O PT Fortaleza e as eleições 2012

|| Postado por Lucirene Maciel em 29-11-2011

O candidato deve ser capaz de unir o partido, ter apelo popular, densidade eleitoral, condições de encantar as massas populares e os setores médios da sociedade e, ainda, que seja um nome que possibilite concretizarmos uma aliança eleitoral.



Muitos são os aspectos que envolvem as eleições municipais do próximo ano que diz respeito não só a definição de quem será nosso candidato a prefeito e se teremos ou não aliança com o PSB do governador Cid Gomes. Esta é uma situação que está sendo tratada com bastante cautela pela direção partidária e pela nossa prefeita e presidente estadual do partido, Luizianne Lins. Há muita coisa em jogo neste tabuleiro político e precisamos fazer a melhor jogada para termos êxito em nosso propósito principal que é o de fazermos o nosso sucessor e garantir a continuidade do projeto político iniciado em 2004.

Neste sentido, preocupa-me o fato de demorarmos em demasia para apresentar à sociedade e aos nossos parceiros políticos e possiveis aliados eleitorais um nome para vencer as eleições. Este candidato deve ser capaz de unir o partido (já demos inúmeras provas de que quando estamos unidos superamos todas as adversidades e obstáculos fazendo com que a vitória fique mais provável, como a recente eleição do senador José Pimentel derrotando o, até então, todo-poderoso Tasso Jereissati), deve ter apelo popular, densidade eleitoral, condições de encantar as massas populares e os setores médios da sociedade para nosso projeto político e, ainda, que seja um nome que possibilite concretizarmos uma aliança eleitoral com nossos parceiros históricos. Este seria, na minha concepção, o perfil ideal de nosso candidato.
Por isso defendo que o Partido defina logo, até o final do ano, com qual nome iremos para a disputa, por algumas razões que enumero abaixo:
A primeira depende da seguinte premissa: o Partido alcançar um consenso entre as diversas forças políticas em torno de um nome. Realizada esta condição, considero importante lançarmos logo, pois isso ajudaria a irmos consolidando a pré-candidatura, iniciar as conversações com os possíveis partidos aliados que se daria numa base mais concreta, em cima de propostas de governo, etc.
na hipótese de não alcançarmos um consenso quanto ao candidato, o que pode ocorrer? Realizar prévias para definir o candidato entre os nomes que se apresentarem. Neste caso é importante lembrar que, segundo o calendário proposto pela CEN, as prévias deverão ocorrer no dia 30 de março de 2012 (primeiro turno) e dia 03 de junho de 2012 (segundo turno). Se isto acontecer, o nome que apresentarmos só será conhecido ao final do primeiro semestre dificultando a formação de uma aliança com os principais partidos. Como lemos nos jornais cresce a cada dia a pressão no interior dos partidos aliados para que apresentem candidatos a prefeito, fato ainda não concretizado pela incerteza de qual caminho irá seguir o PT e o PSB. De qualquer forma o lançamento, até o final do ano, de nomes, que poderiam disputar as prévias contribuiria para que o debate interno se desse com antecedência razoável, envolvendo toda militância e até a sociedade neste processo.
outra razão que saliento tem a ver justamente com a possibilidade de fazermos ou não uma aliança com o partido do governador e demais aliados, algo desejável, mas incerto. Temos que trabalhar com a probabilidade de isto não acontecer. Se não houver aliança com o PSB, qual deve ser o cenário? Dificilmente conseguiríamos atrair o PMDB que certamente iria compor com o PSB (muito provável) ou disputaria sozinho com a candidatura de Danilo Forte (pouco provável). O PCdoB como se comportaria? Manteria sua candidatura com Inácio Arruda ou Chico Lopes, faria uma aliança com o PSB-PMDB ou marcharia conosco? Na hipótese de não nos aliarmos com o PSB penso que para nós o melhor seria trabalharmos para atrair o PCdoB visando formar uma aliança à esquerda (PT-PCdoB), com o PT na cabeça da chapa e o PCdoB na vice. Certamente seria uma chapa forte capaz de disputar a hegemonia da cidade de Fortaleza com o PSB-PMDB. Esta seria uma hipótese possível, mas que na minha avaliação difícil de se concretizar, pois imagino que o mais provável é o PCdoB ser atraido para o bloco PSB-PMDB ou lançar chapa própria. Contudo cabe ao nosso partido fazer este chamamento e trabalhar para realizá-lo, pois, no meu entender, esta seria, para nós, a melhor hipótese, preferível a termos que disputar as próximas eleições sozinhos ou em aliança com pequenos partidos. Neste caso lançar já nosso nome ajudaria na definição da melhor estratégia a adotar para o caso desta hipótese, de não aliança com o PSB, se concretizar.
Como eu havia dito no início deste texto existem muitos outros aspectos que envolvem as eleições de 2012 com os quais o nosso Partido dos Trabalhadores deve se preocupar. Um deles diz respeito a formação de nossa chapa proporcional. O PT Fortaleza já realizou uma reunião com filiados e filiadas que tem a intenção de disponibilizarem seus nomes para a disputa do cargo de vereador ou vereadora. A primeira coisa a ser definida é qual será o nosso objetivo eleitoral? Nossa pretensão é mantermos o atual quantitativo de vereadores ou a de ampliarmos nossos quadros na Câmara Municipal? Se é o de ampliarmos, para quanto? Esta definição, o estabelecimento de uma meta, é importantíssima para traçarmos nossa estratégia e tática eleitoral. Acredito que o PT tem plenas condições de dobrar o número de cadeiras que elegeu em 2008, mas o partido teria condiçôes de atingir este objetivo fazendo coligação com partidos como o PMDB, por exemplo? O fato de não nos coligarmos nas eleições proporcionais implica necessariamente na inviabilização de uma aliança na chapa majoritária? O PSB já declarou que não fará coligação proporcional e prepara uma chapa forte para eleger, segundo o projeto deles, dez vereadores, com a clara intenção de garantir para o partido a presidência da Câmara ou, no mínimo, condições privilegiadas para negociar com o futuro prefeito ou prefeita por ter a maioria dos vereadores. Não definirmos esta questão significa dizer que estamos condicionando a formação de nossa chapa proporcional ao que vier a ser definido, no futuro, para a aliança majoritária. Isto pode até vir a acontecer, mas creio que taticamente é melhor para o Partido estabelecer que vamos trabalhar para dobrar o número de vereadores na Câmara Municipal mesmo que isto implique em não nos coligarmos nas eleições proporcionais. Agindo neste sentido o PT dá uma clara demonstração de que tem clareza de seu projeto político e que está disposto a disputar a hegemonia em todos os setores da sociedade. Se mais adiante a conjuntura determinar o contrário, que para garantir a eleição é importante nos coligarmos proporcionalmente, esse debate deve ser feito com transparência e tranquilidade.
Outro ponto que devemos refletir com profundidade é a questão da presença das mulheres em nossa chapa proporcional. Somos o partido que sempre esteve na vanguarda da luta pela emancipação feminina e recentemente aprovamos em nosso 4º Congresso – Etapa Reforma Estatutária o critério de gênero, que estabelece a paridade de gênero na composição das direções, delegações, comissões e nos cargos com função específica de Secretaria. No entanto, temos muitas dificuldades em formar quadros femininos para a disputa eleitoral, seja para o parlamento, seja para o executivo. Se não houver uma determinção política de investir, ajudar e dar oportunidade para que apresentem seus nomes e tenham condições de disputar com os homens dificilmente sairemos do discurso para a prática. Nosso partido conta com mulheres valorosas, lutadoras e comprometidas que já deram demonstrações políticas de que têm condições de bem representar o partido e nosso projeto político. Até quando iremos adiar esta decisão? Nas próximas eleições o PT deve apoiar e dar condições diferenciadas para que nossas candidatas tenham condições de disputar e não apenas para compor a chapa como meras coadjuvantes e, assim, o Partido poder cumprir a determinação legal da cota de gênero.
Estas são minhas considerações e espero que elas possam contribuir para o nosso debate. Saudações petistas e socialistas!

Hebert Lima


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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