O dia do orgulho hetero e o armário da intolerância

|| Postado por Newton Albuquerque em 05-08-2011

São Paulo é fascinante porque é uma das capitais mundiais da diversidade.



Esse título é mantido cotidianamente através da convivência pacífica entre milhões de pessoas, daqui e de outras terras. Grande parte desse respeito, que virou exemplo de cidadania e atrai turistas e divisas, é fruto de uma manifestação iniciada há pouco mais de uma década, que reuniu menos de duzentas pessoas em sua primeira edição, e que hoje integra mais de 3 milhões: a Parada do Orgulho LGBT.

Mas porque lésbicas, gays, bissexuais e travestis precisam mostrar publicamente seu orgulho? A resposta é simples: séculos de opressão não são vencidos sem mobilização política e, é claro, como somos brasileiros, sem festa. O orgulho LGBT significa dizer sou igual a você. Significa um muito prazer, um tudo bem, de gente como a gente que apenas têm outra orientação sexual.

A população LGBT não tem nada de diferente. Ela também é formada por trabalhadores, profissionais liberais, cientistas, atletas, artistas, gente que paga imposto, que consome, que anda de carro, metrô, avião, a pé ou de ônibus, que vota, que tem vida cidadã como qualquer outra. Orgulho LGBT significa reconhecimento, não apenas num dia de sol ou de chuva na Paulista ou descendo a Consolação com a bandeira do arco-íris. É ter acesso à Justiça, direito à educação, à saúde, ao trabalho, cultura, esporte e lazer. É exercer legalmente o direito de amar e repartir vida e bens, sem ser agredido na mesma Paulista ou Consolação ou numa rua qualquer da periferia.

A Câmara de São Paulo aprovou o Dia do Orgulho Hetero, projeto apresentado em nome da família, da moral e dos bons costumes, mas que esconde no armário somente as armas do preconceito, da intolerância e do ódio contra quem ama pessoas do mesmo sexo. Porque hetero precisa desse tipo de orgulho? Alguém conhece algum caso de violência verbal ou física contra quem se afirma hetero? Quantos assassinatos são registrados tendo como motivo a heterossexualidade da vítima? Quantos empregos e aluguéis são negados por causa da heterossexualidade do profissional ou do inquilino?

Heteros não são discriminados pelo fato de serem heteros, ao contrário dos homossexuais, que são considerados a priori por heteros ditos orgulhosos como gente sem caráter e sem moral. Que moral cara pálida? Onde está a ligação entre falta de caráter, de dignidade e a orientação sexual?

O dia do orgulho hetero não valoriza o direito à cidadania negado não apenas a homossexuais, mas também a heteros pobres, homens e mulheres de baixa renda ou sem renda alguma. Esse "dia" oficializa o direito à violência contra a população LGBT.

Ítalo Cardoso é vereador (PT/SP) e líder da bancada petista na Câmara Municipal de São Paulo


| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |    Próxima | Última página

PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

Site oficial: www.arturbruno.com.br

ARQUIVO

Deputado Estadual Artur Bruno

1998 - 2017. Deputado Federal Artur Bruno - PT Ceará
Av. Desembargador Moreira, 2001 Salas 501/502, Dionísio Torres - Fortaleza/CE
Anexo 3 - Gabinete 467 - Brasília/DF

Telefones: (85) 3055-0968 | (61) 32155467
e-mail: arturbruno@arturbruno.com.br

Site produzido e atualizado pela assessoria de comunicação do mandato e TEIA DIGITAL