A Cultura e sua centralidade na construção da identidade política na modernidade

|| Postado por Newton Albuquerque em 01-07-2011

A modernidade acentuou a compreensão do homem como ser cultural, definido pelo artifício simbólico de suas “escolhas”, ou melhor, por sua capacidade de resignificação perene da realidade ao buscar ultrapassar o plano da imediaticidade do “mundo natural".



O homem distintamente de outras espécies volta-se mais para a compreensão moral, ética das relações sociais produzidas de seu contato com a natureza e com o próprio homem do que  com que qualquer olhar normativo exteriorizado. Em outras épocas como, por exemplo, na Antiguidade e Idade Média, as leis do homem, sejam oriundas da economia, da política e da cultura eram entendidas como desdobramentos da ordem cosmológica e teológica, devendo a elas se adequar imperativamente.
Na modernidade, porém exsurge o sentido da individualidade e do reconhecimento da subjetividade enquanto instância doadora de sentido do mundo, daí o caráter eminentemente humanizado que passou a ser atribuído a cultura, onde as representações individuais e sociais passaram a ser lidas como expressões autônomas da vontade do homem em seu fazer-se histórico. Aliás, tal processo começa se delinear com o advento do Renascimento Italiano nos albores do século XV, não obstante só ter se projetado com maior vigor conceitual nos séculos XVIII e XIX, ao dotar a cultura de força sociológica e política a partir da ascensão da Revolução Francesa e dos valores iluministas que se lhe são consectários.
Cultura que com a modernidade adquire uma centralidade inquestionável nas tendências de secularização e racionalização das estruturas sociais da sociedade e do Estado, requacionando as relações e vínculos entre natureza e sociedade, homem e poder, direitos e deveres e o próprio conteúdo da política, agora compreendido à luz de dicções eminentemente antropológicas. 
Neste sentido a identidade política de um povo, sua concepção civilizatória, seu projeto para o presente e para o futuro anda inextricavelmente ligado, diria mesmo subordinado a idéia de cultura que aquele é capaz de consubstanciar. Um povo que tem sólido patrimônio cultural, marcado pela diversidade étnica, abertura a outras civilizações, generosidade humanista e perspectiva ecumênica como tem o Brasil não pode perder isso de vista no momento que repensamos nossa visão estratégica sobre o país e sua reinserção soberana global.
Gramsci, grande pensador marxista italiano, possuía claro discernimento da centralidade da cultura na disputa contra-hegemônica socialista frente ao capitalismo e sua vocação destrutiva e uniformizadora das culturas no mundo. Sabia que mais do que “tomar o poder”, precisamos reelaborá-lo em suas bases genéticas, por isso mesmo culturais, construindo assim uma sociedade radicalmente humanista e democrática que é o socialismo, sob pena de recairmos na mesmice da eterna reprodução dos processos hierárquicos e alienantes de poder inerentes a sociedade de produção de mercadorias. A esquerda, especialmente a brasileira, precisa apossar-se plenamente de nosso arcabouço cultural, conhecendo amiúde nossa alma coletiva e suas potencialidades libertárias ainda não devidamente exploradas. Para que assim possamos erigir um projeto estratégico à altura de nossa rica experiência civilizatória, pujança cultural e dimensão utópica que dê cobro ao tamanho de nosso sonho socialista e revolucionário que nutrimos para o Brasil e para o mundo!


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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