o Sul da Rússia. Foram aliados importantes do Império Bizantino e originaram uma série de guerras sangrentas contra os califados árabes. Nessa era, o termo Rhos ou Rus passaram a ser aplicados aos eslavos que dominavam a região.

Os estados medievais da República de Novgorod e Vladimir-Súzdal emergiram como sucessores do antigo e grande principado de Kiev naqueles territórios, enquanto que metade do rio Volga veio a ser dominada pelo estado muçulmano do Volga, a Bulgária.

Em muitas outras partes da Eurásia os territórios foram atravessados pelos invasores mongóis, que formaram o estado da "Horda de Ouro", e pilharam os principados russos durante mais de três séculos.

Depois, os tártaros governaram os territórios do Sul e do centro da Rússia atual, enquanto os territórios da Ucrânia atual e da Bielorrússia foram incorporados no Grão-Ducado da Lituânia da Polônia, dividindo assim a população russa.

É sob o comando de Moscou que Moscóvia (também conhecida como Principado de Moscou ou Grão-Ducado de Moscou) reanima-se e organiza a sua própria guerra da reconquista, voltando a anexar os seus territórios. Depois da queda de Constantinopla em 1453, Moscóvia permaneceu como o único estado cristão mais ou menos funcional na fronteira oriental da Europa, permitindo reclamar a sucessão do Império Romano Oriental. No começo do século XVI, o principado decide que o objetivo nacional seria recuperar todos os territórios russos perdidos durante a invasão dos Tártaros e proteger a região fronteiriça do Sul contra contra-ataques dos Tártaros da Crimeia e dos Turcos. Os nobres foram obrigados a servir nas forças militares para esta reconquista.

Em 1547, Ivan, o Terrível, foi oficialmente coroado o primeiro czar da Rússia. Durante o seu reinado, Ivan I reconquista os territórios aos tártaros e cria uma Rússia multi-cultural e multi-religiosa. No fim do século XVI, Ivan consegue criar as primeiras sementes na Sibéria. Ivan também será lembrado pelas suas atrocidades durante o século XVII.

As barreiras criadas pelos muçulmanos na zona da Turquia e do médio-oriente fizeram que as especiarias oriundas da Índia destinadas para a Europa passassem pela zona norte-este da Europa: Moscóvia. O principiado soube aproveitar esta tendência e criou grandes rotas comerciais entre a Índia, a Moscóvia e, por fim, a Europa.

Porém, as novas vias comerciais marítimas com o Oriente abertas pelos portugueses durante os Descobrimentos, contribuíram para o declínio da riqueza que então viera a ser gerada através dessas rotas comerciais.

2. A Rússia Imperial

É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande ou Pedro I da Rússia (1672 -1725), derrotou a Suécia e na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. É na Íngria que se forma uma nova capital: São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro). Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país. O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o atual Estreito de Bering. Nasce assim o maior império da história da Rússia.

A czarina Catarina, a Grande (1762-1796) continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polônia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões árabes do império turco - a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.

Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscou, mas vê-se forçada a abandoná-la pois ao chegar a esta cidade, esta estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra o imperador francês. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas. Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polônia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados - os austro-húngaros e os prussianos - venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig.

Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Romênia, da antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária.

A ascensão de Nicolau I (1825-1855) trava o desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX com a criação da lei da servidão obrigando os camponeses a lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia volte ao caminho do crescimento. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante o início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do czar na época. Os custos da guerra começavam avultados e a população era quem suportava os custos dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.

Filho de Alexandre III, Nicolau II governou dentre 1894 até 1917, quando renunciou. Durante seu reinado viu a Rússia Imperial decair de um dos maiores países do mundo para um desastre econômico e militar. Nicolau II foi apelidado pelos críticos, Nicolau, o Sanguinário por causa da Tragédia de Khodynka, pelo Domingo Sangrento e pelos fatais pogroms anti-semitas que aconteceram na época de seu reinado. O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917.

A revoluções de 1905 e de 1917 põem fim a era czarista. O Domingo Sangrento iniciou a queda do regime imperial na Rússia. A instabilidade e a pobreza tiveram como consequência as Revoluções Menchevique (1905) e Bolchevique (1917). Ainda o desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) intensificou essas contradições e precipitou os acontecimentos, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905. Este quadro político-social foi profundamente alterado pela deflagração da Primeira Guerra Mundial. A Revolução de Fevereiro de 1917 teve como consequência imediata a abdicação do Czar Nicolau II. Ela ocorreu como resultado da insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação negativa do país na Primeira Guerra Mundial. Ela levou a transferência de poder do Czar para um regime republicano, surgido da aliança entre liberais e socialistas que pretendiam conduzir reformas políticas. Com a vitória bolchevique na Guerra Civil Russa, foi fundada, em 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Em 1917, na sequência da Revolução Russa, é introduzido pela primeira vez em todo o mundo um regime socialista revolucionário, tendente ao estabelecimento de um Estado comunista. Durante mais de 80 anos, a Rússia esteve submetida a esse regime, que erradicou o capitalismo e repartiu o antigo Império Russo em Repúblicas Socialistas Soviéticas, as quais formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a partir de 1922. A Rússia tornou-se então numa destas repúblicas (como República Socialista Federada Soviética da Rússia, ou RSFSR), detendo uma posição hegemônica em função da sua história, língua (oficial em toda a União Soviética, a par das línguas regionais) e capital (a capital da Rússia era também a da União Soviética). Vladimir Ilitch Lenin torna-se o primeiro líder comunista da URSS, sendo seguido por Josef Stalin (1924-1953), Nikita Khrushchev (1953-1964), Leonid Brejnev, (1964-1982), os breves governos de Yuri Anov e Konstantin Chernenko e por fim Mikahail Gorbachev.

Mikhail Sergueievitch Gorbatchev começa a abertura da Rússia para o mundo através de dois programas: glasnost ("abertura") e perestroika ("reestruturação"), de modo a modernizar a economia russa com a abertura das fronteiras para os investidores estrangeiros. A glasnost tinha o significado de liberdade de expressão, que fora ignorada durante todo o império soviético; já a perestroika consistia na reestruturação econômica da URSS pois esta gastava muito dinheiro em armamento e defesa.

3. Fim da URSS

Com a desagregação da URSS, surgiram quinze países independentes: Rússia, Armênia, Azer-baijão, Belarus, Casaquistão, Estônia, Geórgia, Letô¬nia, Lituânia, Moldávia, Quirguízia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Usbequistão. Com exceção das três nações bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), os novos países oriundos da dissolução desse imenso es¬tado ainda lutam para superar a herança dessa antiga superpotência e para eliminar as características deixa¬das pelas décadas de união político-territorial e de planificação da economia. Eles ainda possuem economias interligadas, com fábricas de um Estado comprando matérias-primas em outro, recebendo ener¬gia dos vizinhos e assim sucessivamente. Em 8 de dezembro de 1991, a Comunidade de Esta¬dos Independentes (CEI).

Em 1991, Boris Nikolayevich Iéltsin foi eleito diretamente primeiro Presidente da Rússia na era pós-comunista. Iéltsin afirmou que a Rússia teria que passar por uma terapia de choque econômica. De fato, após o comunismo, a Rússia entrou numa crise profunda, contraindo avultadas dívidas ao mundo e que ainda estão a ser liquidadas atualmente. Iéltsin privatiza quase tudo de forma a obter lucro. Só que o obtido não correspondia ao valor real das empresas obtendo apenas US$ 600 milhões.

Estas medidas, bem como as suas consquências, levaram aos comunistas que estavam em maioria no Congresso dos Sovietes a tentarem impedir a continuidade do presidente no dia 21 de Setembro de 1993. Nesse mesmo dia, as Forças Armadas tinham sido mobilizadas e originou-se a Crise constitucional de 1993. Com o apoio militar, consegue manter o controlo e conseguiu colocar em referendo a atual constituição da Federação da Rússia que viria a ser aprovada e adotada a 12 de Dezembro de 1993.

f) A Questão Chechena

A República da Chechênia localizada na região do Cáucaso, é uma das repúblicas da Federação da Rússia com maioria mulçulmana. Localizada entre os mares Cáspio e Negro. Seu clima é predominantemente temperado seco, com baixas temperaturas no inverno e nas áreas de elevadas altitudes. Para o governo russo, essa república é estratégica, principalmente em razão da passagem de oleodutos que ligam Moscou aos poços de petróleo da região do Mar Cáspio. Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou-se como um governo legítimo, anunciando um novo parlamento e declarando independência como República Ichkéria da Chechênia. Até hoje, sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado conflitos armados em que diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia se envolveram, resultando em aproximadamente 150 mil mortos, no período entre 1994 e 2003.

Como parte do Império Russo desde 1859, a região checheno-inguchétia foi incorporada como República Socialista Soviética Autônoma da Checheno-Ingushkaya durante a fundação da União Soviética. Durante o regime soviético, os chechenos, acusados de colaboração com a Alemanha nazista (que não chegaram a conquistar a Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocida - para a então República Socialista Soviética do Casaquistão e depois para a Sibéria, durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se no oblast de Grózni. Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a Rússia recusava-se a permitir a secessão.

Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência chechena em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a separação da região da Chechênia, importante produtora de petróleo, da Rússia.

A Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a Guerra do Vietnã para os EUA. Os insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar a capital chechena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni em fevereiro de 1995 após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997.

O conflito retornou em setembro de 1999, dando início à Segunda Guerra da Chechênia, tornando sem sentido o acordo de 1997. Os separatistas chechenos ainda querem a independência da Chechênia e organizaram ataques na república e em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou. Uma década de guerra deixou a maior parte do território sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadiram a vizinha república russa do Daguestão e anunciaram a criação de um estado islâmico; a maioria da população, em ambas as repúblicas, é muçulmano sunita. Os militares russos expulsaram os rebeldes para a Chechênia em setembro, mês em que atentados contra diversos edifícios em cidades russas mataram mais de 300 pessoas. O governo, responsabilizando diretamente os separatistas chechenos, enviou tropas à república.

Apesar da pressão para um cessar-fogo, o governo russo rejeitou mediação internacional. Mas as denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas contra centenas de civis levam o país a aceitar, em março de 2000, a visita de representantes da ONU à Chechênia. As emboscadas e os ataques camicases contra as tropas russas prosseguem, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de 2000, o presidente Vladimir Putin colocou a Chechênia sob administração direta da Presidência da Federação.

Em março de 2003, o governo Russo organiza um referendo na Chechênia sobre a nova constituição local, que estabelece subordinação da república a Moscou. A lei é aprovada por supostos 96% dos eleitores, mas o referendo é condenado internacionalmente como irregular. Num pleito igualmente criticado, em outubro de 2003, Akhmad Kadyrov, é eleito presidente da Chechênia com 81% dos votos.

Em setembro de 2004, uma escola em Beslan, na república da Ossétia do Norte, foi palco de uma das maiores barbáries da atualidade. Terroristas chechenos aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e professores. O líder separatista Shamil Bassaiev assumiu a autoria desse e de outros ataques (como a explosão no metrô de Moscou, em fevereiro do mesmo ano).

Em março de 2005, o principal líder separatista checheno, Aslan Maskhadov, é morto durante confronto com tropas russas. Seu sucessor, Abdul-Khalim Saydullayev,anun¬cia em maio o fim das tentativas de acordo com o governo russo. Em outubro, guerrilheiros atacam prédios públicos em Nalchik, capital de Kabardincr Balkária, em nova ação atribuída a Basayev. As forças russas intervêm, e o saldo é de mais de 100 mortos.

Nas eleições para o Parlamento da Chechênia, em novembro, elege-se uma maioria a favor de Moscou. O próprio Putin vai à sessão de abertura, pedir o apoio para reconstruir a região. Em 2006, Ramzan Kadyrov, filho do ex-presidente as¬sassinado, é empossado primeiro-ministro. No mesmo ano, Basayev morre na explosão de um caminhão que, segundo o governo russo, carregava 100 quilos de dinamite em uma estrada da Inguchétia, república vizi¬nha à Chechênia. O Exército russo reivindica a ação, mas o grupo checheno afirma que a explosão foi acidental.

Em 2007, Putin indi¬ca Ramzan Kadyrov para presidente da Chechênia. Ele é acusado de chefiar uma milícia, conhecida como Kadyrovtsi, respon¬sável por sequestros, tortura e assassinato de separatistas chechenos.

g) Atualidade

Putin ganha prestígio ao ordenar a segunda intervenção militar na Chechênia, em setembro. Em 31 de dezembro de 1999, Iéltsin renuncia à Presidência, num gesto interpretado co¬mo estratégia para evitar ser julgado por corrupção. Putin assume interinamente o poder. A ação do governo contra os rebeldes chechenos e a recuperação da economia graças ao aumento dos preços do petróleo elevam a popularidade de Putin, que vence as eleições presidenciais de 2000.

Em 2001, Putin dá apoio à coalizão contra o terrorismo liderada pelos EUA e expressa o desejo de que a Federação Russa seja admitida na OTAN. No ano seguinte, é criado em Roma o Conselho OTAN-Federação Russa. O governo russo, com França e Alemanha, opõe-se no início de 2003 ao ataque anglo-americano ao Iraque.

In¬ternamente, Putin procura recuperar a economia e reunir, sob o controle do governo, empresas que exploram os principais recursos energéticos do país. O bloco europeu compra dos russos um quarto do gás que consome. Ao definir esse objetivo estratégico de controle das matérias-primas do país, o governo não interfere, porém, nos demais setores da economia A maior parte da indústria e dos serviços continua nas mãos da iniciativa privada.

Em 2004, Vladimir Putin conquista novo mandato ao obter mais de 70% dos votos nas eleições. Uma série de atentados atinge o país durante o ano.

Após 13 anos de negociações, a Federação Russa chega a um acordo preliminar com os EUA para entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Estado russo é a única grande economia do mundo fora da instituição. Para que o ingresso seja formalizado, todos os membros da OMC têm de aprová-Io.

Putin desfere pesa¬das críticas, no decorrer de 2007, contra o plano norte-americano de instalar um sistema de escudos antimísseis na Europa do Leste. Os EUA pretendem utilizar uma estação de radares na República Tcheca e dez interceptadores de foguetes na Polônia. O objetivo oficial é a defesa contra possíveis ataques de mísseis do Irã e da Coreia do Norte. O governo russo, entretanto, diz sentir-se diretamente ameaçado pela co¬locação do sistema Ameaça até mesmo apontar mísseis russos contra cidades da Europa, como forma de defesa. Analistas vêm nessa postura a inquietação de Putin com o avanço dos EUA em regiões antes consideradas zonas de influência direta dos russos. O presidente suspende, a partir de dezembro, a participação da Federação Russa no Tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE), que regula o deslocamento de armas conven¬cionais no continente europeu.

A Anistia Internacional divulga relatório, em fevereiro de 2008, no qual afirma que aumentaram as restrições aos direitos civis e à liberdade de expressão durante o governo Putin. No mesmo mês, relatório da Human Rights Watch registra que há pressões do governo contra a oposição, as organizações de locais como a Chechênia e as entidades que documentam casos de violação dos direitos humanos.

Dmitri Medvedev é eleito presidente, em 2008, com 70,3% dos votos. Em maio de 2008, em seu último ato na Presidência, Putin assina decreto que regulamenta os investimentos estrangeiros no país. No mesmo mês, Medvedev toma posse como presidente e indica Putin como primeiro-ministro.

Em agosto de 2008 eclode sério conflito militar entre a Federação Russa e a Geórgia A crise tem início depois que tropas georgianas atacam a república separatista da Ossétia do Sul. Os russos são aliados dos ossetas e mantêm ali, desde 1992, tropas de paz. A resposta russa é arrasa¬dora: em menos de uma semana, retoma o controle da Ossétia do Sul e ocupa também a outra república separatista georgiana, a Abkházia, além de territórios da Geórgia em torno dessas duas regiões.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que ocupa a presidência da UE, negocia um acordo de cessar-fogo, que põe fim à guerra. A Federação Russa, entretanto, mantém cerca de 8 mil soldados nas duas repúblicas separatistas. O governo russo reconhece a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia A medida é vista como resposta à declaração de independência do Kosovo, província da Sérvia, que recebeu o apoio dos EUA e da maioria da UE, e a forte oposição dos russos.

A crise econômica mun¬dial atinge com força o mercado acionário russo. Entre setembro e outubro de 2008, quedas violentas dos preços de ações provocam di¬versas interrupções nas bolsas da Federação Russa Um dos motivos centrais é o fato de que a economia do país tem como base ma¬térias-primas, como o petróleo, cujos preços despencaram. O governo decide cortar impostos e conceder ajuda aos bancos, entre outras medidas para estancar a crise.

COMPILAÇÃO FEITA A PARTIR DE:

- Almanaque Abril 2008, 35ª ed. São Paulo: Ed. Abril, 2009.

- AQUINO, JACQUES, DENIZE, OSCAR. História das Sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais, 32ª Ed.Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1995.

- VESENTINI & VLACH. Geografia Crítica, vol 4. São Paulo: Ática, 2005.

- http//www.wikipedia.org

- http//br.geocities.com/ccv3a/cei.htm




Imprimir Enviar para um amigo Indicar erro

 


Deputado Estadual Artur Bruno

1998 - 2017. Artur Bruno - Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA)
SEMA - Rua Osvaldo Cruz, 2366.
Cep: 60.125-151 - Dionísio Torres, Fortaleza/CE

Telefones: (85) 3101.1234
Fax: (85) 3101.1234
e-mail: arturbruno@arturbruno.com.br

Site produzido e atualizado pela assessoria de comunicação e TEIA DIGITAL