O narcotráfico e as crianças em Fortaleza

|| Postado por Newton Albuquerque em 07-10-2011

O artigo tematiza sobre a ação do crime organizado em Fortaleza- recentemente noticiado no O POVO - e a complexidade de teias e aspectos a que ele está relacionado na cidade.



Na semana que passou o jornal O POVO fez uma série de matérias sobre a ação do crime organizado em bairros periféricos de Fortaleza, nos revelando a face perversa de seus efeitos sobre homens, mulheres, e o pior sobre crianças. Tentáculos do crime organizado que não podem extirpados por iniciativas da sociedade somente, nem também só dos governos constitucionalmente responsáveis pelo assunto ( Estadual e Federal segundo o art. 144 da Constituição Federal), mas a partir do envolvimento concertado de todos. Afinal de contas o narcotráfico dimana de redes internacionais fortemente articuladas que “invadem” os países penetrando em todas as suas esferas institucionais e interstícios sociais, não podendo ser compreendidas como anteriormente como mera expressão de ausência de políticas locais, regionais e nacionais competentes. Até mesmo porquê os condicionamentos variados que promovem e difundem o crime estão diretamente relacionados a um conjunto de aspectos, valores culturais, comportamentais e de complexidades econômicas não facilmente removíveis.
O fato inconteste é que os modelos de desenvolvimento historicamente adotados pelas elites brasileiras até a gestão de FHC e dos tucanos ao privilegiar a concentração de renda, de terra e de poder auxiliou na deterioração do tecido social brasileiro, jogando milhões de pessoas ou no desemprego ou no subemprego pessimamente remunerado. O que combinado a degradação das cidades inchadas pela migração em massa do campo, pela falta de planejamento estratégico e pelo domínio de uma lógica privatista que pensa as urbes com base apenas no interesse do Grande Capital tornou-as praticamente inabitáveis como bem mencionou Eric Hobsbawn –historiador inglês- quando de visita a São Paulo.
A violência no âmbito das cidades, especialmente quando atinge crianças - elos mais frágeis da sociabilidade – indica a situação dramática dos desafios que se colocam para todos aqueles democratas comprometidos para valer com a transformação do Brasil, do Ceará e de Fortaleza. Desafios que exigem vários governos progressistas que atuem no sentido de delinear um modelo de desenvolvimento nacional e urbano de médio e longo prazo que faça com que as cidades sejam reapropriados pelas maiorias que nela residem. Cidades que como Fortaleza começaram a mudar, a inverter prioridades e a descobrir o homem do povo, a força autêntica de nossa cultura e de nossa identidade coletiva. O combate ao crime para ser eficaz precisa apoiar-se não somente em ações policiais –absolutamente indispensáveis – mas também na indução da cidadania, de sua organização política cotidiana para pensar junto com seus gestores formas de dar cabo desta peste insidiosa, mundializada de múltiplas feições que é o crime organizado.


       Newton de Menezes Albuquerque
 


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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