O "Ocupa Wall Street" e a necessidade histórica da esquerda ser esquerda

|| Postado por Newton Albuquerque em 18-10-2011

Os acontecimentos relacionados à ocupação de Wall Street que se difundem por todo mundo, marcam um novo momento na luta socialista mundial.



                Pela primeira vez em muitos anos desencadeia-se um vigoroso movimento de contestação mundial do financeirismo neoliberal que submete povos inteiros à lógica destrutiva de seus direitos civis, sociais e culturais, espraiando a recessão, a fome o desemprego estrutural pelos vários rincões do planeta. Em poucas vezes na história assistimos ao “destampar” de reivindicações convergentes no propósito de lutar por uma reconstrução da cidadania, denunciando os mecanismos perversos com que o capitalismo se reproduz por meio de suas crises recorrentes. Afinal é na crise que o Capital amplia sua margem de ganhos, reestruturando suas relações com o Trabalho ao precarizar seus direitos, ao mesmo tempo em que corta investimentos sociais, aplica receituários privatizantes e reprime as mobilizações operárias e populares. Pois como bem flagrou Carl Schmitt é nos momentos de crise que flagramos quem é o soberano de fato. Definindo assim quem manda, quem determina as coisas, a despeito do estatuído normativamente e dos “temperos” de civilidade cultuados pela cultura da legalidade.

Crise esta que exige da esquerda conseqüência, disposição de ser esquerda, ou seja,  de exercer sua negatividade sobre o instituído, estabelecendo uma ação militante visando reforçar os movimentos sociais, suas lutas e demandas, sem perder o sentido pedagógico e estratégico de afirmação de nossos valores socialistas e revolucionários. Para isso, precisamos deixar de ser comodistas, de estar presos ao “bom senso” pregado pela ordem liberal-conservadora que vende as instituições vigentes como a “única alternativa existente” que não podem ser ultrapassadas sob pena do “naufrágio”. No máximo os apologetas da ordem de produção de mercadorias, apontam para pontuais, cada menos significantes, modificações da realidade. A própria idéia de reforma despe-se de seus conteúdos progressistas, apontando para mudanças  que reestruturem o domínio do Capital, de maneira a maximizar seus ganhos produtivos.  Reformas, passam agora – como é próprio do escorregadio terreno semântico -  a traduzir os interesses da ordem de aprofundamento do privatismo  anti-democrático classicamente propugnados pelo liberismo.

A “estratégia” de “comer pelas beiradas” ou de privilegiar os enfrentamentos a partir dos “pontos de menor resistência” torna-se insustentável dada à ofensiva do Capital e de seu Estado na contemporaneidade pós-moderna. A ação da esquerda institucionalista de deter-se exclusivamente no campo parlamentar ou eleitoral nem de longe fustiga as raízes da atual crise, nem muito menos ajuda no devido esclarecimento às maiorias dos verdadeiros culpados pela mesma, os setores capitalistas financeiros e seus agentes políticos e sociais. A luta desloca-se crescentemente para as ruas em todo mundo, exibindo assim, a descrença popular na democracia representativa que deflui de seus sólidos interditos a expressão das suas aspirações  por direitos. Precisamos saber ler as determinações da realidade, acompanhando os movimentos sociais, sendo irrestritamente solidários com suas reivindicações e disputando sua direção para direcioná-lo em favor das transformações democráticas e socialistas que almejamos.

No caso do Brasil, creio que o Partido dos Trabalhadores e a esquerda precisam estruturar um campo político-social e cultural que aglutine a crítica ao modelo neoliberal capitalista, seus efeitos perniciosos sobre a vida dos trabalhadores e dos setores médios, além de indicar caminhos alternativos de desenvolvimento institucional que se articule com a expansão dos processos participativos e do empoderamento das maiorias sobre o processo decisório. Revigoramento da soberania popular que permita acumular forças para resistir aos ataques que com certeza virão contra seus direitos e conquistas históricas, vistas como empecilho ao desenvolvimento do sistema e do ciclo de auto-realização do valor.  

Enfim vivemos em um momento histórico em que se encurtam as distâncias entre as demandas imediatas por melhores condições de vida e aquelas mediatas relacionadas a transformação revolucionária do capitalismo, de sua superação socialista. Ser conseqüentemente democrata, ser favorável aos direitos civis e sua generalização, bem como, dos direitos sociais, culturais e difusos nos exigem coragem para denunciar o capitalismo e sua voragem financeira, eminentemente destrutiva e brutalmente anti-humanista!

 

Newton de Menezes Albuquerque



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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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