O Partido dos Trabalhadores, o caso Palocci e a ética socialista

|| Postado por Newton Albuquerque em 27-06-2011

Os acontecimentos envolvendo o ex-ministro Antonio Palocci que o levaram a demissão do governo Dilma Rousseff mereceram um elogiável e oportuno artigo do secretário-geral do Partidos Trabalhadores Elói Pietá a partir do qual seu autor invoca a fidelidade



Os acontecimentos envolvendo o ex-ministro Antonio Palocci que o levaram a demissão do governo Dilma Rousseff mereceram um elogiável e oportuno artigo do secretário-geral do Partidos Trabalhadores Elói Pietá a partir do qual seu autor invoca a fidelidade que todos os militantes petistas, mormente seus quadros precisam ter em relação aos valores ético-políticos que inspiraram a fundação do PT. Afinal de contas se o Partido dos Trabalhadores sempre se afirmou e ainda se afirma programaticamente como partido socialista, radicalmente democrático e por isso mesmo crítico aos fundamentos hierárquicos e de classe que consubstanciam o capitalismo, como pode aquele compatibilizar tal identidade com determinadas condutas regidas pelo ideário “pragmático”, privatista da acumulação próprio dos “Donos do Capital”?   Perguntas necessárias, diria mesmo imprescindíveis, mas que “desaprendemos” a fazer, seja porquê nos tornamos pragmáticos ao excesso, seja porquê  assimilamos novas “identidades”, “valores”, “formas de ser”. 
Há tempos milhares de militantes do PT veem com certo estranhamento os rumos tomados por nosso partido: o distanciamento de suas cúpulas frente à militância, a capitulação ao eleitoralismo, a relativização ideológica de nosso programa socialista, a “mimetização” ou reprodução dos padrões de conduta da ordem capitalista nas relações entre os petistas, a introjeção de valores consumistas ou de ícones de poder tradicionais por parte de seus dirigentes.
Acomodação esta que a bem da verdade também acometeu outros partidos e organizações socialistas na história, o que em algumas circunstâncias resultou em eventos verdadeiramente dramáticos como se deu com a burocratização dos partidos sociais-democratas e sua consequente adesão a lógica imperialista quando da 1ª Guerra Mundial; e também no caso da stalinização dos partidos comunistas que ao perderem seu viço revolucionário tornaram-se meros instrumentos nas mãos da burocracia soviética, o que suscitou uma vasta resistência de setores populares aos valores do socialismo, inadvertida e equivocadamente identificados com o modelo burocrático vigente no Leste Europeu. Desvios de rota que se produziram como consequência do afastamento dos mesmos dos seus propósitos socialistas, assim como das demandas de suas bases sociais ao “optar” pela adesão ao Estado, ao mercado e as suas benesses, cargos e prebendas.
O sucesso eleitoral do PT, seu crescimento junto a sociedade, a conquista de centenas de administrações se de um lado são fatos positivos que indicam a eficácia de nossa tática política, de sua penetração junto a diferentes segmentos sociais; de outro pode ser algo muito perigoso, a nos advertir dos riscos adaptativos à ordem naquilo que ela condensa de desigualdade, iniquidade social e alienação sócio-cultural.  Afinal de contas o PT nasceu e se constituiu como referência política estratégica de transformação radical da sociedade brasileira ao opor-se a dependência externa, a exclusão social dos trabalhadores e a concentração de terra e poder que modelou nosso Estado capitalista realmente existente. Ou seja, nos constituímos como instrumento de efetivação ética de uma outra sociedade, de “um outro mundo”, pugnando pela construção de novos e qualitativos vínculos de poder entre sociedade e Estado onde prevalecesse o compromisso com as maiorias trabalhadoras, com o desenvolvimento do país e o com o florescimento de uma identidade generosa face a nós brasileiros e ao “resto do mundo” e não podemos abrir mão de nosso patrimônio moral e político. Daí a importância de retomarmos a ética socialista do PT e seus valores radicais da igualdade e da liberdade consubstanciando estruturas organizativas autônomas frente ao Estado Capitalista, ao mercado e as nossas  próprias administrações  para nos reencontrarmos com os fundamentos que legitimaram a nossa existência enquanto partido na sociedade brasileira.


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PERFIL

Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.

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