>>


Receba as notícias do mandato por e-mail Cadastro
Cadastro
Ver como é o informativo

E-mail obrigatório.
Digite seu e-mail.


Sair da lista




PRINCIPAL * CURSOS *
Imprimir Enviar para um amigo Indicar erro


Atualidades
26-05-2008
América Anglo-Saxônica: Estados Unidos da América e Canadá

A+   A -

Comentar Ver comentários

Os Estados Unidos e o Canadá são os dois únicos países do continente americano que apresentam uma economia de mercado desenvolvida. Ou seja, são os únicos países americanos incluídos no Norte industrializado.


01. DOIS PAÍSES E UMA SÓ ECONOMIA

Os Estados Unidos e o Canadá são os dois únicos países do continente americano que apresentam uma economia de mercado desenvolvida. Ou seja, são os únicos países americanos incluídos no Norte industrializado.

Eles formam a chamada América Anglo-Saxônica, pois o idioma oficial principal desses países é o inglês, língua de origem anglo-saxônica ou germânica. O espanhol e o francês, que são línguas de origem latina, também estão presentes: nos Estados Unidos é cada vez maior o número de pessoas que falam o espanhol, principalmente nas regiões do sul, onde ele é usado também em muitas escolas. As línguas oficiais do Canadá são o inglês e o francês. Mas esta última é a língua predominante na província de Quebec (habitada por dois terços dos cidadãos canadenses de língua francesa) e, em menor proporção, é falada em outras províncias (Manitoba, Nova Brunswick, Ontário). Assim, do ponto de vista lingüístico, essa porção da América é predominantemente anglo-saxônica, embora não de maneira exclusiva.

Os Estados Unidos e o Canadá são os maiores países do continente americano e estão entre os maiores do mundo: o Canadá tem uma área de 9 970 610 km2, sua capital é Ottawa, o governo é uma monarquia parlamentarista, administrativamente dividida em 10 províncias e 3 territórios que tem como chefe de estado a Rarinha Elizabeth II, do Reino Unido, que é representada pela Governadora Geral Michäelle Jean (desde 2005). O poder legislativo é bicameral (Senado com 104 membros e Casa dos Comuns com 308 membros), Stephen Harper é o Primeiro-Ministro e encontra-se no cargo desde 2006 num governo de minoria. Sua constituição está em vigor desde 1982. Pluripartidário, a política do Canadá conta hoje com três principais partidos: Liberal do Canadá (LPC), Conservador do Canadá (CPC) e o Bloco Quebec (BQ).

Os Estados Unidos - considerando o Alasca, localizado a noroeste do Canadá, e o Havaí, num arquipélago do oceano Pacífico - têm 9.372.615 km2. Apenas a Rússia é maior que ambos (17075400 km2), e a China, terceiro país do mundo em extensão territorial (9 597 000 km2) é maior que os Estados Unidos. Com a capital em Washington D.C., os Estados Unidos são uma república presidencialista, administrativamente dividida em 50 estados e o distrito de Colúmbia. Sua constituição é a mesma desde 1787. Desde 2001 é governado pelo Presidente George W. Bush (que foi reeleito em 2004). O poder legislativo é bicameral (Senado com100 membros e a Casa dos Representantes 435 membros). Pluripartidário, porém o poder político principal é disputado entre dois partidos: Democrata (DP) e Republicano (RP).

Estendendo-se de leste para oeste, ou seja, do oceano Atlântico até o oceano Pacífico, a área territorial desses países tem uma importância fundamental, pois favorece a existência de muitos recursos naturais. Mas o Canadá - que apresenta clima continental frio, com invernos rigorosos, além de clima frio polar no extremo norte - enfrenta dificuldades para povoar suas áreas mais geladas, não chegando, assim, a explorar totalmente seus recursos naturais.

Nesse aspecto, os Estados Unidos levam vantagem: apenas poucas áreas apresentam grandes alti-tudes, como as montanhas Rochosas (a oeste), ou clima árido, como o deserto do Colorado (a sudoeste). Isso possibilita o povoamento de quase todo o território e a exploração de mais recursos naturais.

Nas Montanhas Rochosas existem importantes recursos minerais. Essa cadeia de montanhas atravessa, de norte a sul, todo o oeste do Canadá e dos Estados Unidos, inclusive o Alasca.

A leste do Canadá localiza-se o Planalto do Labrador, com ricas reservas de ferro. Nos Montes Apalaches, a leste dos Estados Unidos, há reservas quase inesgotáveis de carvão mineral e carvão fóssil com numerosas minas exploradas a céu aberto.

No centro de ambos os países, há uma importante área de planície, chamada Planície Central, originalmente coberta por dois tipos de vegetação herbácea: as pradarias e as estepes. Nas áreas de pradarias o índice pluviométrico varia entre 250 e 500 mm por ano; as áreas das estepes são mais secas, com índice inferior a 250 mm.



Somente uma pequena área no sudoeste do Canadá está coberta por pradarias. Nos Estados Unidos, porém, uma imensa área apresenta essa vegetação, substituída pelas estepes apenas a oeste, na direção dos desertos e da área montanhosa.

O montante das reservas naturais dos Estados Unidos era de tal ordem que o país se caracterizou por um verdadeiro esbanjamento de recursos no início de sua industrialização. Exploravam-se apenas os melhores filões das jazidas de ferro, manganês, linhita, hulha, bauxita, cobre, níquel, petróleo, etc. Muitos poços petrolíferos e minas ainda em condições de funcionamento eram abandonados.

Esse desperdício acabou provocando sérios estragos no meio ambiente, além de esgotar diversas minas. É por isso que atualmente os Estados Unidos dependem da importação de alguns produtos, como manganês, bauxita e níquel.

As jazidas minerais mais importantes do Canadá localizam-se próximo à fronteira com os Estados Unidos. O clima mais ameno, a importância econômica de tais jazidas e da planície Central e a proximidade dos Grandes Lagos explicam por que essa área limítrofe é a mais populosa do país.

O Canadá possui uma população reduzida: 33 milhões de habitantes. Os Estados Unidos, por sua vez, têm cerca de 304 milhões de habitantes - pouco mais de 4% da população mundial -, que desfrutam de um elevadíssimo padrão de consumo. Trata-se do maior e mais diversificado mercado consumidor nacional do planeta.

Tal mercado tende a se fortalecer mais ainda, uma vez que nas últimas décadas a economia do Canadá vem se integrando cada vez mais à dos Estados Unidos. Essa integração foi adquirindo um contorno mais nítido nas primeiras décadas do século XX, quando os Estados Unidos iniciaram pesados investimentos na economia canadense, mantidos até hoje. Também a economia mexicana, embora mais pobre, vem estreitando seus laços com os Estados Unidos, principalmente a partir dos anos 1990.

02. OS INGLESES E A AMÉRICA NOS SÉCULOS XV E XVI

A sociedade inglesa, ainda em processo de formação do seu Estado Nacional, não teve condições de empreender uma atividade ultramarina sistemática quando Portugal e Espanha iniciaram a colonização da América em meio à Expansão Marítima e Comercial.

Isso não significou, porém, que os ingleses mostrassem desinteresse pelas terras americanas. Tão logo terminaram a Guerra dos Cem Anos (1453) e a Guerra das Duas Rosas (1485), os monarcas da dinastia Tudor, cuja ascensão coincidiu com a implantação do Absolutismo e o início da política econômica mercantilista, estimularam a ida de expedições à América do Norte.

Incentivados pelas riquezas orientais, buscaram a "passagem do Noroeste" que, ultrapassando o continente americano, permitisse chegar às Índias. Velejando ao longo do litoral da América do Norte, embarcações inglesas atingiram as águas geladas e cheias de icebergs do Oceano Glacial Ártico ou penetraram em baías e rios americanos buscando uma rota para a Ásia. Atraídos pela revelação das riquezas encontradas pelos espanhóis, ingleses ou navegadores italianos, a serviço da Coroa inglesa, navegaram para a América autorizados a fundar estabelecimentos colonizadores nas terras que descobrissem. Citam-se as frustradas tentativas de Giovanni Gaboto que empreendeu duas viagens em 1497 e 1498, tendo atingido a Carolina do Sul, e a expedição de Humphrey Gilbert (1578) que chegou à Ilha de Roanoke, no litoral da Carolina do Norte.

O reinado de Elisabeth I, marcado pela crescente rivalidade com a Espanha de Felipe II, caracterizou-se pelo impulso dado à construção naval e ao comércio marítimo, envolvendo também a atividade corsária.

Foi então que se intensificaram as viagens inglesas ao Novo Mundo, seja para saquear as embarca-ções e colônias espanholas ou para empreender lucrativo contrabando das Antilhas, seja para começar a colonização. Foi com permissão da rainha que Walter Raleigh armou três expedições à América do Norte em 1584, 1585 e 1587. Essas expedições procuraram colonizar a Virgínia, nome dado à terra descoberta (Carolina do Norte), e a Ilha de Roanoke, mas seus intentos não foram atingidos, devido, entre outras coisas, aos ataques dos indígenas aos colonizadores.

O começo da guerra com a Espanha e a ameaça de invasão da Inglaterra, em parte afastada pela destruição da Invencível Armada (1588), paralisaram as atividades ultramarinas inglesas até a ascensão dos Stuart (1603).

03. ESTADOS UNIDOS: DAS TREZE COLÔNIAS INGLESAS À FEDERAÇÃO

Ao se iniciar o século XVII a Inglaterra vivia uma nova conjuntura que favorecia uma ação colonizadora sistemática em territórios da América do Norte e das Antilhas.

O poderio espanhol fora quebrado e a decadência dos Habsburgo de Madri contrastava com o desenvolvimento inglês. A burguesia e a Monarquia inglesas dispunham de uma frota em pleno desenvolvimento. Capitais privados haviam sido acumulados e buscavam multiplicar-se mediante novos investimentos, como o comércio e a colonização em terras do ultramar.

O Rei Jaime I autorizou o funcionamento da Companhia de Londres e da Companhia de Plymouth, cujos acionistas pertenciam à burguesia londrina e à de Plymouth. Por Carta Régia a Companhia de Plymouth recebeu o monopólio do comércio e da colonização das terras entre a Flórida (ao sul), e o Rio Potomac (ao norte), enquanto a Companhia de Londres teve idênticos direitos para os territórios entre o Cabo Fear e Nova Iorque, em uma região que veio a ser conhecida como Nova Inglaterra.

Entre as duas áreas da colonização ficaram as terras consideradas terras de ninguém, assim proce-dendo a Coroa para evitar conflitos entre os colonos enviados pelas duas companhias. Foi justamente nessa região que os holandeses da Companhia das Índias Ocidentais estabeleceram pontos de ocupação. A primeira leva de imigrantes, sob o comando de Cornelius Jacob May, chegou em 1624 e se dispersou fundando o Forte Nassau no Delaware e o Forte Orange (mais tarde chamado Albany), além de ocupar a Ilha de Manhattan, onde criaram Nieuwe Amsterdam, com a participação de calvinistas franceses (1626).

Entre o fim do século XV e o começo do XVI, navegadores contratados pela Inglaterra e pela França desembarcaram na porção norte do continente americano. Mas foi no século XVII que a Inglaterra iniciou a colonização do território que hoje constitui os Estados Unidos.

Em 1607, puritanos - membros de uma seita protestante - desembarcaram na baía que recebeu o nome de Chesapeake, na planície litorânea do oceano Atlântico. Aí fundaram a cidade de Jamestown, no atual estado da Virgínia. Em 1620, a bordo do navio Mayflower, outro grupo de puritanos desembarcou a nordeste daquela mesma planície, fundando a cidade de Plymouth.

Ao longo do século XVII, outras colônias foram surgindo de norte a sul na faixa litorânea leste. Assim, em meados do século XVIII, estavam formadas as Treze Colônias inglesas na América do Norte: Rhode Island, New Hampshire, Nova York, Massachusetts, Connecticut, Pensilvânia, Nova Jersey, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. Essas colônias são consideradas os primórdios dos Estados Unidos da América.

Essa colonização está intimamente ligada ao que acontecia na Inglaterra desde o começo do século XVI. As graves disputas político-religiosas internas levaram um grande número de ingleses - a maioria, bem situada economicamente - a procurar reconstruir suas vidas fora da Europa. Por isso, as colônias do norte do continente americano eram também conhecidas como Nova Inglaterra.

Outro fator que levou muitos a quererem participar da colonização do continente americano foi a transformação da zona rural inglesa, tipicamente de áreas cultivadas, em região de pastagem para a criação de carneiros. O objetivo era fornecer matéria-prima (lã) para a nascente indústria têxtil inglesa. Esse processo diminuiu a necessidade de mão-de-obra no campo. Surgiram, então, correntes migratórias, que se instalaram na zona temperada ao norte do continente americano, pretendendo formar ali uma Nova Europa, como de fato o fizeram.

Os ingleses desenvolveram, assim, na região que corresponde ao norte e ao centro da costa leste dos atuais Estados Unidos, a chamada colonização de povoamento, que apresentava características especiais. Isso porque, além de religiosos, os puritanos tinham uma concepção de vida em sociedade baseada em princípios democráticos. Desde que chegaram à América do Norte, estabeleceram relações de independência entre as colônias, ainda que unidas em torno de objetivos comuns, o que foi de grande importância no momento de se libertarem da Inglaterra, como veremos mais adiante.



Embora reconhecendo a supremacia do governo inglês, desde o princípio os colonizadores do norte e do centro da costa atlântica asseguraram certa autonomia em relação à metrópole. Isso se traduziu na organização econômica dessas colônias, que passaram a desenvolver manufaturas, como roupas e gêneros alimentícios, apesar da proibição da Inglaterra.

As colônias do sul, ao contrário, desenvolveram grandes propriedades agrícolas, com emprego de mão-de-obra escrava. A agricultura era voltada para o mercado externo, especializando-se na produção de mercadorias tropicais, como tabaco e algodão, de grande interesse comercial na Europa. O cultivo de tais produtos levou ao estabelecimento de relações mais estreitas entre essas colônias - consideradas de exploração - e a metrópole. Temos assim uma grande diferença entre dois tipos de colonização: a de povoamento, tal como ocorreu no litoral norte dos Estados Unidos (e também no Canadá), e a de exploração, que ocorreu no sul dos Esados Unidos e também na América Latina. No primeiro tipo, o objetivo dos europeus que vinham para a América era fundar uma nova pátria, isto é, morar permanentemente; no segundo tipo, pelo contrário, o objetivo era tão-somente enriquecer e voltar para a metrópole. É por isso que o primeiro é denominado colonização de povoamento, ao passo que o segundo é chamado de colonização mercantilista ou de exploração.

As colônias surgidas na região central foram das últimas a ser fundadas, o que não significou que ela permanecesse excluída do movimento colonizador europeu. Somente com a Restauração dos Stuart, em 1660, ocorreu novo impulso colonizador, em parte ligado ao interesse de elementos da nobreza inglesa em obter vastas propriedades na América a fim de aumentar suas riquezas. É o caso, por exemplo, do Duque de Iorque que recebeu do seu irmão, o Rei Carlos II, a Colônia de Nova Iorque (1664), recém-conquistada aos holandeses.

A própria heterogeneidade da população influiu tanto no cultivo da terra como na criação do gado, dado que raças diversas foram importadas da Europa - porcos, ovelhas e touros -, originando numero-sos rebanhos que proporcionavam alimentos e matérias-primas.

As indústrias também constituíam florescente atividade econômica, não obstante a legislação mer-cantilista fosse hostil à produção manufatureira colonial. As madeiras das ricas florestas eram trabalhadas na serrarias que produziam material para construção naval, intensamente praticada nos estaleiros de Nova Iorque. Nova Jérsei e Pensilvânia destacaram-se na manufatura, enquanto que em todas as Colônias Centrais, como na Nova Inglaterra, a produção caseira de geléias, gelatinas e bebidas gerou um excedente comerciável. Moinhos estabelecidos no Delaware, Nova Iorque e Pensilvânia geravam farinhas diversas, destacando-se a farinha de trigo que era ensacada e exportada em larga escala.

Estabeleceu-se também ativo comércio de peles com os indígenas, trocadas geralmente por pólvora e rum. Desde os primórdios do período colonial, portanto, as Colônias Centrais e as Setentrionais tiveram um início de atividades manufatureiras.

As manufaturas produzidas no norte e no centro logo se firmaram como de fácil e rentável comercialização. Para explorar o mercado de regiões mais distantes, os colonos passaram a construir navios, que também permitiram a comercialização da pesca na Terra Nova, uma ilha do Canadá.

Além de efetuarem o intercâmbio entre as Treze Colônias, os navios do norte e do centro passaram a exportar para a Europa mercadorias tropicais compradas nas colônias do sul.

As relações comerciais com as Antilhas (América Central) também se tornaram possíveis: os produtos manufaturados eram exportados e de lá se importava melado de cana-de-açúcar. Do melado, os colonos ingleses do norte e do centro produziam bebida alcoólica e a levavam para a África, onde era trocada por escravos negros. Estes, por sua vez, eram vendidos nas Antilhas e nas colônias do sul da América do Norte.

O contínuo crescimento das manufaturas ampliou a autonomia dos colonos do norte em relação à me-trópole. Se no século XVII a Inglaterra via com bons olhos a saída de inúmeros grupos de puritanos e não interferiu muito na organização das colônias, em meados do século XVIII ela mudou sua posição.

04. FORMAÇÃO DO CANADÁ

O território do atual Canadá é peça importante no contexto da migração dos povos asiáticos para o continente americano, entre 25 mil e 35 mil anos atrás. Exploradores norse (povo do norte da Europa) chegam à região no século X. Em 1497, Giovanni Caboto (Conhecido também como John Cabot), explorador italiano a serviço do rei inglês Henrique VII, atinge a costa. No entanto, a colonização tem início com os franceses, no século XVI, quando Jacques Cartier chega ao golfo de São Lourenço.

Com o restabelecimento da ordem interna no reinado de Henrique IV (1589-1610), cujo Absolutismo Monárquico já se apresentava consolidado e fazia da política mercantilista uma de suas bases de sustentação, a ação colonizadora francesa pode tornar-se efetiva em terras americanas.

Foi no Canadá, ou Nova França, que se criaram os primeiros estabelecimentos coloniais duradouros. Graças à ação de Samuel Champlain fundou-se Port-Royal (1605), no litoral do Atlântico, e Quebec (1608), em uma das margens do Rio São Lourenço, logo convertida em foco de irradiação para o interior.

Em 1629, os ingleses tentam conquistar Québec - cidade fundada em 1608 -, mas só começam a se instalar na região dos Grandes Lagos em 1717. Tropas da França e da Inglaterra enfrentam-se no Canadá por quase 80 anos.

Paralelamente à luta contra os Habsburgo do Sacro Império Romano Germânico e da Espanha (Guerra dos Trinta Anos, de 1618 a 1648), o Cardeal Richelieu procurou intensificar a colonização do Canadá. Com esse objetivo autorizou a organização da Companhia dos Cem Associados, também chamada de Companhia da Nova França, atribuindo-lhe o monopólio do comércio de peles canadenses durante 15 anos. Neste prazo a companhia deveria transportar 4000 franceses católicos para o Canadá a fim de ativar o povoamento branco, ainda que a conversão dos indígenas devesse ser realizada.

Durante 15 anos a companhia teria ainda a isenção do pagamento de impostos sobre as mercadorias que enviasse à França.

Embora fizesse amplas concessões à Companhia dos Cem Associados, a Monarquia francesa cometeu o erro de marginalizar o elemento protestante, com isso excluindo a participação dos huguenotes - muitos dos quais integrantes da burguesia. Desse modo, afastou capitais e indivíduos que poderiam tornar mais sólida a ação colonizadora na América do Norte.

A política indigenista iniciada desde Champlain levou à conclusão de acordos com os hurões e algonquinos, disso resultando forte mestiçagem e a intensificação do comércio de peles preciosas, como dos castores e cervos. Contudo, esse comércio baseava-se essencialmente na troca de peles por bebidas alcoólicas (aguardente e licores), o que provocou protestos dos jesuítas, gerando conflitos com os demais colonizadores. Os atritos com os jesuítas também se ligavam ao fato de esses sacerdotes tentarem isolar os indígenas mediante sua integração em reduções semelhantes às organizadas na América do Sul. Ora aos comerciantes e coureurs de bois (ou batedores de matas) interessava que os indígenas continuassem a viver em suas próprias aldeias, onde livremente poderiam trocar peles raras por vasilhas, machados e até armas de fogo. Os hurões e ottawas chegavam inclusive a funcionar como intermediários desse comércio: de outras tribos adquiriam peles e revendiam aos franco- canadenses, seja nas suas aldeias, seja na feira anual de Montreal.

Por outro lado, a colonização enfrentou sérias dificuldades pelas constantes guerras contra os iroqueses, cuja belicosidade se prendia a suas rivalidades com os hurões e algonquinos, aliados dos franco-canadenses. Essas guerras também decorreram da política inglesa que se utilizou dos iroqueses para tacar as áreas coloniais francesas na América do Norte.

A colonização ganhou maior vigor, quando, aconselhado por seu Ministro Jean-Baptiste Colbert, Luís XIV resolveu tirar o Canadá do controle da Companhia dos Cem Associados e transformá-lo colônia da Coroa.

Diferentemente de Richelieu, que via nas colônias um benefício político, Colbert considerava o Canadá e as demais colônias como áreas complementares da economia metropolitana, ou seja, colônia de exploração. A fim de atingir esses objetivos empreendeu-se a reorganização administrativa do Canadá e intensificou-se o seu povoamento.

No plano administrativo criou-se o cargo de Governador Geral, representante do Rei e residente em Quebec, cabendo-lhe o comando das forças militares, a fiscalização do relacionamento com os índios e a presidência do Conselho. Cuidando das questões relativas à justiça, fazenda pública e vida civil estava o Intendente. Um Conselho, com representantes eleitos de Trois Rivières, Quebec e Montreal, além do Bispo de Quebec, assessorava o Governador Geral sobre assuntos diversos e funcionava também como tribunal de apelação. Todo o Canadá foi subdividido em Paróquias, cada uma possuindo um sacerdote, juiz e um comandante da milícia.

Apesar do incentivo do Governo francês, o povoamento permaneceu reduzido. Em 1663 havia 2500 brancos no Canadá, dos quais 800 em Quebec. Em fins do século, o Canadá tinha 12000 habitantes. Em 1713, os habitantes eram 18.000; em 1744, 45.000; em 1763, 65.000. Esse crescimento populacional, contudo, explica-se muito mais pelo elevado índice de natalidade das famílias franco-americanas do que pela imigração. Além do mais, a população vivia dispersa, para isso muito contribuindo os atrativos oferecidos pelo comércio de peles, pela exploração dos bosques e pela pesca, que são atividades econômicas nômades ou seminômades.

No processo colonizador a Igreja desempenhou um papel tão importante quanto o exercido na América Ibérica. Proprietária de grandes extensões de terras que eram cultivadas por arrendatários submetidos ao dízimo eclesiástico e à obrigação de entregar parte do produzido, a Igreja era uma das forças de concentração de riquezas e de poder. Além da evangelização dos indígenas, os sacerdotes encarregam-se também do ensino realizado nas escolas paroquiais e de inúmeras obras de assistência social. Constituindo um dos sustentáculos da colonização, inclusive atuando como agentes de expansão dos domínios franco-americanos, os jesuítas tiveram marcante atuação na América do Norte francesa.

A medida que a colonização da. Nova França avançou pelo interior, as possibilidades econômicas oferecidas pelo comércio de peles estimularam a organização de expedições para explorar as bacias fluviais situadas ao sul dos Grandes Lagos.

Começava, então, a surgir nova área de colonização francesa: a Luisiana. Criava-se, porém, um duplo problema, pois sairia do Canadá, de população reduzida, o impulso colonizador da Luisiana: os batedores das matas, que buscavam peles de marta, castor, visão etc., e os jesuítas em sua missão evangelizadora foram os principais agentes da empresa colonial na Luisiana, também ocupada basicamente por feitorias, fortes e missões.

Interessado em reforçar seus domínios na América do Norte, Luís XIV aceitou os projetos do canadense Pierre Le Moyne, Senhor de Iberville, para a exploração e ocupação da Luisiana. Empreendendo expedições ao Mississipi, em cuja embocadura, nas vizinhanças do Golfo do México, Le Moyne fundou Biloxi (1699) e Mobilie (1700).

Para Mobille foram atraídos colonos do Canadá e da França, mas era precário o domínio francês na região, não só por causa do povoamento disperso e numericamente reduzido, mas porque era ameaçado pelas presenças espanhola na Flórida e inglesa nas Treze Colônias, cuja expansão era bloqueada pelos franceses do Canadá e da Luisiana.

Em inícios do século XVIII, o banqueiro escocês John Law criou na França uma companhia para especulações desonestas e, a fim de atrair capitais, a Luisiana foi usada como chamariz.

Embora a companhia tivesse falido fraudulentamente, arruinando muitos dos seus acionistas, o empreendimento de Law possibilitou a fundação de Nova Orleães, logo convertida em capital da Luisiana (1717).

As bases sócio-econômicas da Luisiana, contudo, permaneceram frágeis: povoamento reduzido e disperso porque fundamentado no comércio de peles com os indígenas.

Em 1759, forças inglesas conquistam Québec e em 1763, um tratado de paz reconhece o controle britânico sobre todo o país. Lei de Québec, de 1774, porém, permite que os colonos franceses mantenham língua, costumes e leis civis. Em 1793, a expedição de Alexander Mackenzie chega à costa do Pacífico. O marco inicial da independência é o British North América Act, de 1867, que cria um Poder Legislativo subordinado ao Reino Unido. A separação se completa em 1931, com o fim da subordinação do Parlamento canadense.

As reivindicações por autonomia em Québec crescem após a II Guerra Mundial. Em 1968, o Canadá adota o francês como língua oficial, ao lado do inglês. A maioria dos quebequenses, porém, rejeita em referendo tanto um projeto de independência (1980) como uma proposta de mais autonomia à província (1992). Em 1995, os separatistas são derrotados, em novo plebiscito, por apenas 50 mil votos de diferença. Obtêm 49,4% de apoio, contra 50,6% dos contrários às propostas de soberania. Em 2000, a Casa dos Comuns restringe o poder das províncias em matéria de secessão.

05. A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

A Independência dos Estados Unidos é considerada a primeira revolução americana (a segunda foi a Guerra de Secessão, também nos Estados Unidos). Ela foi um marco na crise do Antigo Regime porque rompeu a unidade do sistema colonial.

As treze colônias americanas se formaram a partir do século XVII. Nos fins do século XVIII, havia 680 000 habitantes no norte, ou Nova Inglaterra: Massachusetts, Nova Hampshire, e Rhode Island e Connecticut: 530.000 no centro: Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey e Delawere; e 980.000 no sul: Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. Ao todo, mais de 2 milhões de colonizadores.

As Leis Inglesas de navegação não impediam o desenvolvimento da colônia porque não eram aplicadas. Mas quando o comércio colonial começou a concorrer com o comércio metropolitano, surgiram atritos que culminaram com a emancipação das treze colônias.

O crescimento do comércio colonial fez a Inglaterra mudar de política. Um dado conjuntural contribuiu para a mudança: a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), entre Inglaterra e França. Vencedora, a Inglaterra se apossou de grande parte do Império Colonial Francês, especialmente as terras a oeste das treze colônias americanas. O Parlamento Inglês decidiu que os colonos deviam pagar parte dos custos da guerra. O objetivo era aumentar as taxas e os direitos da Coroa na América. Os ingleses também eram movidos pelo comportamento dos colonos, que não haviam colaborado com material e homens; ao contrário, aproveitaram a guerra para lucrar, comerciando com os franceses no Canadá e nas Antilhas.

A política repressiva dos ingleses, aliada a fatores culturais, como a influência do iluminismo, teve papel importante no processo revolucionário americano. George Grenville, primeiro-ministro inglês, decidiu colocar na colônia uma força militar de 10.000 homens, acarretando uma despesa de 350.000 libras. O Parlamento inglês aprovou duas leis para arrecadar um terço da quantia: a Lei do Açúcar (Sugar Act) e a Lei do Selo (Stamp Act).

O Sugar Act (1764) prejudicava os americanos, pois taxava produtos que não viessem das Antilhas Britânicas e acrescentava vários produtos à lista dos artigos enumerados, que só poderiam ser ex-portados para a Inglaterra. O Stamp Act (1765) exigia a selagem até de baralhos e dados. Os colonos protestaram, argumentando que se tratava de imposto interno, e não externo como de costume, e que não tinham representação no Parlamento que havia votado a lei. Reuniu-se então em Nova York, em 1765 o Congresso da Lei do Selo, que, declarando-se fiel à Coroa, decidiu boicotar o comércio inglês. Os comerciantes ingleses pressionaram o Parlamento e a Lei do Selo foi revogada.

Os colonos continuaram contestando o direito legislativo do Parlamento inglês. Recusaram-se a cumprir a Lei de Aquartelamento (1765), que exigia dos colonos alojamento, víveres e transporte para as tropas enviadas à colônia.

Ao substituir Grenville, o primeiro-ministro Charles Townshend baixou em 1767 atos baseados num princípio: se os colonos não queriam pagar impostos internos, pagassem então os externos, isto é, impostos sobre produtos importados, como chá, vidro, papel, zarcão, corantes. Era impossível burlar a lei, diante da criação da Junta Alfandegária Americana, que ainda executaria os odiados Mandados de Busca. O boicote funcionou novamente e o comércio inglês se reduziu a um terço do normal. Mais uma vez os importadores agiram e, em 1770, foram abolidos os Atos Townshend, exceto o imposto sobre o chá.

A crise explodiu em 1773 com a Lei do Chá (Tea Act), que dava o monopólio desse comércio à Companhia das Índias Orientais, onde vários políticos ingleses tinham interesses. A Companhia transportaria o chá diretamente das Índias para a América. Os intermediários tiveram grande prejuízo e ficou aberto um precedente perigoso: quem garantia que o mesmo não seria feito com outros produtos? A reação não demorou. No porto de Boston, comerciantes disfarçados de índios mohawks destruíram trezentas caixas de chá, tiradas dos barcos, no episódio conhecido como, Festa do Chá de Boston (The Boston Tea Party). Se o Parlamento cedesse, jamais recuperaria o controle da situação. Agiu energicamente. Votou as Leis Intoleráveis em 1774: o porto de Boston estava interditado até o pagamento dos prejuízos; funcionários ingleses que praticassem crimes durante as investigações seriam julgados em outra colônia ou na Inglaterra; o governador de Massachusetts teria poderes excepcionais; tropas inglesas ficariam aquarteladas em Boston.

Até aqui está evidente a oposição dos grupos mercantis da colônia aos ingleses, bem como as causas. Mas por que os agricultores ficaram ao lado dos comerciantes contra a metrópole?

Até 1763, o governo inglês havia estimulado a ocupação das terras rumo ao oeste, como forma de combater as pretensões francesas e espanholas. Desaparecidas as ameaças, seria preferível conter a população no litoral, para facilitar o controle político-fiscal. Além disso, os ingleses controlavam o comércio de peles com os índios e não desejavam a intromissão dos colonos. Por fim, agora que as terras estavam valorizadas, a Coroa podia passar a vendê-las. Tais motivos explicam a Proclamação Régia de 1763 que demarcava as terras além dos Aleghanis como reserva indígena. Em 1764, a Coroa completou a política de contensão do pioneirismo com o Ato de Quebec, pelo qual o governador de Quebec passaria a controlar grande parte das terras do centro-oeste.

Os pioneiros iam vendendo suas terras e avançando sobre terras virgens. As novas leis decretavam sua falência. O grande proprietário sulista, também sempre endividado com o comerciante importador e exportador da Inglaterra, sofreria igual destino, pois só se salvava ocupando novas terras. A Lei da Moeda (Currence Act) de 1764, proibindo a emissão de dinheiro na colônia, limitava a alta de preços dos produtos agrícolas e tornava ainda mais difícil a situação dos plantadores.

O processo da Independência tem importante antecedente em setembro de 1774, quando as Leis Intoleráveis determinaram a convocação do Primeiro Congresso Continental de Filadélfia, de caráter não-separatista. Ele enviou petição ao rei e ao Parlamento pedindo a revogação daquelas leis, em nome da igualdade de direitos dos colonos. Em 1775, um conflito em Lexington provocou a morte de alguns colonos e eles passaram a organizar-se militarmente.

O rei declarou os americanos em rebeldia e os colonos passaram à revolta aberta. Um panfleto de Tom Paine, Bom Senso, exortava à luta por liberdade. Em 1776, a Virgínia tomou a iniciativa e declarou-se independente, com uma explícita Declaração dos Direitos do Homem. O Segundo Congresso da Filadélfia, reuniu-se desde 1775, já manifestava caráter separatista. George Washington, da Virgínia, foi nomeado comandante das tropas americanas e encarregou uma comissão liderada por Thomas Jefferson, de redigir a Declaração da Independência. Em 4 de julho de 1776, reunidos nas Filadélfia, delegados de todos os territórios promulgaram o documento, com mudanças introduzidas por Benjamin Franklin e Samuel Adams.

A Guerra da Independência começa em março de 1775: os americanos tomam Boston. Tinham força de vontade, mas interesses divergentes e falta de organização. Das colônias do Sul, só a Virgínia agia com decisão. Os canadenses permaneceram fiéis à Inglaterra. Os voluntários do exército, alistados por um ano, volta e meia abandonavam a luta para cuidar de seus afazeres. Os oficiais, geralmente estrangeiros, não estavam envolvidos no conflito. Vencidos em Nova York e Filadélfia (1777), os colonos ganharam novo ânimo ao ganhar a batalha de Saratoga.

A intervenção francesa foi decisiva. Os franceses estavam afinados com os ideais de liberdade do movimento, estimulados pela propaganda feita por Franklin e motivados pela intenção de golpear a Inglaterra, que lhes havia imposto pesadas perdas em 1763. Assinaram um tratado, transferindo dinheiro aos americanos e buscando a aliança dos espanhóis contra os ingleses. Com a ajuda marítima francesa, a guerra ampliou-se para o Caribe e as Índias. Em 1779, La Fayette conseguiu a liberação de 7 500 franceses comandados pelo general Rochambeau. Em 1781, sitiado em Yorktown, o exército inglês capitulou.

O Tratado de Versalhes, em 1783, reconheceu a independência dos Estados Unidos da América, com fronteiras nos Grandes Lagos e no Mississipi. A França recuperou Santa Lúcia e Tobago nas Antilhas e seus estabelecimentos no Senegal. A Espanha recebeu a ilha de Minorca e a região da Flórida.

Em 1787, os Estados Unidos proclamaram sua primeira Constituição. Resumia a tendência republicana defendida por Jefferson, que queria grande autonomia política para os Estados membros da federação; e a tendência federalista, que lutava por um poder central forte. O presidente seria eleito pelo período de quatro anos por representantes das Assembléias dos cidadãos. Duas casas comporiam o Congresso: a Câmara dos Representantes, com delegados de cada Estado na proporção de suas populações; e o Senado, com dois representantes por Estado. O Congresso votaria leis e orçamentos. O Senado velaria pela política exterior principalmente. Uma Corte Suprema composta por nove juízes indicados pelo presidente resolveria os conflitos entre Estados e entre estes e a União. Em suas linhas mestras, tais princípios constitucionais permanecem até hoje.

06. A GUERRA DA SECESSÃO



Do outro lado do Atlântico, durante o processo de unificação de Itália e Alemanha, os Estados Unidos cresciam. A população aumentava, estimulada pelas vagas de imigrantes; o território também, com a integração de novas terras, compradas ou conquistadas. As contradições entre norte e sul se acirraram, culminando em grande conflito, a Guerra de Secessão.

Na base da disputa estava a questão dos escravos. Tratava-se de um choque de civilizações entre o norte industrializado, protecionista e estimulado por um vivo espírito religioso, e o sul rural, dominado por uma aristocracia de ricos plantadores. Foi a maior guerra antes do conflito mundial de 1914-1918.

Depois do reconhecimento de sua Independência em 1783 e da promulgação de sua Constituição em 1787, os Estados Unidos traçaram sua política exterior isolacionista. George Washington adotou o comportamento de não se intrometer em assuntos europeus. Em 1822, a Doutrina Monroe confirmou a tendência e reservou esta parte do mundo para o próprio imperialismo americano. Dez anos antes, o país havia guerreado novamente contra a Inglaterra, por causa das pretensões ame-ricanas sobre o Canadá e do bloqueio inglês ao comércio de seus antigos colonos com a França; foi a Segunda Guerra de Independência. A Paz Eterna de Gand pôs fim ao conflito.

O crescimento mudou a política interna dos Estados Unidos. O domínio do partido dos whigs, dos grandes proprietários e comerciantes ricos do leste, foi abalado com a participação política dos pequenos proprietários, que deram origem ao Partido Democrata. Andrew Jackson, unindo pequenos agricultores e artesãos contra os grandes capitalistas, elegeu-se para os mandatos de 1829-1837. Começava uma fase democrata; Jackson iniciou o spoil sistem, política de expurgar os membros do partido vencido dos postos administrativos. Isolacionismo na política externa, expansionismo na interna. Migrantes internos e imigrantes europeus aceleraram a ocupação do território. A população quase dobrou entre 1790 e 1810, quando passou dos 7 milhões de habitantes. Em l870 alcançava os 40 milhões. A marcha do crescimento territorial:

1803 - Os Estados Unidos compram a Louisiana de Napoleão Bonaparte por 15 milhões de dólares.

1819 - Por 5 milhões, compram a Flórida da Espanha.

1845 - Declarando-se independente do México, o Texas une-se aos Estados Unidos.

1846 - Findo litígio com a Inglaterra, anexam o Oregon.

1848 - Depois de guerra por fronteiras contra o México, anexam Nevada, Califórnia, Utah, Arizona e Novo México.

O país ficou com 7.800.000 km2 de superfície. De 23 Estados em 1820, passou a ter 33 em 1860; nesse período a população passou de 9.600.000 para 31.300.000 habitantes, graças à imigração. Só entre 1830 e 1860, entraram no país 4.600.000 imigrantes, 16% deles ingleses, 39% irlandeses e 30% alemães. Nova York ficou com 1 milhão de habitantes.

A pressão populacional incentivou a marcha para o Oeste. Em 1848 e 1849 deu-se a corrida do ouro na Califórnia. O Homestead Act de 1862 autorizou a distribuição de terras aos estrangeiros, acelerando a ocupação rumo ao Pacífico. Os índios perderam terras a que tinham direito, em geral de forma violenta.

A falta de mão-de-obra favoreceu o desenvolvimento da indústria de máquinas agrícolas. A indústria têxtil de lã e algodão concentrou-se na Nova Inglaterra; a extração de carvão e a siderurgia, na Pensilvânia. Em 1860, enquanto a industrialização avançava na Europa e o café salvava a balança comercial do Brasil, os Estados Unidos já possuíam 50.000 quilômetros de ferrovias e se preparavam para construir as primeiras transcontinentais, ligando o Atlântico ao Pacífico.

A industrialização européia expandiu os mercados para o algodão, que os Estados sulinos produziam em grande escala.

O início da arrancada econômica dos nortistas, firmes na política de industrialização, se dá em 1860. O sul vendia algodão para a Europa. O valor das exportações representava 22% da produção nacional em 1810 e 57% em 1860. A produção praticamente duplicava a cada dez anos.

O sul se convenceu de que deveria dirigir a União e que seus interesses deveriam prevalecer. Surgiram conflitos na política tarifária entre 1828 e 1832: o sul queria tarifas de importação e exportação baixas; o norte queria proteção tarifária para se proteger da concorrência estrangeira. O norte queria a formação de um mercado interno: compraria algodão no sul, industrializaria e produziria as manufaturas necessárias ao país.

O escravo era o motor da produção agrícola. Portanto, precisava ser defendido. Embora proibido desde 1815, o tráfico de escravos persistiu, sob forma de contrabando, até 1860. Apesar disso e de sua criação sistemática nas fazendas, os escravos tinham o preço aumentado continuamente. Para os sulistas, a solução era expandir as áreas de trabalho escravo. Os nortistas combatiam tal idéia e defendiam a ocupação de novos territórios pelo trabalho livre de pioneiros e imigrantes.

Crescia a campanha pela abolição da escravatura, conduzida por homens influenciados pelas idéias iluministas e por religiosos que se baseavam na Bíblia para condená-Ia. William Garrison fundou O Libertador, logo transformado em porta-voz dos abolicionistas. O Acordo do Mississipi, de 1820, autorizava a escravidão apenas abaixo do paralelo 36°40; os abolicionistas ajudavam os negros a fugir para as regiões livres.

A questão agitava a opinião pública. Em 1847, foi fundado na África o Estado da Libéria, para receber escravos libertos que quisessem voltar a sua terra. Em 1852, Harriet Beecher Stowe publicou A Cabana do Pai Tomás, romance abolicionista que vendeu 3.000.00 exemplares no primeiro ano de edição. Poetas e pensadores, como Longfellow, Emerson e Melville, apoiaram a causa. Antes de 1850, havia 200.000 abolicionistas organizados e mais de 2.000 associações.

Recém-chegada, a Califórnia pediu sua integração como Estado não-escravista, apesar de estar abaixo do paralelo-limite, o que foi aprovado. Em 1850, o Compromisso Clay delegou aos habitantes de cada Estado o direito de decidir sobre a escravidão, reforçando o Acordo do Mississipi. Em 1854, o recém-criado Partido Republicano também abraçou a causa.

As posições se radicalizaram. Abolicionistas e escravistas passaram a confrontar-se militarmente, enquanto o governo apaziguava, fazendo concessões aos sulistas. O negro Dred Scott pediu sua liberdade em 1857, por ter morado duas vezes em território livre, conforme lhe assegurava a lei. O tribunal negou, por não considerar os negros como cidadãos. A corrente abolicionista ficou abalada. Em 1859, John Brown tentou sublevar os escravos da Virgínia, tomando um arsenal do Exército. Preso e enforcado transformou-se em mártir do abolicionismo.

A divisão diante da escravidão tomou um sentido geográfico, separando o norte do sul.

Em 1860, surge como candidato presidencial do Partido Republicano um político de atitudes moderadas em relação à escravidão e determinado, acima de tudo, a manter a União: Abraham Lincoln. O Partido Democrata, mais forte, estava dividido entre norte e sul e Lincoln venceu. Deveria assumir em março de 1861, mas antes disso explodiu a rebelião sulista.

Em dezembro de 1860, no mês seguinte às eleições, a Carolina do Sul se desligou da União. Mais seis Estados seguiram o exemplo. Em fevereiro, em Montgomery, Alabama, os sete realizaram um congresso em que decidiram formar uma nova União: os Estados Confederados da América, com capital em Richmond, Virgínia. Jefferson Davis foi nomeado presidente provisório e Alexander Stephens, vice. Mais quatro Estados se uniriam a eles.

O gesto dos sulistas deve ser entendido a partir de seus interesses econômicos e da exaltação da campanha abolicionista. Eles sabiam que, dentro da União, sua sociedade escravista não resistiria à concorrência do norte industrial.

Os sulistas esperavam que os nortistas aceitassem a separação como fato consumado, mas estavam dispostos à guerra para defender os Estados Confederados. A correlação de forças era desfavorável ao sul. Dos 31 milhões de americanos, mais de 20 milhões viviam no norte. Dos pouco mais de 10 milhões de sulistas, 3.500.000 eram escravos. O sul só tinha uma fábrica de armamentos pesados; o norte já dispunha de bem montado parque industrial, rede ferroviária e poderosa esquadra.

Mesmo assim, os sulistas iniciaram a ofensiva. Tomaram o forte Sumter, em 12 de abril de 1861. Estava deflagrada a guerra. O avanço técnico mudou a feição da guerra. O fuzil de repetição deu origem à trincheira e praticamente eliminou o sabre, pois o corpo-a-corpo tornou-se difícil. O mosquete foi excluído. A cavalaria passou a plano secundário e, assim, tornaram-se impossíveis as vitórias rápidas. Os barcos couraçados revolucionaram as técnicas da guerra naval; graças a eles, o norte impôs ao sul um bloqueio invulnerável, que impedia o recebimento de material bélico da Europa. As ferrovias facilitavam o rápido deslocamento de tropas. Outra vantagem nortista estava no telégrafo: o comandante Ulisses Grant sabia a qualquer momento o que se passava em todas as frentes.

No plano estratégico, foi uma guerra total: contra o exército inimigo e contra a população. O general nortista Sherman, ao passar pela Geórgia, destruiu tudo num raio de 80 quilômetros.

Grant foi o grande tático. Foi quem determinou a ofensiva através do Mississipi, dividindo o sul em dois, fato importante para a vitória nortista. O comandante sulista, general Robert Lee, jogou a maior cartada atacando o coração industrial do norte, a Pensilvânia. Foi a Campanha de Gettysburg. Obrigado a recuar, sofreu pesadas baixas.

Em 22 de setembro de 1862, o governo aboliu a escravidão nos Estados rebeldes, para desorga-nizar a economia sulista e instigar os escravos à rebelião. Ao mesmo tempo, tentava conquistar simpatias na Europa, o que deu certo: depois da decisão, cessou toda a ajuda anglo-francesa aos confederados. A abolição efetiva viria em janeiro de 1865, sem programa algum de adaptação ou ajuda, o que perpetuou a situação desigual contra o negro, à semelhança do que ocorre mais tarde no Brasil.

Em 9 de abril, Lee pediu a Grant os termos de rendição. No dia 14, o jovem ator John Booth, escravagista fanático, assassinou Lincoln. Com isso, desapareceu a atitude moderada entre vencedores e vencidos: as disputas políticas abriram caminho para aventureiros políticos do norte que disputavam cargos no sul com apoio dos negros, agora com direito a voto. Os brancos reacionários fundaram associações radicais, como a racista Kukluxklan, nascida em Nashville em 1867. Somente com a retirada das tropas de ocupação do sul em 1877, conseguiu-se normalizar a vida política da nação. A guerra civil havia deixado um saldo de 600.000 mortos, o sul devastado, a economia de-sorganizada e uma legião de negros marginalizados. Uma provação pela qual o Brasil pós-Indepen-dência não passaria com tal intensidade, apesar das guerras internas.

07. OS ESTADOS UNIDOS NOS SÉCULOS XX E XXI

No fim do século XIX o país emerge como potência imperialista: em 1898, o Havaí é anexado e, na guerra contra a Espanha, conquista territórios no Caribe (Porto Rico) e no Pacífico (Filipinas e Guam). Em 1903, os EUA forçam a independência do Panamá, para obter a posse da Zona do Canal, que liga o Atlântico ao Pacífico. Na I Guerra Mundial, lutam ao lado do Reino Unido e da França.

Em 1920 são proibidas a fabricação e a venda de bebidas alcoólicas (Lei Seca), o que fortalece o contrabando e o crime organizado. A prosperidade do país é interrompida em 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York. O democrata Franklin Delano Roosevelt assume a Presidência em 1933 e, por quatro mandatos consecutivos, aplica uma política de desenvolvimento baseada em investimentos estatais. Conhecida como New Deal, a diretriz ganha impulso com a entrada do país na II Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, no Havaí, em 1941. Em 1945, em tese para apressar a rendição do Japão, o governo do presidente Harry Truman joga bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.

A divisão do mundo em esferas de influência dos EUA e da União Soviética (URSS), conhecida como Guerra Fria, fortalece o poder militar das duas nações. O primeiro embate se dá em 1950, com o envio de tropas dos EUA à Coréia para conter a expansão comunista na Ásia. Internamente, desenvolve-se o macarthismo, onda de intolerância contra intelectuais e artistas acusados de serem comunistas. Com a eleição do democrata John Kennedy, em 1960, aumentam os gastos com a defesa e a preocupação com os direitos civis. O governo reforça a posição contra a influência soviética em Cuba, Kennedy é assassinado em 1963, e seu sucessor, Lyndon Johnson, aprova leis contra a discriminação racial. Em 1969, astronautas norte-americanos pousam na Lua, vencendo a corrida espacial com a URSS.

Em 1962 começa a intervenção militar no Vietnã A retirada só ocorre em 1973, no governo do republicano Richard Nixon, derrubado pelo escândalo de Watergate, em 1974. Entre 1977 e 1980, no governo do democrata Jimmy Carter, aumentam a inflação e o desemprego. Os republicanos voltam ao poder em 1981, com Ronald Reagan, que corta gastos públicos e endurece as relações com a URSS e os regimes de esquerda. O vice de Reagan, George Bush, eleito presidente em 1988, organiza uma coalizão militar de cerca de 30 países que expulsa as tropas iraquianas do Kuweit, na Guerra do Golfo (1991), sem depor o ditador iraquiano, Saddam Hussein.

O democrata Bill Clinton, eleito em 1992, faz acordos internacionais que favorecem as exportações norte-americanas e aprova o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), com Canadá e México. O Produto Interno Bruto (PIE) cresce e o desemprego cai durante a gestão de Clinton, reeleito em1996. George W. Bush (filho do ex-presidente Bush) é eleito para a Casa Branca em 2000, num dos mais conturbados pleitos da história do país, em virtude de problemas na contagem de votos no Estado da Flórida.

Em 11 de setembro de 2001, os EUA sofrem um atentado terrorista sem precedentes, com a destruição das torres do World Trade Center, em Nova York, e de uma das alas do Pentágono (o centro administrativo das Forças Armadas), em Washington, por 19 extremistas muçulmanos que seqüestram aviões comerciais norte-americanos e os utilizam como mísseis em atentados suicidas. No total, morrem 2.973 pessoas.

Os ataques são atribuídos à rede terrorista Al Qaeda, liderada pelo milionário saudita Osama Bin Laden, que vive no Afeganistão, sob a proteção do regime local, o Taliban. A recusa das autoridades afeganes em entregar Bin Laden leva os EUA e o Reino Unido a atacarem militarmente o país. O regime do Taliban é derrubado em novembro. Os EUA, embora continuem mantendo tropas no Afeganistão, não conseguem capturar Bin Laden.

Depois do 11 de Setembro, a luta contra o terrorismo torna-se o elemento central da política do governo Bush. Internamente, a necessidade de aumentar os dispositivos de segurança, levam o presidente a propor uma lei, conhecida como Patriotic Act (Lei Patriótica), que é aprovada em outubro de 2001 pelos congressistas. Essa legislação possibilita, entre outras coisas, que pessoas suspeitas de vinculação com grupos terroristas sejam detidas por longos períodos. A medida recebe críticas de entidades de defesa dos direitos humanos.

Posteriormente, vem a público, a existência de uma ordem secreta de Bush, emitida em 2002, que autoriza o monitoramento de dados de telefonemas de cidadãos norte-americanos, sem a necessidade de decisão judicial para tanto. Outro programa mantido em sigilo pelo governo é o que permite o acesso a informações financeiras dos cidadãos, a partir de um grande banco de dados sediado na Europa. Ele possibilita acesso a transações bancárias de milhares de norte-americanos. Essa iniciativa é revelada pelo jornal The New York Times em junho de 2006.

Em 2002, o presidente define diretrizes relativas ao combate antiterrorista; que ficam conhecidas como Doutrina Bush. Prevê-se, por exemplo, o uso de força contra qualquer país que possa ameaçar a segurança dos EUA, de maneira unilateral (sem necessidade de consulta aos aliados) e preventiva. O orçamento militar cresce de forma expressiva, o que se torna o principal fator de aumento do déficit público do país a partir de 2002. Estima-se que os EUA são responsáveis por metade dos gastos militares do mundo.

Bush denuncia no mesmo ano a existência do "eixo do mal", formado por Iraque, Irã e Coréia do Norte, nações acusadas de produzir armas nucleares e de patrocinar o terrorismo. Saddam Hussein, presidente iraquiano, nega que seu país possua tais armas. Os EUA tentam aprovar na ONU a autorização do uso da força contra o Iraque, mas enfrentam a oposição de França, Alemanha, Federação Russa e, com menos ênfase, China. Os EUA e o Reino Unido decidem ir à guerra mesmo sem a permissão da ONU.

Em março de 2003, milhares de soldados norte-americanos e britânicos invadem o Iraque e em menos de um mês derrubam o regime. As forças de ocupação tornam-se, porém, alvo de campanha sistemática de guerrilhas e atentados. A presença de mais de 140 mil soldados norte-americanos não consolida o controle sobre o país.

Em março de 2004, surge a revelação da prática de maus-tratos contra detentos na prisão de Abu Ghraib, pelos militares dos EUA, no Iraque. Imagens amplamente divulgadas mostram soldados norte-americanos forçando prisioneiros a atos de humilhação sexual, violências e outros abusos. Bush se desculpa pelos atos. Em outro revés para a imagem do presidente, uma comissão parlamentar que investiga os atentados de 11 de setembr


Imprimir Enviar para um amigo Indicar erro

 


Deputado Estadual Artur Bruno

1998 - 2014. Deputado Federal Artur Bruno - PT Ceará
Av. Desembargador Moreira, 2001 Salas 501/502, Dionísio Torres - Fortaleza/CE
Anexo 3 - Gabinete 467 - Brasília/DF

Telefones: (85) 3055-0968 | (61) 32155467
e-mail: arturbruno@arturbruno.com.br

Site produzido e atualizado pela assessoria de comunicação do mandato e TEIA DIGITAL