Democracia, esquerda e direita, artigo de Antonio Risério

|| Postado por Newton Albuquerque em 07-07-2011

De uns tempos para cá, virou um certo lugar-comum dizer que essa história de direita e esquerda não existe mais, foi superada, é papo furado.



Que suas políticas e projetos se confundiram. Etc. Não penso assim. Em primeiro lugar, porque, deixando de lado fanáticos dos dois lados (a espécie de gente que não me interessa, do neonazismo europeu aos catatônicos do stalinismo), a distinção me parece muito clara. Em segundo, porque, regra geral, quem diz que a distinção entre direita e esquerda se dissolveu no ar é, quase invariavelmente, de direita.
Para ressaltar com clareza a distinção,basta pensar como esquerda e direita concebem a democracia. Para a direita, a democracia é um determinado regime político.Um regime onde vigora o voto universal. Onde a liberdade de expressão floresce. Onde os direitos individuais se acham assegurados. E coisas do gênero. Vale dizer: a direita circunscreve a definição de democracia a um plano estritamente institucional. Para a esquerda, a democracia, em sua plenitude,é muito mais que isso. Articula-se na convergência da democracia política (à qual se resume a concepção de direita) e da democracia social. Ou seja: vai-se além do conceito “clássico” sobre o assunto.
Isto significa que, da perspectiva da esquerda, democracia implica a existência ou a construção de meios de combate às desigualdades sociais e econômicas. Não se trata apenas de garantir direitos políticos. O objetivo é assegurar, também, direitos sociais. É por isso que o recente processo de ascensão social, no Brasil, deve ser visto não apenas em termos sociológicos, mas, igualmente, como uma alteração significativa no horizonte político, de forte sentido democrático. Avançar no caminho democrático é, portanto, garantir o exercício da liberdade e o funcionamento livre das instituições, tanto quanto ampliar direitos sociais, da universalização dos serviços públicos ao acesso à moradia, passando, entre outras coisas, pela distribuição de renda.
Considero tudo isso muito óbvio. Assim como é óbvio que democracia não é um simples conceito, mas uma entidade que existe numa sociedade real. Daí, a implicação também óbvia, mas para a qual nem sempre se atenta: é necessário deixar que a própria estrutura social se encarregue de esclarecer a realidade democrática que pretendemos construir,em determinada circunstância histórica.
A construção democrática é não somente uma práxis incessante, como deve se ajustar a situações nacionais específicas e objetivas. No caso brasileiro, construir democracia, hoje, é o mesmo que construir cidadania.
É ir além da afirmação prática dos direitos individuais, para chegar à realidade mais viva dos direitos sociais. E, assim, à configuração mais plena de uma democracia de massas.
Cidadania implica voto, claro. Mas as coisas não param no rito eleitoral. Desigualdade social é sinônimo de desigualdade política.
Logo, uma negação da vida democrática plena.
Construir democracia é construir cidadania. E construir cidadania é avançar no caminho da inclusão, em todas as suas dimensões. Inclusão social, educacional, cultural, digital, etc. O que equivale a dizer que, para prosseguir no processo de construção da verdadeira democracia brasileira, devemos providenciar meios para aumentar a participação de todos na riqueza nacional. É tão simples assim.
Escrevo essas coisas apenas porque perdi a paciência para ver políticos, artistas e intelectuais dizendo que não existe mais “essa coisa de direita e esquerda”. Existe, sim. E um bom teste para saber quem é quem, em noite de gatos supostamente pardos, é checar o que a pessoa entende por democracia. No caso de políticos e governantes,em especial, não apenas em plano retórico,que essa gente é craque em malabarismos discursivos,mentindo sem pudor.Mas,sobretudo,no campo do fazer.Ou, como diria Antonio Vieira, no campo da matrícula das ações de cada um. Aqui, sim, não há lugar para conversa fiada. E ninguém, como costuma dizer um amigo meu, vai confundir chacais com passarinhos.
Perdi a paciência para ver políticos, artistas e intelectuais dizendo que não existe mais “essa coisa de direita e esquerda”. Existe, sim.
E um bom teste é checar o que a pessoa entende por democracia

Antonio Risério é Escritor, e-mail: ariserio{at}terra.com.br
 Extraído do sitío EcoDebate Cidadania & Meio Ambiente


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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