A UFC e a barbárie nos EUA

|| Postado por Newton Albuquerque em 04-10-2011

O presente artigo analisa o caráter simbólico da violência da UFC nos EUA e seus desdobramento na cultura e na política.



Na condição de professor da Faculdade de Direito da UFC, confesso que fiquei espantado com a descoberta casual da homonímia entre nossa universidade e o campeonato de luta livre nos EUA (Ultimate Fighting Championship). Espanto que decorre da associação insólita de nossa querida universidade como espaço qualificado de produção científica, tecnológica e cultural cearense com o “ethos”, digamos assim, hard da UFC norte-americana. Especialmente pela força do apelo popular que essa UFC ultra agressiva adquiriu naquele país, e pasme, em alguns setores “não-pensantes” do Brasil ao instigar um espetáculo dantesco de panóptica violência por meio de pancadas, joelhaços e socos para todos os lados, espargindo sangue para os assistentes “se deleitarem”.  

 Violência extrema que instiga em vastos segmentos da opinião pública norte-americana delírios luxuriosos, como a nos revelar o “inconsciente coletivo” de uma sociedade dominada pela apologia da força, da destrutividade fanática e da intolerância.  Ademais as formas de expressão cultural de uma sociedade possuem uma íntima ligação com o processo civilizatória da mesma, a indicar as camadas profundas do psiquismo coletivo de uma nação.

Há tempos sociológos, psicanalistas, juristas e filósofos do mundo inteiro flagram uma certa tendência a fascistização da sociedade norte-americana, perceptível na produção intensa de filmes, livros e música evocadora de um espírito bélico, onde o puritanismo protestante do “povo eleito” conjuga-se ao “ataque preventivo” a todas concepções de vida e de mundo que possam ser vistas como contrapostas aos ideais norte-americanos. A ascensão de Bush a presidência dos EUA funciona como o marco inaugurador de uma “Nova Era” em que o fundamentalismo liberista do mercado total intenta destruir a política como espaço dialógico, contraditório, movido por diversos e legítimos interesses em disputa. “Nova Era” esta que assinala um momento de desenvolvimento superior do capitalismo financeiro e de sua lógica imperialista, incompatível com a preservação dos valores iluministas da autonomia individual, da tolerância política e cultural.

Nesse sentido a UFC norte-americana, ao contrário da nossa cearense, traduz com grande poder de síntese, de representação ideológica, o American Way  de nossos tempos. Tempos de brutalidade, de negação do outro, de individualismo possessivo, de refreamento da democracia e de sua vocação igualitária socialista/comunista. 

Em termos de UFC – afirmo sem pudor- o Ceará tem mais o que ensinar ao mundo!

Newton de Menezes Albuquerque
 


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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