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Atualidades
12-11-2010
Canudos: Tragédia Secular

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A Guerra de Canudos, na qual, calcula-se, morreram cerca de 15.000 pessoas, completou 100 anos. No dia 05 de outubro de 1897, depois de quatro expedições militares, um ano de lutas intermitentes e uma resistência feroz por parte de seus defensores, o arra


A Guerra de Canudos, na qual, calcula-se, morreram cerca de 15.000 pessoas, completou 100 anos. No dia 05 de outubro de 1897, depois de quatro expedições militares, um ano de lutas intermitentes e uma resistência feroz por parte de seus defensores, o arraial erigido pelo Conselheiro nor ermos do Nordeste da Bahia foi finalmente tomado por cerca de 5.000 soldados do Exército, fortemente armados. Dois dias antes, em 22 de setembro, morrera Antônio Conselheiro, o líder da rebelião. Há três versões para a causa de seu falecimento: desinteria, complicações derivadas de um ferimento leve ou mesmo tristeza em relação àqueles últimos momentos. Na verdade, Antônio Vicente Mendes Maciel foi um líderes espirituais mais controversos do Nordeste, celebrado pelo escritor Euclides da Cunha, em seu romance "Os Sertões". Canudos extrapolou a esfera religiosa e lançou o exemplo de uma instituição comunitária, onde se aglomeravam habitantes que representvam uma simbiose entre beatos e jagunços. Hoje, a vila não mais existe.

Encontra-se submersa, afogada que foi, em 1969, pelas águas do açude Cocorobó, concretizando a profecia do beato, que dizia que "o sertão iria virar mar". A cidade que hoje toma o nome de Canudos dista 10Km da original. À época, a população foi estimada pelo Exército em 25.000 pessoas, o que a configurava Canudos como a 2ª maior cidade da Bahia, perdendo apenas para Salvador. Antônio Conselheiro, ou Antônio dos Mares, é cearense, nascido em Quixeramobim, em 1830. Antes de tornar-se beato, foi professor primário, comerciante e rábula. Na sua perigrinação religiosa, já havia fundado outra comunidade, Bom Jesus - que hoje leva o nome de Crisópolis -, na década de 1880, para acomodar seus seguidores. Suas idéias logo entraram em choque com a Igreja tradicional da época. Em 1887, o arcebisco de Salvador, D. Luís Antônio dos Santos, pediu providências ao Governo do Estado - que por suas vez recorreu ao Império - exigindo a internação do líder num hospício.

Por trás disso, havia a pressão de vários coronéis do Sertão, que se achavam ameaçados política e economicamente por aqueles novos hábitos e idéias. O choque final veio com a proclamação da República, atacada duramente pelo Conselheiro, que instituiu, entre outras mudanças o casamento civil, desaprovado por ele. Com o regime recém-formado, era impossível tolerar qualquer ameaça às novas autoridades A História do conflito de Canudos O choque dos seguidores de Conselheiro e as autoridades começou com um equívoco. Correu o boato de que, por causa de um atraso na entrega de madeira para construção de uma Igreja, os fiéis iriam invadir a cidade de Juazeiro, à margem do rio São Francisco. A população assustada fez com que o juiz local notificasse o fato ao Governador Luís Viana, que acabou enviando uma expedição punitiva de 104 soldados, fragorosamente derrotada por homens, mulheres e crianças armados com pedras, paus, foices, facões e velhos trabucos. A segunda expedição tinha 550 homens, e foi derrotada em apenas dois dias de combate. Identificando Canudos como um pólo de resistência monarquista, a novíssima República transformou o caso em uma questão nacional. Desta feita, 1.300 homens, sob as ordens do Coronel Moreira César - um dos mais conceituados dentro dos quartéis -, foram levados à debandada quando o seu comandante foi morto logo no primeiro embate. O seu substituto, coronel Pedro Nunes Tamarindo, vendo a situação agravar-se, falou a frase hoje clássica nas retiradas militares: "é tempo de murici, cada um cuide de si". A partir daí, a chamada "Guerra de Canudos" invadiu as páginas de imprensa nacional.

O próprio Euclides da Cunha foi enviado como repórter pelo jornal "O Estado de São Paulo". Para a quarta expedição agruparam-se 5.000 homens, com batalhões do Rio Grande do Sul ao Amazonas, que se concentrariam em Aracaju, para daí partir em direção ao Arraial de Canudos. Até um chanhão withworth - de 1,7 tonelada transportado por 20 juntas de bois - foi utilizado. Em vão: as colunas foram derrotadas uma a uma, obrigando o próprio Ministro da Guerra, o marechal Carlos Machado Bittencourt, a vir comandar as operações pessoalmente. Com ele, chegaram mais 3.000 homens, já que, dos 5.000 soldados iniciais, 900 encontravam-se mortos ou feridos. O que se viu então foi uma verdadeira chacina, com a degola de todos os homens e a prisão de todas as mulheres. Canudos - um simples arraial no meio do Sertão -, mexeu com a estrutura de poder porque foi construída sobre ideais de igualdade entre seus habitantes, com crenças próprias e sistema político e social diferenciado. Uma vergonha para sempre registrada na História do Brasil.

FONTES:

- ALENCAR, Chico, RIBEIRO, Marcus Venício e CAPRI, Lúcia. Rio de Janeiro: História da Sociedade Brasileira - Editora Ao Livro Técnico.

- ARRUDA, José Jobson de A. e PILETT, Nelson. Toda a História: História Geral e História do Brasil. São Paulo: Ática.

- CUNHA, Euclides da. Os Sertões.



 


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